Cardiologia

Bloqueio atrioventriucular total em paciente sem veia cava superior, e agora?

Tempo de leitura: 2 min.

A ausência de veia cava superior é condição congênita rara, porém costuma estar associada a outras cardiopatias. Médicos japoneses se depararam com um caso inusitado. Um paciente de 68 anos deu entrada no hospital após 1 mês de queixa de dispneia aos esforços, na admissão foi visto quadro de bloqueio atrioventricular total. Durante a tentativa de implante de marca-passo definitivo não foi possível ancorar o marca-passo no músculo cardíaco via acesso alto. Foi então passado um marca-passo provisório via veia femoral e o paciente foi levado para estudo de imagem subsequente.

Leia também: Dormir pouco ou muito pode prejudicar a saúde do coração

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Ausência de veia cava superior

Durante o implante do marca-passo houve dificuldade na passagem dos eletrodos até o ventrículo direito. Sendo assim o paciente foi encaminhado a uma tomografia computadorizada com contraste. O exame mostrou a ausência da veia cava superior sendo a drenagem do sangue realizada por uma veia azigos dilatada. Então, foi descartada a possibilidade de implante de marca-passo definitivo por aquela via.

Marca-passo sem eletrodos

Os médicos se viram em uma situação complicada, pois os eletrodos de um marca-passo convencional não seriam grandes os suficiente para a implantação em outro sítio como a veia femoral por exemplo. A solução foi o implante de marca-passo sem eletrodos.

O implante de marca-passo sem eletrodos não seria ideal para esse o tratamento do bloqueio atrioventricular total, pois essa patologia demanda um marca-passo que faça uma sincronia entre átrio e ventrículo. Como o marca-passo sem eletrodos só estimula o ventrículo isso não seria possível. Portanto um marca-passo que faria uma função DDD, passa a desempenhar uma função VVI. Além disso o risco de dissincronia AV e de Síndrome do marca-passo pode ocorre nessa situação. 

Saiba mais: Marca-passo pode ser usado como tratamento da síncope cardioinibitória grave?

A escolha do implante do marca-passo sem eletrodo ocorreu pelo fato de que um procedimento para implante dos dispositivo convencional seria muito invasivo e por demais traumático,  trazendo grandes riscos para esse paciente. 

Após 6 meses do implante o paciente apresentava-se assintomático,  com boa resposta ao tratamento, além de uma boa função ventricular.

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Referências bibliográficas:

  • Kawaguchi, Taiyo, Yatsu, Shoichiro, Shiozawa, Tomoyuki, Suwa, Satoru. Successful implantation of a leadless pacemaker in a patient with complete atrioventricular block and congenital absence of superior vena cava: a case report. European Heart Journal – Case Reports, Volume 5, Issue 5, May 2021, ytab167. doi: org/10.1093/ehjcr/ytab167 
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Publicado por
Gabriel Quintino Lopes

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