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Câncer associado ao HIV: HPV e prevenção (parte 3)

Tempo de leitura: 3 minutos.

Câncer cervical e anal são os mais comuns relacionados ao HPV em pessoas com HIV. Estima-se que 30% dos carcinomas de cabeça e pescoço e de orofaringe são associados ao HPV. Isso se deve ao fato de o vírus ser extremamente prevalente na população e pacientes com HIV são um grupo que tem maior risco de infecção crônica com evolução maligna. Dessa forma, torna-se importante o rastreio, diagnóstico e manejo de lesões pré-malignas.

Segundo o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas de Atenção Integral à Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis (PCDT-IST) do Ministério da Saúde (MS), todas as mulheres com idade entre 25 e 64 anos, que já tiveram atividade sexual, devem realizar colpocitologia oncótica. Os dois primeiros exames devem ser feitos anualmente e, caso os resultados sejam normais, o exame passará a ser realizado a cada três anos, exceto nas mulheres com HIV/AIDS, as quais devem manter o rastreio anualmente. Câncer anal é mais prevalente em homens que fazem sexo com homens e seu rastreio é feito com citopatologia oncótica e colposcopia anal.

PREVENÇÃO DE CÂNCERES ASSOCIADOS AO HIV

A maioria dos tumores associados ao HIV são causados por agentes oncogênicos ou outros agentes exógenos passíveis de prevenção. O diagnóstico e início de TARV precocemente são de extrema importância. Em relação aos cânceres associado ao HPV, o uso de preservativo é uma forma de prevenção que deve ser sempre adotada, porém não previne contra infecção em regiões vulvares, pubiana, perineal, perianal e em escroto. A vacinação então se torna uma ferramenta crucial na prevenção contra esse patógeno.

Desde 2014, o MS disponibiliza a vacina quadrivalente, imunizando contra os sorotipos 6 e 11, associados a verrugas genitais, e os tipos 16 e 18 associados às lesões pré-cancerosas do colo uterino, vulva e vagina em mulheres, e anal em ambos os sexos. O esquema, desde 2015, é feito em duas doses em adolescentes, não portadores do HIV, com intervalo de 6 meses, com idade entres 9 e 13 anos. Nas pessoas que vivem com HIV/AIDS, o esquema é feito em três doses (0, 2 e 6 meses) e compreendem mulheres com idade entre 9 e 26 anos. A vacinação contra o vírus da hepatite B e programas sociais para redução de compartilhamento de seringas são estratégias importantes na redução de carcinoma hepatocelular.

Calendário vacinal para crianças e adolescentes com HIV/AIDS

O incentivo à cessação do tabagismo é de particular importância, visto que esse é um hábito substancialmente mais prevalente na população com HIV e o câncer de pulmão é uma das neoplasias mais comuns e com alta mortalidade. Parar de fumar também auxilia na redução de risco para outras neoplasias. Finalmente, pessoas que vivem com HIV devem receber as devidas orientações de rastreio para outras neoplasias incidentais, como de cólon ou de mama.

O que aprendemos com esse especial?

  • São considerados neoplasias definidoras da AIDS o sarcoma de Kaposi, o linfoma agressivo de células B e o carcinoma invasivo de colo uterino.
  • As pessoas quem vivem com HIV apresentam risco substancialmente maior para o desenvolvimento de qualquer neoplasia, devido a características imunológicas e comportamentais.
  • É de extrema importância a conscientização médica e para os pacientes sobre métodos de prevenção, como uso de preservativos, mudança de hábitos comportamentais nocivos e vacinação.
  • O diagnóstico do HIV e o início precoce da TARV são ferramentas cruciais na prevenção e manejo de neoplasias.
  • Existem tratamentos e algumas neoplasias apresentam taxa de cura ou remissão excelente, semelhante à população em geral.

Leia também as partes 1 e 2:

Autor:

Mateus Benatti Gondolfo

Graduação em Medicina pela Fundação Universidade Regional de Blumenau (FURB) ⦁ Médico Residente em Infectologia no Hospital Nossa Senhora da Conceição em Porto Alegre RS

Referências:

 

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