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Bactérias resistentes: qual melhor tratamento, tazocin ou meropenem?

Tempo de leitura: 2 minutos.

As bactérias multirresistentes, incluindo as Bactérias Gram-negativas que produzem Beta-Lactamase de Espectro Estendido (ESBL), são um sério problema de saúde pública, sendo cada vez mais comuns nos cuidados no ambiente hospitalar. Carbapenêmicos são as drogas de escolha em infecções graves causadas pelas bactérias produtoras de ESBL. Porém, o aumento do uso destes antibióticos pode selecionar gram-negativos resistentes a carbapenêmicos. Utilizar uma combinação de betalactâmico com inibidor de betalactamase (como a piperacilina-tazobactam) poderia ser uma estratégia para poupar uso de carbapenêmicos (como o meropenem)?

Alguns estudos já tentaram responder esta pergunta. Ano passado, uma revisão sistemática publicada no Open Forum Infectious Diseases não encontrou diferença estatisticamente significativa na mortalidade de pacientes com infecção de corrente sanguínea por Enterobacteriaceae produtora de ESBL tratados empiricamente com associação de betalactâmico/inibidor de betalactamase comparados com aqueles tratados empiricamente com carbapenêmicos, não suportando o uso de terapia empírica de amplo espectro de forma disseminada.

O artigo trouxe uma ressalva de que seria razoável não aplicar esses dados em pacientes críticos, já que nos estudos da metanálise, o médico tinha liberdade para escolher qual antibiótico usaria no paciente e, provavelmente, os pacientes menos críticos devem ter sido mais tratados com a combinação Betalactâmico/inibidor de betalactamase, o que poderia contribuir para o desfecho favorável.

Leia mais: Tratamento duplo-carbapenêmico é eficaz contra bactérias resistentes?

Um ensaio clínico randomizado publicado no JAMA este mês também pode ajudar bastante na discussão. Este comparava o uso de Piperacilina-tazobactam com meropenem na mortalidade em 30 dias em pacientes com infecção de corrente sanguínea por E. Coli e Klebsiella pneumoniae resistentes a ceftriaxone (produtoras de ESBL). Tratava-se de um estudo internacional e multicêntrico, em que participaram 391 pacientes. Diferentemente do estudo anterior, em que havia o viés de o médico escolher o tratamento, este foi randomizado, e os grupos eram escolhidos dentro de 72h da coleta da hemocultura.

A taxa de mortalidade em 30 dias dos doentes tratados com piperacilina-tazobactam em comparação com meropenem foi de 12,3% vs 3,7%, respectivamente. O estudo acabou sendo interrompido, pois a análise inicial já mostrava que seria improvável que a piperacilina-tazobactam demostrasse a não inferioridade ao meropenem. Por fim, o uso de terapia empírica com piperacilina-tazobactam neste contexto foi contra-indicado.

Quais as nossas “take home lessons” com esses estudos?

  •  Paciente com hemocultura positiva por bactéria produtora de ESBL sensível a tazocin e meropenem:
    > O quadro é grave? Não tenha dúvidas! Prescreva meropenem.
    > O quadro é estável, sem sinais de gravidade? Os estudos ainda são conflitantes. Mantenha a opção pelo meropenem.

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Autor:

Dayanna de Oliveira Quintanilha

Médica no Hospital Naval Marcílio Dias ⦁ Residência em Clínica Médica na UFF ⦁ Graduação em Medicina pela UFF ⦁ Contato: dayquintan@hotmail.com

Referências:

  • Harris PNA, Tambyah PA, Lye DC, et al. Effect of Piperacillin-Tazobactam vs Meropenem on 30-Day Mortality for Patients With E coli or Klebsiella pneumoniae Bloodstream Infection and Ceftriaxone ResistanceA Randomized Clinical TrialJAMA. 2018;320(10):984–994. doi:10.1001/jama.2018.12163.
  • Maged Muhammed, Myrto Eleni Flokas, Marios Detsis, Michail Alevizakos, and Eleftherios Mylonakis. Comparison Between Carbapenems and β-Lactam/βLactamase Inhibitors in the Treatment for Bloodstream Infections Caused by Extended-Spectrum β-LactamaseProducing Enterobacteriaceae: A Systematic Review and Meta-Analysis DOI: 10.1093/ofid/ofx099

 

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