Bebês operados de catarata congênita unilateral podem desenvolver glaucoma?

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O glaucoma é conhecidamente uma das complicações possíveis após a retirada de uma catarata congênita em crianças. O estudo do tratamento da afacia infantil (IATS), um estudo multicêntrico, randomizado e controlado, comparou os desfechos das cirurgias de catarata unilateral, com ou sem implante de lente intraocular (LIO), em crianças entre um e seis meses. O efeito do implante primário de LIO em bebês muito pequenos pode ser difícil de avaliar. Os resultados de cinco anos de IATS encontraram taxas similares de eventos adversos, relacionados a glaucoma com ou sem LIO. Não foram feitas novas avaliações após os cinco anos.

Estudo realizado após dez anos de cirurgia de catarata congênita

Em crianças, a espessura da camada de fibras nervosas acessada pelo OCT se mostrou efetiva em diferenciar olhos normais e glaucomatosos. Em estudo publicado na JAMA Ophthalmology, em dezembro de 2020, foram avaliados os eventos adversos relacionados a glaucoma após dez anos de cirurgia nos participantes do IATS, considerando o grupo original de tratamento (LIO primária x lentes de contato) e previamente identificados os fatores de risco e a avaliação da camada de fibras nervosas por OCT).

O IATS randomizou 114 crianças (57 para cada grupo: LC X LIO). 110 completaram os exames feitos com idade média de 10.5 anos. 25% desenvolveram glaucoma e 20% tinham glaucoma suspeito. No grupo com lentes de contato (que não implantou LIO), 25% tiveram glaucoma e 25% com glaucoma suspeito. O grupo com implante de LIO teve 22% com glaucoma e 15% com glaucoma suspeito. Dos cinco novos casos de glaucoma (que não tinham aos cinco anos e tinham aos dez), 4 eram previamente suspeitos de glaucoma e 1 era normal. No follow up dos 10 anos, surgiram 9 novos casos suspeitos de glaucoma.

O risco de glaucoma, após a remoção da catarata, aumentou de 9% após um ano, para 17% após cinco anos e para 22% após dez anos. O risco de glaucoma + glaucoma suspeito aumentou de 12% para 31% e para 40% em 10 anos. O risco não foi diferente entre os grupos do implante de LIO primário e os que não implantaram e fizeram uso das lentes de contato.  O risco de glaucoma foi maior, quanto menor foi a idade na cirurgia, e o risco de glaucoma + glaucoma suspeito foi maior em diâmetros corneanos menores. É interessante notar que, aos dez anos de idade, 11 de 25 olhos com glaucoma já tinham se submetidos a cirurgia de glaucoma. A trabeculectomia foi a cirurgia mais comum, seguida do implante de drenagem.

Conclusão

Crianças submetidas a cirurgia de catarata congênita unilateral tem um risco que aumenta com o tempo de desenvolver glaucoma e, por isso, devem ser acompanhadas sempre com o objetivo de preservar a camada de fibras nervosas e a máxima função visual.

Referência bibliográfica:

  • JAMA Ophthalmology Glaucoma-Related Adverse Events at 10 Years in the Infant Aphakia Treatment Study – A Secondary Analysis of a Randomized Clinical Trial
  • Sharon F. Freedman, MD; Allen D. Beck, MD; Azhar Nizam, MS; Deborah K. Vanderveen, MD; David A. Plager, MD; David G. Morrison; Carolyn D. Drews-Botsch, PhD; Scott R. Lambert, MD; for the Infant Aphakia Treatment Study Group
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