Coronavírus

Avaliação do risco cirúrgico em pacientes vacinados contra Covid-19 e cirurgias eletivas

Tempo de leitura: 3 min.

Uma paciente de 51 anos em pré operatório para cirurgia bariátrica, deu entrada em um ambulatório de  anestesia da Universidade de Cologne na Alemanha para a realização de risco cirúrgico, tendo realizado  a primeira dose da vacina Astrazeneca contra Covid-19 quatro dias antes, pois era da área de saúde e  apresentava grande risco de ser infectada. No momento da vacinação relatou à equipe que iria realizar  uma cirurgia de grande porte uma semana após a primeira dose e não encontrou resistência nem contra  indicação por parte dos profissionais que aplicaram a vacina. Sendo a segunda dose agendada para 48 dias após. 

Apesar de muito se saber em relação aos tipos diferentes de vacina contra o Sars-CoV-2, ainda não se tem real conhecimento dos efeitos desta sob a anestesia e cirurgia em pacientes recém vacinados. Sendo assim, alguns questionamentos foram aventados, principalmente em relação a: qual melhor tempo após a cirurgia para se tomar a vacina, se efeitos depressores do sistema imunológico relacionados ao estresse anestésico-cirúrgico podem afetar a eficácia da vacina, se os efeitos colaterais da vacina podem ser exacerbados devido também a essa imunodeficiência e ao fato dos efeitos adversos próprios da vacinação poderem ser confundidos com complicações pós operatórias. 

Leia também: Cirurgias em tempos de pandemia por Covid-19

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Vacinas contra Covid-19 e o risco cirúrgico

A Covid-19 que passou a ser uma infecção nosocomial aumenta muito as chances de complicações, principalmente pulmonares em pacientes idosos no pós-operatório de cirurgias eletivas, e a vacinação desses pacientes contribui para a diminuição dessas complicações. Porém, as vacinas contra Covid-19 se diferenciam em relação a seu tempo de imunização, o que torna plausível que pacientes candidatos a cirurgias eletivas possam escolher a vacina com menor tempo de ação. 

Normalmente, na população pediátrica, se faz um intervalo para cirurgias eletivas de 3 a 7 dias para  vacinas de vírus inativo e de 14 a 21 dias para vacinas de vírus vivo atenuado. O Royal College of  Surgeons da Inglaterra determinou que, para cirurgias eletivas em pacientes adultos, não se deve esperar mais do que uma semana em relação aos dois tipos de vacina e para cirurgias de urgência, não há intervalo. 

Oficialmente, não se tem ainda nenhum guideline a respeito da segurança anestésica e vacina contra Covid-19 em pacientes em pré-operatório eletivo, além do risco cirúrgico. Além disso, as vacinas com tecnologia  de RNA mensageiro são muito novas e não se tem estatística suficiente sobre interações com anestesia. 

Saiba mais: É possível calcular o risco de morte por Covid-19 após cirurgias ortopédicas eletivas?

As recomendações normalmente utilizadas para a vacinação, como a contra indicação em pacientes com quadros infecciosos ou febris agudos, porém liberados para pacientes com infecções leves ou febre baixa devem se expandir para o cenário pré-operatório em relação a cirurgias de pequeno e grande porte, ou seja, cirurgias de pequeno porte estariam liberadas pós vacinação. Porém, nenhuma  investigação foi realizada em relação a isso. 

Cirurgias eletivas

O departamento de anestesia da Universidade de Cologne recomenda que cirurgias eletivas sejam realizadas após 15 dias da segunda dose da vacina. Esse período seria o mais seguro para diminuir os riscos de complicações pós operatórias, além de não haver a interferência dos efeitos colaterais da vacina como febre, mialgia, artralgia, náuseas, vômitos e fadiga serem confundidos com complicações pós operatórias. 

Autora:

Referências bibliográficas:

  • Limper U, Defosse J, Schildgen O, Wappler F. Perioperative risk evaluation in patients scheduled for elective surgery in close relation to their SARS-CoV-2 vaccination. Br J Anaesth. 2021 Jun;126(6):e225-e226. doi: 10.1016/j.bja.2021.03.007

 

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Publicado por
Gabriela Queiroz

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