Pneumologia

ATS 2022: destaques da sessão Year in Review

Tempo de leitura: 3 min.

A clássica sessão Year in Review do congresso da American Thoracic Society (ATS 2022) atrai milhares de pessoas todos os anos. Durante o evento são relembrados diversos estudos que marcaram o ano, além de perspectivas para os próximos estudos.

Entre as apresentações, destacamos as mais marcantes. Confira!

Destaques da oncologia

  1. Nova indicação de rastreio para câncer de pulmão: passou a ser realizada entre 50 e 80 anos de idade, com carga tabágica igual ou superior a 20 anos/maço e ex-tabagistas que deixaram de fumar até 15 anos. A tomografia de tórax deve ser realizada anualmente. O câncer de pulmão é o responsável pelo maior número de óbitos por neoplasias, sendo de suma importância o rastreio e a detecção precoce da doença.
  2. O sotorasib foi a primeira medicação aprovada para uso em pacientes com câncer de pulmão e mutação do KRAS, sendo a mutação G12C apenas que possui benefício comprovado com boa taxa de resposta.

Destaques em doenças intersticiais

  1. As exacerbações das doenças intersticiais são raras, com a maioria dos estudos sendo retrospectivos. No estudo apresentado, foram comparados a associação da ciclofosfamida com metilprednisolona, sem benefício encontrado. No geral, o tratamento das exacerbações tem sido feito com corticoides. Além disso, pacientes em uso de antifibróticos podem ter melhores desfechos nas exacerbações, incluindo mortalidade. O uso de antibióticos crônicos nessas doenças não mostrou diferença na prevenção de exacerbações e prevenção de progressão.
  2. O uso da tomografia endobrônquica é um método diagnóstico promissor, sobretudo naqueles pacientes que possuem contraindicação a biópsia. Estudos recentes mostraram boa acurácia no exame que utiliza a reconstrução em 3D do segmento, com rápida aquisição de imagens, levando em torno de 10-15 minutos.

Destaques das doenças da circulação pulmonar

  1. O sotatercept é uma droga nova, que atua na via do BMPR2, possivelmente a quarta via de tratamento das doenças da circulação pulmonar. Em estudo recente, pacientes em uso de terapia dupla ou tripla fizeram uso da droga, mostrando redução da resistência vascular pulmonar. É uma esperança para maioria dos pacientes que estão em terapia tripla e ainda assim permanecem em alto risco.
  2. O estudo TRITON não mostrou superioridade de início com terapia tripla versus terapia dupla na hipertensão arterial pulmonar.

Destaques em asma

  1. A tomografia quantitativa está cada vez mais presente na rotina das doenças pulmonares e na asma não foi diferente. O estudo SARP associou a presença de aprisionamento aéreo e remodelamento à maiores taxas de redução da função pulmonar. Essa ferramenta pode ser útil no seguimento do paciente asmático grave, a despeito da dose de radiação utilizada.
  2. Cada vez mais associa-se a presença de nascimentos prematuros e tempo de aleitamento materno reduzido à chance de desenvolvimento de bronquiolites na infância e sua evolução para asma na fase adulta.
  3. A diretriz para o diagnóstico de asma da sociedade europeia reforça a utilização da espirometria no diagnóstico da doença, reforçando a presença do distúrbio obstrutivo. Outros fatores como resposta broncodilatadora positiva e fração exalada de óxido nítrico acima de 50 ppm reforçam a hipótese diagnóstica.
  4. O risankizumabe, um anticorpo monoclonal contra a IL-23, mostrou ação negativa em pacientes com asma grave. Pacientes submetidos ao tratamento com a droga tiveram maior probabilidade de piora do quadro em comparação aos pacientes que utilizaram placebo.

Destaques em DPOC

  1. Pacientes com DPOC apresentam risco aumentado de pneumonia, e esse risco aumenta ainda mais após uso do corticoide inalatório. Porém, isso pode variar conforme o tipo de partícula. Partículas extrafinas apresentam um risco menor do desenvolvimento de pneumonia nesses pacientes, mais idosos que possuem menor função pulmonar.
  2. A incidência de tromboembolia pulmonar na exacerbação de DPOC é mais baixa do que se imaginava, tendendo-se a ficar abaixo de 10% dos casos internados por quadros de exacerbação.
  3. O DPOC é classicamente um fator de risco para maior gravidade da covid-19, diferentemente da asma, sendo risco ainda maior que outras doenças como o diabetes.

Delirium na UTI

  1. Cerca de 40-80% dos pacientes que recebem alta da UTI podem ter algum tipo de delirium ou redução cognitiva a longo prazo. Esse índice é associado a aumento de hospitalização e mortalidade no primeiro ano após a alta do paciente.
  2. A neuropatia do doente crítico é associada a vários fatores durante a estadia do paciente em UTI e já possui marcadamente aumento da incidência de internações no primeiro ano após a alta hospitalar.

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Publicado por
Guilherme das Posses Bridi

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