Enfermagem

Câncer de pele: quais os riscos da exposição ao sol e como prevenir?

Tempo de leitura: 5 min.

A maior incidência de neoplasia no Brasil e no mundo é o câncer de pele. Várias são as possibilidades da neoplasia, podendo ser melanoma (MC) e não melanoma (CPNM) de maior incidência. O CPNM é um tumor que cresce lentamente, sendo de bom prognóstico. O MC é menos frequente podendo ser grave, mas na fase inicial possui bom prognóstico, caso não tratado pode gerar metástase e levar a morte. Ambos têm cura se descobertos logo no início.

Câncer de pele

Com a maior taxa de incidência o câncer de pele não melanoma, possui grande número de casos de câncer nas regiões Sudeste e Sul do país, seguido pela região Nordeste, Centro-Oeste e Norte. Somando um total de 165.580 casos de câncer o câncer de pele não melanoma é uma grande preocupação para as autoridades e população. Quanto ao melanoma, sua letalidade é elevada, porém sua incidência é baixa.

Abaixo podemos observar os números mais recentes de acordo com INCA(2017):

Localização Primária Norte Nordeste Centro-Oeste Sul Sudeste
Pele não Melanoma 4.670 28.570 13.030 38.320 80.990
Pele Melanoma 170 730 450 2.000 2.910

Estimativa 2018: incidência de câncer no Brasil / Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. | Coordenação de Prevenção e Vigilância. – Rio de Janeiro: INCA, 2017.

Mesmo com os avanços tecnológicos, o câncer no Brasil aumentou suas taxas de incidência e prevalência na população. O câncer de pele hoje é um grande problema de saúde pública por seu aumento ser insidioso e abrupto. Esse cenário exige atenção multidisciplinar sendo a equipe de saúde fundamental no processo de diagnóstico, intervenção e prevenção da doença. Para tal é necessário alguns conhecimentos que traremos aqui.

Para realizar o diagnóstico é importante verificar a lesão de pele. No câncer de pele não melanoma os aparecimentos são principalmente nas áreas do corpo que ficam mais expostas ao sol. Rosto, pescoço, orelhas e outras partes do corpo. A apresentação é característica sendo manchas que gerem prurido e ardência, podem descamar ou sangrar.

Mais do autor: Como realizar administração intramuscular com técnica de aplicação em Z?

Outro acontecimento comum é que as feridas não cicatrizam em quatro semanas, devendo ser o sinal de alerta. Já o melanoma aparece em todas as partes do corpo, pode ainda aparecer na pele e mucosa, na forma de manchas, pintas e sinais. A identificação é facilitada pela regra do ABCDE.

Benigno Maligno
Assimetria Simétrico Assimétrico
Bordas Bordas regulares Bordas irregulares
Cor Uma cor apenas Mais de uma cor
Diâmetro Menor que 6 mm Maior que 6 mm
Evolução Mudança rápida na aparência (tamanho, borda, cor e espessura) Mudança rápida na aparência (tamanho, borda, cor e espessura)

Após a identificação medidas devem ser tomadas. A equipe de saúde ao identificar os sinais da doença deve imediatamente realizar a orientação quanto a marcação das consultas e das orientações a pessoa sobre os riscos da falta de tratamento. Além disso, existe uma orientação a ser dada e para isso cabe fazer a seguintes perguntas: Quais são os principais fatores que aumentam o risco de câncer de pele que devem ser avaliados?

  • Avaliar se a pessoa ficar exposta ao sol (raios ultravioletas – UV), por períodos prolongados e repetidos;
  • Avaliar se a pessoa ficar exposta ao sol principalmente na infância e adolescência;
  • Avaliar se a pessoa possui pele e olhos claros, com cabelos ruivos ou loiros, ou ser albino;
  • Avaliar se a pessoa possui história familiar ou pessoal de câncer de pele.

Como orientar a pessoa a se proteger do câncer de pele?

  • Oriente evitar a exposição prolongada ao sol entre 10h e 16h;
  • Oriente a pessoa a sempre buscar lugares com sombra;
  • Usar proteção específica e adequada com roupas, bonés ou chapéus de abas largas, óculos escuros com proteção UV e instrumentos como sombrinhas e barracas para diminuir a exposição;
  • Utilizar filtro solar mesmo estando em locais cobertos como barracas e sombrinhas, aplicando na pele, antes da exposição filtro solar (protetor) com fator de proteção 15, mínimo recomendado. O filtro de proteção deve ser avaliado para cada tipo de pele;
  • Usar filtro solar próprio para os lábios;
  • Oriente a pessoa a fazer hidratação da pele;
  • Oriente a pessoa a realizar o aumento do consumo de líquidos.

