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Clínica Médica13 dezembro 2015

Câncer causa disfunção cardíaca independente do tratamento quimioterápico

Estudos recentes tem demonstrado uma relação direta entre câncer e disfunção cardíaca, de uma maneira nunca antes relatada. Se a cardiomiopatia secundária ao uso de quimioterápicos, especialmente os antraciclínicos, é muito bem fundamentada e divulgada, no entanto, muito pouco se fala do efeito direto que tumores malignos podem exercer na deterioração da função cardíaca. Duas …

Por Eduardo Moura

Estudos recentes tem demonstrado uma relação direta entre câncer e disfunção cardíaca, de uma maneira nunca antes relatada. Se a cardiomiopatia secundária ao uso de quimioterápicos, especialmente os antraciclínicos, é muito bem fundamentada e divulgada, no entanto, muito pouco se fala do efeito direto que tumores malignos podem exercer na deterioração da função cardíaca. Duas publicações recentes conseguiram encontrar uma relação entre disfunção miocárdica e câncer, independente do tratamento quimioterápico.

Em estudo com 99 participantes oncológicos sem disfunção sistólica (fração de ejeção ≥ 55%), divulgado no encontro de Sevilha do grupo de Ecocardiografia da European Society of Cardiology, medidas de Speckle tracking através do ecocardiograma (mais conhecido como “strain”) demonstraram-se reduzidas nesta população em comparação para os valores esperados para mesma idade e sexo em indivíduos não-oncológicos. Estes valores não se diferenciaram entre o grupo de pacientes oncológicos que recebeu quimioterapia e aquele que não recebeu.

A redução no strain (padrão de contratilidade das células miocárdicas) indica uma disfunção subclínica que precede a queda na fração de ejeção, e, diante dos resultados, sugere que a presença do câncer já é suficiente para o dano cardíaco.

Outro estudo que corrobora estes achados demonstrou, em população de 500 pacientes com câncer virgens de tratamento, aumento de troponina T de alta sensibilidade e de outros cinco hormônios cardiovasculares, com relação direta de seus níveis e o crescimento do tumor.

Embora sejam resultados muito iniciais, já se aponta a uma mudança de paradigma, a cardiotoxicidade dos quimioterápicos não pode ser considerada a única responsável pela deterioração clínica da função cardiovascular. Na verdade, postula-se que a cardiotoxicidade pode acelerar um processo de deterioração subclínica já instalado e promovido pelo tumor e seu diversos mediadores neuro-humorais liberados e seu estresse metabólico desencadeado.

O câncer não é uma doença única e novos estudos deverão ser realizados para identificar quais tipos de tumores e quais mediadores determinam este dano cardiovascular. Como a maioria das descobertas da medicina, ganhamos mais perguntas do que respostas.

 

Referências Bibliográficas:

  • Venneri L, Calicchio F, Manivarmane R, et al. Subclinical myocardial dysfunction in cancer patients: Is there a direct effect of tumor growth? EuroEcho-Imaging 2015; December 3, 2015; Seville, Spain. Abstract P747.
  • Pavo N, Raderer M, Hülsmann M, et al. Cardiovascular biomarkers in patients with cancer and their association with all-cause mortality. Heart 2015; DOI:10.1136/heartjnl-2015-307848.

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