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Burnout: 9 medidas para combater a síndrome

Já falamos aqui no Portal que o burnout, também conhecido como síndrome do esgotamento profissional, afeta milhões de trabalhadores ao redor do mundo. Uma pesquisa do Archives of Internal Medicine, publicada em 2012, mostrou que os médicos sofrem mais com o problema do que qualquer outro trabalhador.

A síndrome pode comprometer o médico em três âmbitos: individual (físico, mental e social), organizacional (conflito com colegas e piora da qualidade/produtividade) e profissional (negligência, lentidão e impessoalidade com colegas e terceiros).

Como o burnout tem crescido nos últimos anos, é importante ter atenção redobrada para os sintomas e, principalmente, saber qual caminho seguir para não ser acometido por essa síndrome. A Mayo Clinic listou nove estratégias organizacionais para promover o engajamento médico, testadas na própria instituição. Veja abaixo:

1. Reconheça e avalie o problema

Reconhecer o problema do burnout e demonstrar que a organização se preocupa com o bem-estar de seus médicos é o primeiro passo para fazer progressos. Mantenha um canal aberto e sincero diretamente com o CEO sobre o desafio de ser um médico no mundo de hoje.

Uma vez que o problema é reconhecido, é necessário medir o bem-estar do médico como uma métrica de desempenho institucional de rotina. Fadiga, comprometimento, satisfação, saúde/estresse emocional são alguns indicadores importantes.

2. Aproveite o poder da liderança

A importância da liderança para o sucesso organizacional é bem clara, mas seu efeito direto sobre a satisfação profissional do médico ainda é subestimado. Evidências sugerem que os comportamentos adotados pelo médico supervisor desempenham um papel crítico no bem-estar da equipe.

Para isso, o líder certo deve ser selecionado. Esse indivíduo deve ser desenvolvido, preparado e equipado para seu papel de liderança, e seu desempenho regularmente avaliado pelos indivíduos diretamente afetados. Para ser eficaz, o líder também deve reconhecer os talentos únicos dos médicos de sua equipe e saber o que os motiva.

Veja também: ‘Terapia intensiva – fim da linha para o burnout’

3. Desenvolva e implemente intervenções personalizadas

A maneira específica como cada desencadeador e sintoma se manifestam varia de acordo com a especialidade e a unidade de trabalho. A utilização da estrutura organizacional existente em combinação com as duas estratégias já citadas (avaliação e liderança) podem superar este dilema.

A informação sobre a prevalência de burnout, engajamento e satisfação permite que os líderes identifiquem pontos específicos de alta oportunidade para combater.

4. Cultive a comunidade no trabalho

Médicos lidam com desafios diariamente (erros médicos, falta de recursos para tratamento, etc). O apoio do staff é fundamental para ajudar os médicos a navegar nesses desafios profissionais. Este apoio engloba diversas atividades, incluindo a celebração de realizações (marcos pessoais e profissionais, etc), suporte emocional através de experiências desafiadoras (por exemplo, perda de um paciente, erros médicos, etc) e compartilhando ideias sobre os altos e baixos de uma carreira na medicina.

5. Use recompensas e incentivos com sabedoria

Evidências sugerem que a compensação baseada na produtividade aumenta o risco de burnout do médico. Para diminuir os potenciais efeitos negativos dessa remuneração, alguns centros médicos americanos têm incorporado outros indicadores, como satisfação do paciente, medidas de qualidade, autocuidado e bem-estar.

Outro ponto que pode ser explorado é o tipo de “recompensa” oferecida. Maior flexibilidade (que pode facilitar a integração trabalho – vida pessoal) ou tempo extra para buscar outros aspectos pessoalmente significativos (pesquisa, educação, etc) podem permitir que os médicos mais produtivos encontrem maior satisfação pessoal e profissional. Em contraste, usar um incentivo financeiro simples pode ser menos eficaz e encorajar o excesso de trabalho.

6. Alinhe valores e fortaleça a cultura

A cultura, os valores e os princípios de uma organização em grande parte determinam se ela atingirá sua missão. É fundamental prestar atenção aos fatores que influenciam a cultura, avaliar maneiras de manter os valores sempre em mente e, periodicamente, fazer um balanço geral.

7. Promova a flexibilidade e a integração entre vida pessoal e trabalho

A alta carga horária de trabalho dificulta a conciliação entre a vida pessoal e profissional do médico. Fornecer a opção de ajustar o esforço de trabalho (com uma redução proporcional na compensação), na medida do possível, permite que os médicos adaptem suas horas de trabalho para atender as obrigações pessoais e profissionais. Evidências sugerem que a redução de horas de trabalho profissional pode ajudar os médicos a se recuperar do esgotamento.

Além disso, as organizações devem procurar proporcionar aos médicos maior flexibilidade em quando e como eles trabalham. Permitir que os profissionais comecem o dia mais cedo/mais tarde ou trabalhem mais horas em determinados dias da semana pode permitir que os médicos cumpram responsabilidades pessoais sem reduzir o esforço total de trabalho.

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8. Forneça recursos para promover resiliência e autocuidado

Fornecer ferramentas para auto-calibração, recursos para promover o autocuidado e treinamento em habilidades que promovam a resiliência são três maneiras tangíveis pelas quais as organizações podem ajudar os médicos a cuidarem de si mesmos.

Evidências sugerem que médicos que cuidam melhor da própria saúde são mais eficazes no aconselhamento e tratamento de seus pacientes, o que indica que incentivar esses comportamentos pode ter um duplo benefício.

9. Facilite e financie pesquisas

Financie estudos que promovam novos conhecimentos e evidências sobre redução do burnout e engajamento médico através da ciência organizacional. Dado o profundo efeito do bem-estar dos médicos sobre a qualidade dos cuidados, a satisfação do paciente e o acesso aos cuidados, esse conhecimento será fundamental para a saúde a longo prazo e a viabilidade da saúde do país.

Veja aqui o artigo completo da Mayo Clinic.

Referências:

  • Executive Leadership and Physician Well-being. Shanafelt, Tait D. et al. Mayo Clinic Proceedings , Volume 92 , Issue 1 , 129 – 146

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