Ginecologia e Obstetrícia

Avaliação cardíaca materna nas semanas 35 a 37 melhora a previsão de pré-eclâmpsia?

Tempo de leitura: 2 min.

Pré-eclâmpsia é a maior causa de morbimortalidade materno e fetal. Muito tem-se estudado para poder encontrar formas de avaliação, a fim de predizer, evitar ou até minimizar os efeitos dessa patologia no binômio mãe-feto, já no primeiro trimestre que culminaram no aceite do uso de aspirina profilática.

O uso de aspirina tem sido empregado com sucesso para prevenção de pré-eclâmpsia nas gestações pré-termo até 36 semanas em quase 60%. Entretanto, no grupo de gestantes a termo, não se observa efeito protetor da aspirina, ainda não explicado o exato mecanismo. Talvez existam modificações ocorrendo no território placentário que expliquem os eventos pré-eclâmpticas das gestações a termo.

Com essa premissa, o presente estudo analisou se existem mudanças em índices cardíacos em mulheres com iminente incidência de pré-eclâmpsia e se o uso desses índices como protocolo de screening durante o pré-natal poderia prever o desenvolvimento da doença.

Leia também: Sildenafil pode ser eficaz na pré-eclâmpsia?

Método do estudo

Foram excluídas do estudo mulheres com hipertensão prévia e mulheres com implantes mamários (por representar possível fator de comprometimento na avaliação da janela ecocardiográfica). Aquelas que não fossem fluentes em inglês ou não possuíssem intérprete também foram excluídas.

Incluídos na avaliação clínica da mãe muitos fatores clínicos, como idade, tabagismo durante a gravidez, peso, altura, raça, métodos concepção (gravidez natural ou fertilização ou óvulos de doadoras), histórico obstétrico prévio como partos precoces (presença ou não de pré-eclâmpsia em gestações anteriores).

A avaliação da função cardíaca era realizada por ecocardiografia, realizada sempre no mesmo aparelho Canon, por médicos treinados em decúbito lateral esquerdo pela via transtorácica.

O seguimento do parto era obtido do registro hospitalar dos partos. Restrição de crescimento fetal foi definida pela classificação de Gratacos e os fetos classificados como pequenos para idade gestacional quando o peso no nascimento era menor que 2.500g. Diagnóstico e gravidade de pré-eclâmpsia seguem os critérios do American College of Obstetrics and Gynecology (ACOG).

De um total de 1.602 mulheres estudadas, 3,12% desenvolveram pré-eclâmpsia. Clinicamente, essas mulheres que desenvolveram pré-eclâmpsia tinham maior prevalência de diabetes mellitus, escore de risco; mas para pré-eclâmpsia, maior peso, maior IMC, maior número de partos por cesárea e fetos com menores pesos ao nascimento.

Durante a avaliação ecocardiográfica das pacientes, o estudo conseguiu determinar que existe um aumento da fração de ejeção ventricular esquerda e da tensão circunferencial ventricular. Essas modificações precederam em algumas semanas os eventos que culminaram no diagnóstico de pré-eclâmpsia dessas pacientes.

Ouça também: TOP 5: lombalgia, pré-eclâmpsia, atestado sem CID e mais – PEBMEDCast

Mensagem final

O estudo é bem desenhado, bastante rigoroso e completo em sua avaliação, mas ainda precisamos de mais coortes para observar a reprodutibilidade do método. Mesmo assim, acrescenta um importante parâmetro na avaliação da paciente de risco que não tínhamos ainda como predizer e pode, talvez, começar a predizer no termo as pacientes que podem desenvolver a mais prevalente patologia complicadora nas gestações, que é a doença hipertensiva específica da gravidez.

Referência bibliográfica:

  • Garcia-Gonzalez C, et al. Maternal Cardiac Assessment at 35 to 37 Weeks Improves Prediction of Development of Preeclampsia. Hypertension. 2020;76:514–522.
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Publicado por
João Marcelo Martins Coluna

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