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Burnout: a vida por um fio

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Tempo de leitura: 3 minutos.

A medicina não é praticada por super-humanos, somos reflexo da sociedade em que vivemos. Apesar de sermos considerados cientistas sofremos com mesmos tabus comuns ao cotidiano.

O suicídio é a terceira causa de morte no país na faixa dos 15 aos 35 anos, segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria. O suicídio entre médicos é um assunto tão delicado e cercado de preconceitos que a própria classe tem dificuldade de compreender e o número de casos aumenta por estarmos inseridos em um contexto no qual somos cada vez mais cobrados com responsabilidades e desempenhos máximos que não nos permite errar, somando a isso um ambiente de grande competitividade.

Desde a faculdade o aluno é submetido a muita pressão sob uma rotina desgastante de estudos e dedicação. Muitas vezes logo nesse período surgem as primeiras frustrações com o tão desejado sonho de ser médico. Ao chegarmos no internato as horas dentro do hospital aumentam, o que gera estresse nos alunos. Como se por si só isso já não fosse um problema, começamos a vislumbrar os desafios de encarar as provas de residência, isso permite que além do acúmulo de horas de estudo também surja quadros de ansiedade. A situação pode desencadear depressão, transtornos psicológicos e culminar com problemas piores se não tratados.

Segundo pesquisas médicas, os principais fatores estressores na faculdade de medicina são o ingresso no ciclo clínico e as fases da prática profissional – internato e residência. Situações como lidar com pessoas doentes, morte, excesso de aulas e tarefas e até conflitos com supervisores e staffs são apontados como os principais motivos do aumento do estresse.

Leia maisGestão de tempo e burnout: como isso afeta o cotidiano médico?

Em um estudo com 193 estudantes de medicina, pesquisadores da Universidade Federal Fluminense identificaram 20% com episódios graves de estresse, 28% com depressão moderada a grave, 64% com exaustão emocional e 40% com distúrbios do sono. Outro dado bem legal do mesmo grupo de pesquisa mostrou que estudantes que ingressaram na carreira médica motivados por doenças na família apresentaram maior taxa de estresse emocional e burnout.

Entre os médicos formados o problema não é diferente. A taxa de suicídio entre médicos é 70% superior à média da população segundo o CREMESP. Como publicado anteriormente em nosso portal, dados mostraram que 44% dos médicos entrevistados reportaram sofrer de burnout, 11% se definiram como deprimidos”e 4% receberam o diagnóstico de depressão. Na atenção primária, esses índices podem ser ainda maiores. O problema é tão sério, que burnout entrou na lista de doenças oficiais da OMS.

No Brasil, se destaca a especialidade de anestesiologia, que concentra o maior número de casos de suicídio. A rotina de um médico anestesiologista é, de forma sintética, intensa. São horas e mais horas de plantões ininterruptos e estresse sem precedentes. A cobrança pela perfeição é plena, algo que seria digno de séries de ficção médica.
Os constantes avanços tecnológicos na área da saúde não foram acompanhados pelo avanço no bem-estar e qualidade de vida do profissional médico.

Triste é saber que uma das mais belas especialidades médicas também é a campeã em casos de suicídios segundo a Association of American Medical Colleges. A taxa de suicídio para anestesiologistas chega a ser 2,3 vezes maior que a de todos os cirurgiões e 5,5 vezes maior que os especialistas de clínica médica. O acesso facilitado aos meios letais (drogas) é um importante fator que contribui para manter os altos índices.

A campanha Setembro Amarelo busca tratar sobre o assunto, quebrando o tabu e prevenindo os casos. A informação continua sendo a melhor maneira de estancar os suicídios e melhorar a saúde mental dos médicos.

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One comment

  1. Avatar
    Henrique Mendonça

    Parabéns pelo conteúdo Bernardo.

    É super importante abordarmos sobre estes assuntos mesmo, ainda mais que, em muitos casos, são mal silenciosos e é difícil iniciarmos um debate sobre o assunto.

    Estou achando que neste ano a campanha do Setembro Amarelo será bem impactante. Já observo um movimento com bastante antecedência e se cada um fizer sua parte, com certeza iremos fazer a diferença!

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