Infectologia

Azitromicina como profilaxia pós-exposição à N. meningitidis é eficaz?

Tempo de leitura: 2 min.

Contatos próximos de pacientes diagnosticados com doença invasiva por meningococo (DIM) têm grande risco de adoecer nas próximas duas semanas. Dessa forma, fazemos uso da profilaxia pós-exposição (PEP) para erradicar a colonização pela bactéria e prevenir casos secundários da doença. A quimioprofilaxia em massa também é uma ferramenta utilizada quando uma epidemia se instala.

De acordo com European Centre for Disease Prevention and Control (ECDC), rifampicina, ciprofloxacino, ceftriaxona, azitromicina e cefixime são as escolhas para PEP. Já o Centers for Disease Control and Prevention (CDC) destaca a azitromicina como opção apenas em caso de resistência ao ciprofloxacino. No Brasil, as opções recomendadas são rifampicina, ciprofloxacino e ceftriaxona. Essas três drogas têm ampla comprovação em erradicar a colonização pela Neisseria meningitidis, porém, todas têm suas desvantagens.

Veja mais: Meningite e encefalite aguda: como e por que diferenciá-las clinicamente?

Quinolonas podem causar neuropatia e ruptura de tendão, o que levou uma série de agências a recomendar a restrição em seu uso. Além disso, algumas regiões do mundo já relatam resistência do meningococo ao ciprofloxacino (na Índia esse valor é superior à 80%). A rifampicina, além de interagir com uma série de outras medicações, também já apresenta descrição de resistência a ela. A ceftriaxona é administrada por via intramuscular, o que é menos tolerado que formulações orais.

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Azitromicina como PEP de doença invasiva por meningococo

Visando buscar novas opções para a PEP de DIM, um estudo alemão investigou a susceptibilidade de cepas de N. meningitidis à azitromicina. Para isso, utilizaram amostras de pacientes com doença invasiva por menigococo que estavam armazenadas em um laboratório de referência no período de 2006-2018.

As MICs foram analisadas por microdiluição seguindo o preconizado pelo CLSI, visto que não haviam pontos de corte disponíveis pela EUCAST, e foram determinadas como concentração mínima a inibir o crescimento bacteriano.

A leitura foi feita por três pesquisadores independentes e era aceita apenas se houvesse crescimento bacteriano no controle e duas avaliações estivessem de acordo. A terceira avaliação, se diferisse, só poderia ser em no máximo uma diluição. No total 205 amostras foram avaliadas. Não houve diferença estatística relevante na idade dos pacientes, nos sorotipos ou finetypes (alelos variantes dentro de um mesmo sorotipo).

Leia também: Doença meningocócica: onde estamos?

Não houve resistência à azitromicina nas amostras avaliadas no estudo, porém, como o método de microdiluição é laborioso, o número de amostras testadas foi pequeno (205 de 3228). Dessa forma, mais estudos ainda precisam ser feitos para que a azitromicina seja indicada como PEP com segurança. Além disso, essa avaliação levou em conta amostras coletadas na Alemanha, o que pode não refletir a realidade brasileira.

Vale ressaltar também que se a azitromicina for utilizada como PEP, devemos monitorar a resistência do meningococo à essa medicação, já que a ela é comum.

Autora:

Referências bibliográficas:

  • KRONE, M. et al. Susceptibility of invasive Neisseria meningitidis strains isolated in Germany to azithromycin, an alternative agent for post-exposure prophylaxis. The Journal of Antimicrobial Chemotherapy, v. 75, n. 4, p. 984–987, 1 abr. 2020.
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Publicado por
Raissa Moraes

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