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Calázio: você sabe o que causa e como tratar?

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O calázio é uma lesão inflamatória crônica, granulomatosa, estéril, causada pela retenção das secreções sebáceas das glândulas meibomianas ou de outras glândulas sebáceas do estroma subjacente. Os distúrbios que causam espessamento anormal das secreções dessas glândulas, como a disfunção da glândula meibomiana e a acne rosácea, aumentam o risco de obstrução e formação de calázios múltiplos e/ou recorrentes.

Pode ocorrer em qualquer idade. Em geral, apresenta-se como um nódulo bem definido, indolor, visível ou palpável na pálpebra com crescimento gradual. Entretanto, em alguns casos, pode causar edema, eritema e dor palpebral. Ocasionalmente, um calázio maior na pálpebra superior pode pressionar a córnea, induzir astigmatismo e causar visão borrada. Um calázio infectado secundariamente é conhecido como hordéolo interno.

Diagnóstico do calázio

O diagnóstico do calázio e do hordéolo é clínico; no entanto, durante os primeiros dois dias, eles podem ser clinicamente indistinguíveis. Como os hordéolos internos são muito raros, normalmente não são suspeitados, a menos que a inflamação seja grave e febre ou calafrios estejam presentes.

Calázio crônico que não responde ao tratamento necessita de biópsia para excluir tumor da pálpebra, como o carcinoma sebáceo, por exemplo. Esta condição deve ser suspeitada em pacientes idosos com calázios recorrentes, espessamento palpebral ou blefarite unilateral crônica. Outros diagnósticos diferenciais incluem a celulite pré-septal e o granuloma piogênico.

Quando é preciso tratar o calázio?

O tratamento pode não ser necessário, pois pelo menos um terço dos calázios se resolve de maneira espontânea. Compressas quentes durante cinco a dez minutos, duas ou três vezes ao dia, com massagem suave sobre a lesão, podem ser utilizadas para acelerar a resolução. Em lesões persistentes, sem melhora clínica, o paciente pode optar pela remoção cirúrgica, no qual a pálpebra é evertida, o cisto é incisado verticalmente e seu conteúdo é curetado.

Quando a lesão se situa próxima ao ponto lacrimal, devido ao risco de lesão cirúrgica do mesmo, é preferível realizar a injeção de esteroides no local. A taxa de sucesso é de cerca de 80%. Em casos não responsivos, uma segunda injeção pode ser aplicada após duas semanas. Tetraciclina sistêmica pode ser necessária como profilaxia em pacientes com calázios recorrentes, particularmente se associados à acne rosácea.

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Autor:

Pedro Netto

Graduado em Medicina pela Universidade Federal Fluminense (UFF) ⦁ Pós-graduado em Medicina do Trabalho pela Universidade Federal Fluminense (UFF) ⦁ Pós-graduado em Medicina da Família pela Universidade Aberta do SUS (UNASUS)/ UERJ ⦁ Residente em oftalmologia no Hospital Federal dos Servidores do Estado-Rio de Janeiro (HFSE).

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