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Avaliação do aumento no risco de fraturas ósseas em crianças com fraturas prévias

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As fraturas na infância são eventos comuns e que podem ser recorrentes. Contabilizam como uma das maiores causas de atendimento em emergências pediátricas. Além disso, levam a grande prejuízo para crianças e pais, devido ao número de dias de restrição necessários para a recuperação da criança (média de 14 dias para fraturas de membros superiores e de 26 dias para fraturas de membros inferiores). 

Alguns estudos têm sugerido um aumento nas taxas de fraturas ocorridas na infância após traumas de baixo impacto. Alguns elementos podem justificar esse aumento, como a redução de atividades físicas, a obesidade infantil e a piora da qualidade nutricional. Esses fatores levam a uma pior qualidade óssea, o que levaria ao aumento do risco de fraturas. Como esses problemas são considerados de grande monta nas sociedades, espera-se que as fraturas ósseas na infância aumentem ainda mais com o passar do tempo. 

E o pior: como a massa óssea é formada, principalmente, na infância e adolescência, uma massa óssea subótima durante essa etapa da vida leva a um aumento do risco de problemas como osteoporose na vida adulta. 

Sendo assim, a literatura médica já vinha se debruçando na seguinte questão: existe um aumento no risco de fraturas ósseas em crianças após a ocorrência da primeira fratura? Ou seja, uma fratura óssea aumenta o risco de recorrência dessas fraturas?

Foi isso que pesquisadores canadenses investigaram no artigo intitulado “Risk of Recurrent Fracture: a Population-Based Study”, publicado na edição de agosto de 2019 da revista Pediatrics. Os autores realizaram um estudo de coorte retrospectivo com base populacional. Foram analisados registros do National Ambulatory Care Reporting System na província de Ontario, Canadá.

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O critério de inclusão eram crianças menores de 16 anos que viviam na província e que foram atendidas pelo sistema de saúde no período entre primeiro de abril de 2003 a 31 de março de 2004 (período de base). Foram excluídas da amostra pacientes com dados inválidos ou com comorbidades que aumentam o risco para fraturas ósseas, como osteogênese imperfeita, presença de fraturas patológicas, densidade óssea baixa, artropatia juvenil, osteopatia de qualquer causa e maus tratos. Como desfecho primário, os autores utilizaram a presença de fraturas num período de follow-up de sete anos após o período de estudo inicial. 

Foram incluídas no estudo, aproximadamente, 2,5 milhões de crianças, das quais 43154 (17,5%) apresentaram fraturas no período de base. Desse total, 23% das crianças apresentaram fraturas no período de follow-up de sete anos, comparadas com 11,3% das crianças que não apresentaram fraturas no período de base (p < 0,001). Além disso, quando os dados foram ajustados para dados socioeconômicos, demográficos e clínicos, ainda assim o grupo com fraturas no período de base apresentou maior risco de fraturas no período de follow-up (razão de risco de 1,60-1,82 para crianças de 0-5 anos de idade e 1,48-1,56 para crianças de 6-15 anos de idade). 

Por ser um estudo de base populacional, o estudo apresenta grande poder estatístico na avaliação do aumento do risco de fraturas em crianças com fraturas prévias. Mas não é potente para avaliar relações de causa-efeito desse fenômeno. Apesar disso, o estudo sugere benefícios em estratégias para prevenção de fraturas em crianças, com melhora da massa óssea através de melhor nutrição, prática de atividades físicas e prevenção da obesidade. 

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Referências:

  • Escott BG. et al. Risk of recurrent fracture: a population-based study. Pediatrics, p. e20172552, 2019.

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