Oncologia

Brasil deve registrar 185,6 mil novos casos de câncer de pele em 2022, segundo estimativas do INCA

Tempo de leitura: 3 min.

O Brasil deve registrar 185,6 mil novos casos de câncer de pele até o final deste ano, segundo projeções do Instituto Nacional de Câncer (INCA). E esse número pode crescer ainda mais, caso a população não se previna da maneira correta.

Câncer de pele não melanoma

Cerca de 177 mil brasileiros devem contrair câncer de pele não melanoma neste ano, o tipo mais comum e menos agressivo (83,770 mil em homens + 93,160 em mulheres).

O câncer de pele não melanoma em homens é mais incidente nas regiões Sul, Centro-Oeste e Sudeste, com um risco estimado de 123,67/100 mil, 89,68/100 mil e 85,55/100 mil, 50 respectivamente. Nas regiões Nordeste e Norte, ocupa a segunda posição, com um risco estimado de 65,59/100 mil e 21,28/100 mil, respectivamente.

No que diz respeito às mulheres, o câncer de pele não melanoma é mais incidente nas cinco regiões do país, com um risco estimado de 125,13/100 mil (Centro-Oeste), 100,85/100 mil (Sudeste), 98,49/100 mil (Sul), 63,02/100 mil (Nordeste) e 39,24/100 mil (Norte).

Câncer de pele melanoma

Já o câncer de pele melanoma deve se manifestar em 8,5 mil brasileiros em 2022. O INCA aponta que quase 2 mil pessoas devem vir a óbito em decorrência deste tipo mais agressivo de câncer.

Esses valores correspondem a um risco estimado de 4,03 casos novos a cada 100 mil homens e 3,94 para cada 100 mil mulheres. Na região Sul, o câncer de pele melanoma é mais incidente quando comparado com as demais regiões, para ambos os sexos.

Causas do aumento de casos

Apesar das campanhas educativas de proteção solar e da lei que proíbe o bronzeamento artificial, o aumento dos casos de câncer de pele tem surpreendido os especialistas.

Na visão do médico dermatologista Dolival Lobão Veras Filho, chefe da seção de Dermatologia do INCA, o não seguimento das orientações das campanhas é uma das principais causas do aumento do número estimado de casos de câncer de pele no Brasil.

“A maioria dos casos de câncer de pele é causada pelas radiações ultravioletas emitidas pelo sol e câmaras de bronzeamento artificial. Há relatos de câncer de pele causado pela exposição ao arsênico, bismuto e outras substâncias’, ressaltou o especialista em entrevista ao Portal PEBMED.

Leia também: Inteligência artificial identifica câncer de pele com precisão de 86%

Diagnóstico e tratamento

O dermatologista Dolival Filho lembrou que o diagnóstico de câncer de pele deve ser realizado por médicos que tenham conhecimento clínico do tema e, eventualmente, façam uso de ferramentas importantes em casos mais complexos, como a dermatoscopia e o estudo histológico, que é feito após a realização de biópsia.

Já o tratamento depende do estágio em que a doença se encontra, mas na maioria das vezes a cirurgia é o mais indicado. Atualmente, a sobrevida de pacientes com câncer de pele aumentou devido a novos tratamentos com imunoterapia.

Além disso, é possível associar outras terapias ao tratamento, que deve ser individualizado, a critério médico e oferecido pensando nos melhores resultados para o paciente.

“O tratamento padrão-ouro do câncer de pele é cirúrgico. Atualmente, existem técnicas alternativas que podem ser indicadas para determinados casos, como a terapia fotodinâmica, crioterapia, quimioterapia tópica e, para os casos mais avançados, a imunoterapia e terapia-alvo. Em todos os casos é importante o acompanhamento clínico com visitas programadas ao médico assistente”, pontuou o chefe da seção de Dermatologia do INCA.

Desafios no diagnóstico precoce

Diagnosticar precocemente o câncer de pele pode parecer difícil para muitas pessoas, seja pela quantidade de pintas espalhadas pelo corpo ou pelas diversas características que elas podem apresentar.

Para os pacientes homens, o desafio é ainda maior, uma vez que o local mais comum onde surge o melanoma é nas costas, enquanto nas mulheres é nas pernas. Por isso, incentivar o diagnóstico precoce nos pacientes é muito importante para as chances de sucesso do tratamento.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED


Referências bibliográficas:

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Publicado por
Úrsula Neves

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