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médica examinando paciente com tosse

Azitromicina reduz exacerbações da asma?

Milhões de pessoas de todas as idades sofrem com doenças respiratórias crônicas em todos os países do mundo, e mais de 500 milhões vivem em países em desenvolvimento. As doenças respiratórias crônicas estão aumentando em prevalência, particularmente entre as crianças e os idosos. Esse grupo de doenças afeta a qualidade de vida e causa grande impacto econômico e social.

asma é uma doença inflamatória crônica das vias respiratórias, que se expressa pela redução ou obstrução no fluxo do ar, devido ao edema da mucosa dos brônquios, hiperprodução de muco nas vias aéreas e contração da musculatura lisa dessa região. Dispneia ou dificuldade para respirar, sensação de aperto no peito ou peito pesado, chio ou chiado no peito e tosse são alguns dos principais sintomas da asma. Esses sintomas podem variar durante o dia, podendo piorar à noite e com atividades físicas.

A classificação da asma inclui (1) asma intermitente, (2) asma persistente leve, (3) asma persistente moderada e (4) asma persistente grave. Estima-se que mais de 50 milhões de pessoas tenham asma descontrolada moderada a grave.

Pacientes com asma descontrolada possuem risco de exacerbações graves que resultam em visitas frequentes aos consultórios médicos, hospitalizações, dias perdidos no trabalho e, raramente, morte. Os adultos com asma persistente descontrolada apesar do tratamento de manutenção necessitam de terapia adicional.

Mais da autora: ‘Recomendações para início do tratamento com corticosteroide inalado para asma’

Neste contexto, um ensaio clínico randomizado, duplo-cego, controlado por placebo, publicado no The Lancet, foi realizado para determinar se a azitromicina oral diminui a frequência de exacerbações de asma em adultos (≥18 anos) com asma sintomática, apesar do uso atual com corticosteroide inalado e broncodilatador de ação prolongada.

Os pacientes foram randomizados na proporção de 1:1 para receber azitromicina 500 mg ou placebo três vezes por semana durante 48 semanas. Os desfechos de eficácia avaliados foram taxa de exacerbações de asma (grave e moderada) ao longo de 48 semanas e qualidade de vida da asma.

Entre 12 de junho de 2009 e 31 de janeiro de 2015, 420 pacientes foram randomizados, sendo 213 no grupo azitromicina e 207 no grupo placebo. Os pacientes atribuídos à azitromicina apresentaram características semelhantes aos atribuídos ao placebo. A mediana de idade de todos os pacientes foi de 60 anos.

Os resultados mostraram que azitromicina reduziu as exacerbações de asma (1,07 por paciente-ano; intervalo de confiança [IC] 95%: 0,85 a 1,29) em comparação ao placebo (1,86 por paciente ano; IC 95%: 1,54 a 2,18; razão de taxa de incidência: 0,59; IC 95%: 0,47 a 0,74; p<0,0001). A proporção de pacientes com, pelo menos, uma exacerbação de asma foi reduzida pelo tratamento com azitromicina (127 [61%] pacientes no grupo placebo versus 94 [44%] pacientes no grupo azitromicina, p<0,0001).

Em relação a qualidade de vida, a azitromicina melhorou significativamente a qualidade de vida associada à asma (p=0,001).

Não foi observada diferença significativa entre os grupos azitromicina e placebo na taxa global e no tipo de eventos adversos graves, que ocorreram em 16 (8%) pacientes tratados com azitromicina e 26 (13%) pacientes tratados com placebo (p=0,27). A diarreia foi mais comum em pacientes tratados com azitromicina (34% versus 19%; p=0,001).

Com bases nesses resultados, concluiu-se que adultos com asma sintomática persistente apresentaram menos exacerbações de asma e melhoraram a qualidade de vida quando tratados com azitromicina oral durante 48 semanas. Desta forma, a azitromicina pode ser considerada uma terapia complementar útil na asma persistente.

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Referências:

  • Gibson PG, Yang IA, Upham JW, Reynolds PN, Hodge S, James AL, et al. Effect of azithromycin on asthma exacerbations and quality of life in adults with persistent uncontrolled asthma (AMAZES): a randomised, double-blind, placebo-controlled trial. Lancet [Internet]. 2017. Available from: https://dx.doi.org/10.1016/S0140-6736(17)31281-3


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