Coronavírus

Brasil começa a testar soro anti-Covid equino em pacientes transplantados

Tempo de leitura: 4 min.

O primeiro paciente a receber o soro anti-Covid equino no Brasil foi um homem transplantado de 65 anos. Segundo médicos do Hospital do Rim, em São Paulo, ele não teve nenhum efeito colateral e está apresentando resposta adequada. Os médicos continuam selecionando mais voluntários.

Por conta da idade e de uma doença prévia de média gravidade, o voluntário será acompanhado num leito semi-intensivo, onde ficará por 28 dias em observação. 

Produzido pelo Instituto Butantan, o soro não substitui a vacina, mas é uma possibilidade de tratamento para pacientes diagnosticados com a enfermidade. 

Os testes também serão feitos em 30 pacientes com câncer do Hospital das Clínicas. Na segunda fase, participarão 558 pessoas, entre transplantados de órgãos sólidos e pacientes oncológicos, todos fazendo terapia imunossupressora.

Plasma dos cavalos 

O soro promete amenizar os sintomas nos indivíduos já infectados. O Butantan informou que possui três mil frascos prontos para os testes. O objetivo é descobrir qual a dose necessária para obter os efeitos desejados. 

Para obter o soro, o novo coronavírus foi isolado de um paciente brasileiro e, na sequência, cultivado, inativado, submetido a diversos testes em camundongos e, por último, aplicado em cavalos. Os animais, após receberem o vírus inativado, produziram anticorpos. O plasma resultante foi coletado e processado nas instalações do Butantan.

Os técnicos do Instituto retiram o plasma do cavalo e levam para a sede, onde os anticorpos foram separados do plasma e se transformam em um soro anti-Covid. 

Além de ajudarem a produzir o soro, os cavalos participaram dos testes. O vírus inativo não provoca danos aos animais nem se multiplica no organismo, mas estimula a produção de anticorpos.

Como funciona o soro anti-Covid

O soro é intravenoso, sendo parecido com os utilizados contra a raiva, que também é um vírus. Quando aplicado em pessoas que possivelmente tiveram contato com o novo coronavírus, impede que o agente viral se manifeste no corpo do infectado. 

No início de março, o presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas, disse que os testes realizados em animais apontaram que o soro é seguro e efetivo. 

“Os animais que foram tratados tiveram seu pulmão protegido, ou seja, não desenvolveram a forma fatal da infecção pelo novo coronavírus, mostrando que os resultados de estudos em animais são extremamente promissores e esperamos que a mesma efetividade seja demonstrada agora nesses estudos clínicos que poderão ser autorizados”.

Leia também: Ômicron: a nova variante de preocupação do SARS-CoV-2

Na Argentina 

A Argentina aprovou o uso de um novo soro anti-Covid no início de novembro. O país já tem mais de 1.500 pacientes tratados com método semelhante ao Brasil, registrando bons resultados até o momento. 

Chamado por lá de “CoviFab”, o líquido produzido por um grupo de cientistas argentinos do laboratório da Universidade Nacional de San Martín (Unsam), demonstrou reduzir em até 45% a mortalidade de pacientes com o novo coronavírus, em 24% necessidade de recurso à terapia intensiva e 36% necessidade de assistência respiratória mecânica em doentes com curso moderado a grave da enfermidade. 

Países como Costa Rica e México também trabalham com soro equino para combater as complicações da Covid-19, mas nenhum em estágios tão avançados quanto na Argentina.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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Publicado por
Úrsula Neves

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