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A bactéria Klebsiella pneumoniae carbapenemase foi encontrada na urina de 48 pessoas diagnosticadas com infecção urinária

Bactéria multirresistente é detectada fora de hospitais brasileiros

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A bactéria Klebsiella pneumoniae carbapenemase (KPC) foi encontrada na urina de 48 pessoas diagnosticadas com infecção urinária em 2013. Os testes foram feitos em uma rede de laboratórios na região de Ribeirão Preto, em São Paulo.

Este é o primeiro estudo a identificar a bactéria em pacientes brasileiros não hospitalizados. Os resultados foram publicados no periódico Journal of Global Antimicrobial Resistance, em setembro deste ano.

Entre as 48 amostras, 60,4% (29) tinham bactérias não suscetíveis a três ou mais classes de antimicrobianos. No grupo, foram encontrados também diferentes “genes de virulência”.

Os altos índices de resistência a antibióticos e genes de resistência e virulência surpreenderam os autores da publicação. Em entrevista a BBC News Brasil, André Pitondo da Silva, coautor do estudo e professor de Microbiologia e Pesquisador da Universidade de Ribeirão Preto (Unaerp), afirmou ser necessário a realização de mais estudos para avaliar se esse quadro não está restrito apenas na região de Ribeirão Preto.

“É fundamental ter certeza de que não há uma epidemia ou algo que possa se alastrar por contágio direto. O alerta maior é que é preciso controle na saída de pacientes infectados dos hospitais e que não haja uso indiscriminado antibióticos”, disse André Pitondo da Silva.

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Klebsiella pneumoniae: bactéria oportunista

A Klebsiella pneumoniae está classificada em listas nacionais e internacionais como um dos microrganismos mais perigosos pelo alto nível da sua resistência a antibióticos e capacidade de causar infecções hospitalares.

Esse microrganismo foi o que mais causou infecções sanguíneas em pacientes adultos de Unidades de Terapia Intensiva (UTI) no Brasil, de acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em 2017.

A Klebsiella pneumoniae pode viver “esquecida” na flora intestinal de um indivíduo por anos e nunca causar problemas. Porém, pode começar a agir diante de uma queda na imunidade, uma doença, ou mesmo com o envelhecimento natural, causando infecções pulmonares, infecções urinárias que podem se agravar para uma pielonefrite, pneumonia e até uma sepse, com risco de óbito.

Nos hospitais, a sua propagação acontece principalmente no contato com fluidos do paciente infectado, através do uso de sondas e cateteres. As pias localizadas próximas aos banheiros dos pacientes nos quartos dos hospitais também podem ser reservatórios para a bactéria multirresistente, aumentando o risco de transmissão de germes, de acordo com uma nova pesquisa publicada no American Journal of Infection Control (AJIC).

Perguntas sem resposta

Há algumas perguntas sem resposta no estudo do caso de Ribeirão Preto, reconhecidas pelos seus próprios autores.

O histórico de saúde dos 48 pacientes é uma delas, já que não havia prontuários médicos disponíveis. Assim, não há como saber o quão frequente ou recente foi a presença dessas pessoas em hospitais. A hipótese dos autores é que os pacientes tenham sido hospitalizados anteriormente, quando podem ter sido colonizados pelas bactérias.

Sobre a data das amostras, o pesquisador afirmou acreditar que, se fosse realizado um estudo semelhante hoje, o quadro não seria muito diferente. O intervalo de alguns anos entre a amostra e a publicação recente se explica pelo fato da demanda de tempo para realização de experimentos, pelo preço e a ainda a acessibilidade de alguns equipamentos e análises laboratoriais.

O estudo realizado em Ribeirão Preto faz parte de um projeto maior, coordenado por André Pitondo da Silva e com parcerias internacionais, que pretende estudar bactérias de origem hospitalar de cinco regiões do Brasil (Londrina, Brasília, Teresina, Manaus e Ribeirão Preto) e de países de cinco continentes (Nova Zelândia, Canadá, Holanda, África do Sul e Índia).

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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