Clínica Médica

Caminhar 7.000 passos por dia diminui a mortalidade

Tempo de leitura: 3 min.

No primeiro dia deste mês de setembro, o JAMA divulgou um interessante estudo observacional que quantificou que indivíduos de meia-idade que caminham pelo menos 7.000 passos por dia têm um risco reduzido de mortalidade em até 70%.

Os resultados foram consistentes, avaliando em torno de 2.000 pessoas, independentemente da raça ou sexo, e a intensidade do passo. O estudo foi realizado de forma prospectiva em adultos negros e brancos de meia-idade, acompanhando a taxa de mortalidade por aproximadamente 11 anos. Os objetivos foram examinar as associações do volume e intensidade do passo com a mortalidade geral e por raça e sexo.

Leia também: Qual o efeito da alimentação antes do exercício físico em sedentários?

Passos por dia são fáceis executar e contar

Quantificar passos é algo simples nos dias de hoje, ainda mais com os novos eletrônicos smart: relógios e celulares. 

Além disso, pensando em saúde pública e ao acesso a atividade física, caminhar é uma atividade que a maioria da população em geral pode praticar, sem custo, e alcançável na vida atarefada moderna.

O trabalho fez parte de uma pesquisa maior, o Estudo de Desenvolvimento de Risco de Artéria Coronariana em Adultos Jovens (CARDIA). O conjunto de dados incluiu 2.110 participantes com idades entre 38-50 anos, com média de idade de 45,2 anos. Uma proporção ligeiramente maior de sujeitos eram mulheres (57,1%) e brancos (57,9%).

Todos os participantes usaram um aparelho acelerômetro ActiGraph 7.164 por 1 semana e foram acompanhados para morte por qualquer causa, com um seguimento médio de 10,8 anos. Os modelos de riscos proporcionais de Cox com ajuste multivariável incluíram:

  • histórico de tabagismo;
  • peso corporal;
  • ingestão de álcool;
  • pressão arterial;
  • colesterol total;
  • entre outros. 

As contagens de passos foram agrupadas nas categorias baixa (menos de 7.000 passos por dia), moderada (7.000-9.999) e alta (pelo menos 10.000 passos por dia).

Em comparação com indivíduos que deram menos de 7.000 passos por dia, aqueles que deram 7.000-9.000 passos por dia tiveram um risco de mortalidade reduzido em 72% (razão de risco, 0,28; intervalo de confiança de 95%, 0,15-0,54). Ir além de 10.000 passos pareceu não adicionar nenhum benefício, com base em um risco 55% menor de mortalidade por todas as causas no grupo altamente ativo, em comparação com aqueles que deram menos de 7.000 passos por dia (HR, 0,45; IC de 95%, 0,25-0,81).

Os mais velozes não obtiveram mais benefícios

Caminhar mais rápido também não pareceu ajudar, pois a intensidade do passo não foi associada ao risco de mortalidade, porém, os autores sugerem que mais pesquisas são necessárias para esmiuçar essa correlação.

Pequenos incrementos já pontuam positivamente

Os resultados do estudo demonstraram que aqueles que são menos ativos têm muito a ganhar, pois mesmo pequenos aumentos incrementais em passos por dia estão associados a um menor risco de mortalidade durante a meia-idade. Um plano de caminhada que gradualmente chega a 7.000-10.000 passos por dia em adultos de meia-idade pode ter benefícios para a saúde e reduzir o risco de mortalidade prematura.

Saiba mais: Eficácia do treino de força em pacientes idosos: quais as novas evidências?

Dados não são generalizáveis

Um ponto importante que deve ser levado em consideração é que este estudo analisou apenas a mortalidade prematura por todas as causas e, portanto, os resultados não são aplicáveis para o risco específico de doenças cardiovasculares, diabetes, câncer ou desfechos de saúde mental. 

Sem causa definida

De acordo com os pesquisadores, o tamanho do estudo, a diversidade da população e a duração do acompanhamento dão muita credibilidade ao estudo, embora uma relação causal permaneça indefinida.

Autor(a):

Referências bibliográficas:

  • Paluch AE, Gabriel KP, Fulton JE, Lewis CE, Schreiner PJ, Sternfeld B, Sidney S, Siddique J, Whitaker KM, Carnethon MR. Steps per Day and All-Cause Mortality in Middle-aged Adults in the Coronary Artery Risk Development in Young Adults Study. JAMA Netw Open. 2021 Sep 1;4(9):e2124516. doi: 10.1001/jamanetworkopen.2021.24516
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Publicado por
Juliana Olivieri

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