Todos podemos desenvolver o câncer de pele. Mas principalmente pessoas de coloração de pele mais clara. Essas são mais sensíveis ao sol. É importante utilizar proteção em dias nublados. As tatuagens devem ser avaliadas pois podem esconder lesões. O filtro solar deve ser reaplicado pelo menos de 2 em 2 horas, isso também valem para filtros à prova d’ água. A orientação na escola é muito importante pois possui fundamental propagação no processo saúde doença.

A educação em saúde e prevenção do câncer de pele é fundamental para a diminuição dos dados epidemiológicos. O enfermeiro pode realizar diversas atividades para prevenir para que pessoas não desenvolvam o câncer de pele, ou mesmo, registrar e acompanhar as pessoas por registro fotográfico, escaneamento computadorizado e formulários específicos contendo desenhos e diagramas na medida de haver registro dos acompanhamentos das lesões. O registro clínico é muito importante para se observar a evolução ou regressão da doença.

O exame clínico de pele pode ser realizado por um exame visual realizado pelo enfermeiro, buscando identificar possíveis lesões. A regra diagnóstica do ABCDE descrita acima pode ser utilizada para a avaliação. Para a compreensão é importante que o exame seja feito e que uma entrevista que envolva perguntas sobre o trabalho, lazer dentre outras coisas relacionadas a exposição ao sol. Bem como um exame clínico avaliando a coloração de pele e sensibilidade da pele. Para isso deve sempre o profissional buscar treinamento e capacitação adequada, assim como, deve o serviço propor de maneira continuada as demandas do trabalho.

Leia também: Doenças pediátricas do verão: ação do enfermeiro na insolação

Educação em saúde

A educação em saúde é uma ótima estratégia de prevenção de doenças, pois soma o saber científico e popular em uma dialógica proposição de saúde. Constitui a troca de saberes e não permite a descaracterização de práticas mas o desenvolvimento de condutas mas próxima de um saber benéfico à pessoa. É sem dúvida uma das principais atividades no auxilio e detecção precoce do câncer de pele, pois pode multiplicar a informação sobre o risco da exposição e de como também é possível identificar riscos e o diagnóstico precoce do câncer de pele.

O que pode ser feito para prevenir o câncer de pele na comunidade?

  • Crie ações na comunidade, envolva os diversos atores;
  • Realize ações de educação sobre o câncer nas escolas e nos espaços coletivos;
  • Apresente folders ou utilize o folder do Ministério da saúde sobre o câncer de pele, encontrado no site do ministério da saúde, para informar a população;
  • Realize educação sobre a temática nos locais de assistência à saúde;
  • Intensifique as práticas no verão e em regiões onde os dados epidemiológicos são muito elevados;
  • Busque inciativas com empresas e locais onde há aumento da exposição ao sol.

O serviço de saúde pode fazer muito na medida de prevenção ao câncer de pele. Pequenas atividades aparentemente não geram significativo resultado, mas de forma ampla atinge o grande público da comunidade e pode ser multiplicado pelos diversos atores sociais. Lembre-se existem recomendações especiais a crianças que possuem maiores exposições e que são as que desenvolvem na fase adulta.

A exposição ao sol pode ser um risco para gestantes e bebês. Por isso, oriente todas as pessoas conforme sua faixa etária e suas peculiaridades. Lembre-se o câncer de pele pode causar um grande mal, por isso é melhor prevenir esse mal.

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Referências bibliográficas:

  • Estimativa 2018: incidência de câncer no Brasil / Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. Coordenação de Prevenção e Vigilância. – Rio de Janeiro: INCA, 2017.
  • Santos, Renata Oliveira Maciel dos. Atuação do enfermeiro na detecção precoce do câncer de pele. Rev. baiana saúde pública; v. 41, n. 1, p. 196-206 jan./mar. 2017.
  • Moreira APA, Sabóia VM, Ribeiro CRB. Câncer de pele não melanoma e risco ocupacional de trabalhadores ao ar livre: revisão integrativa. Rev enferm UFPE on line., Recife, 9(12):1310-9, dez., 2015
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Publicado por
Rafael Polakiewicz

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