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O número de pessoas com úlcera de Buruli tem aumentado nos últimos anos na Austrália. Antes restrita aos subúrbios e áreas rurais, a doença está se aproximando cada vez mais de Melbourne, capital costeira do estado de Victoria, no sudeste do país. Médicos e cientistas estão tentando impedir o seu avanço antes que ela atinja a população de cinco milhões de habitantes.

Em todo o estado de Victoria, o número de casos mais do que triplicou nos últimos anos: em 2014, foram notificados 65; em 2019 foram 299, enquanto no ano passado, 218.

Bactéria da úlcera de Buruli

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O que se sabe sobre a úlcera de Buruli

A úlcera de Buruli, chamada comumente de bactéria comedora de carne humana, é uma enfermidade causada pela bactéria da mesma família da que causa a tuberculose e a hanseníase, a Mycobacterium ulcerans.

Os primeiros sintomas são lesões na pele, que começam como nódulos, podendo virar feridas grandes e abertas pelo corpo. Essas feridas atacam principalmente as articulações, podendo prejudicar também os ossos, levando à incapacidade motora e, por vezes, à amputação de membros inteiros.

Ainda se sabe muito pouco sobre a úlcera de Buruli, mas não há evidência de contágio de pessoa para pessoa. Sem saber como acontece a transmissão da doença, a comunidade científica ainda não conhece métodos para preveni-la.

As principais possibilidades são que seja transmitida pela ingestão de água contaminada ou pela picada de alguns mosquitos ou insetos. Até porque as lesões podem ser confundidas inicialmente com uma picada de inseto.

Atualmente, os cientistas australianos estão trabalhando com a hipótese de que a bactéria é amplificada por gambás e suas fezes. Mosquitos e outros insetos que picam, transportam essa bactéria dos gambás ou do ambiente para os humanos, ao perfurar sua pele e deixar a bactéria que vai causar a úlcera de Buruli.

Mas isso continua sendo uma teoria e ninguém sabe ao certo se os humanos estão contraindo a doença de mosquitos, do solo ou dos próprios gambás.

Como confirmar o diagnóstico

O diagnóstico da úlcera de Buruli é realizado pelo dermatologista, clínico geral ou infectologista a partir da observação dos sintomas e avaliação do histórico do paciente, principalmente quando se vive em regiões em que existe um elevado número de casos.

Além disso, é normalmente indicada a realização de uma biópsia do tecido afetado para identificar a presença da bactéria e a realização de cultura da ferida para verificar se há infecções secundárias, além de também ser útil para confirmação do diagnóstico.

Tratamento e reabilitação

A doença é tratada com uma dose forte de dois antibióticos potentes que precisam ser tomados por diversas semanas e, muitas vezes, meses: a rifampicina, que também é usada no tratamento de outras infecções bacterianas graves, incluindo tuberculose e hanseníase, e a moxifloxacina, que pode ser usada para tratar a peste.

Dependendo da gravidade da úlcera, altas doses de esteróides também são necessárias, assim como cirurgia. O tratamento não é nada fácil: o paciente tem de ficar internado para receber medicamentos tanto por via oral como por injeção.

O processo de reabilitação, envolvendo fisioterapia, enxertos, curativos diários ou outros procedimentos cirúrgicos dura mais tempo. Já as lesões, dependendo da gravidade e do estágio em que se encontram, podem deixar sequelas, devido ao comprometimento de movimentos ou mesmo à necessidade de amputação. Daí a importância de o tratamento ser iniciado o quanto antes.

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Úlcera de Buruli

A úlcera de Buruli é classificada como uma doença negligenciada pela Organização Mundial da Saúde (OMS): não recebe muita atenção e não se sabe muito sobre ela.

Descrita pela primeira vez por Albert Cook, em 1897, em Uganda, foi somente na década de 1930 que os cientistas australianos liderados por Peter MacCallum tiveram sucesso na cultura do organismo a partir de lesões de pacientes da região de Bairnsdale.

O nome Buruli vem de uma área de Uganda onde muitos casos foram relatados na década de 1960. Na África, cerca de metade dos pacientes é formada por crianças com menos de 15 anos.

Na Austrália, a idade média gira em torno de 60 anos. Em 1998, a OMS estabeleceu a Iniciativa Global para Úlceras de Buruli em resposta à crescente disseminação da doença, particularmente na África Ocidental.

A úlcera de Buruli já foi relatada em 33 países na África, nas Américas, na Ásia e no Pacífico Ocidental. A maioria dos casos ocorre em regiões tropicais e subtropicais, exceto na China e no Japão. Dos 33 países, 14 divulgam dados regularmente à OMS.

O número anual de casos suspeitos de úlcera de Buruli notificados globalmente foi de cerca de 5 mil casos até 2010, quando começou a diminuir até 2016, atingindo o mínimo com 1.961 casos notificados. Desde então, o número de casos voltou a aumentar todos os anos, até 2713 casos em 2018. As razões para a diminuição e para o aumento recente não são claras.

Na África, a maioria dos casos é relatada na África Ocidental e Central, incluindo Benin, Camarões, Costa do Marfim, República Democrática do Congo, Gana e Nigéria. A Libéria começou recentemente a notificar um grande número de casos suspeitos, enquanto a Costa do Marfim, que costumava notificar o maior número de casos no mundo (2.242 casos em 2008), notificou apenas 261 casos em 2018. Fora da África, a Austrália continua a ser o principal país endêmico onde casos são relatados desde a década de 1930.

Nas Américas, essa é uma enfermidade rara e poucos casos foram relatados. O primeiro caso brasileiro foi relatado em 2007.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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Referências bibliográficas:

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