Oncologia

Câncer gástrico: qual a melhor combinação de terapia adjuvante?

Tempo de leitura: 3 min.

O câncer gástrico, apesar de grandes avanços no tratamento nos últimos anos, apresenta taxas de recidiva consideráveis mesmo após uma cirurgia dita com curativa. Devido a esta taxa de cura, longe de níveis ideais, diversos esquemas auxiliares são propostos à cirurgia, numa tentativa de aumentar o tempo livre de doença e a sobrevida global. 

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O debate ainda está longe de um desfecho, pois a cada ano inúmeras publicações acrescentam mais dados e enriquecem a discussão de qual melhor rumo a seguir. Neste sentido, o Trial ARTIST 2 compara dados de 3 esquemas de terapia adjuvante em busca da melhor combinação.

Métodos

Foram selecionados pacientes submetidos a gastrectomia sem neoadjuvância prévia, que apresentaram linfonodos positivos na peça cirúrgica e nenhum outro achado de doença residual. Os pacientes foram então randomizados em 3 grupos: S-1, S-1 + oxaliplatina (SOX) ou SOX + Radioterapia (SOXRT). O principal desfecho a ser analisado foi o espaço de tempo até o diagnóstico de recidiva, outro câncer ou morte por qualquer causa. Enquanto os desfechos secundários estavam relacionados a sobrevida global e qualidade de vida do paciente. 

Resultados

Foram selecionados 546 pacientes de 8 instituições na Coreia do Sul, e cada grupo apresentou número semelhante de indivíduos, assim como perfil epidemiológico semelhante. A quimioterapia planejada foi completada em 71%, 85% e 83% dos grupos S-1, SOX e SOXRT, respectivamente

Ao 3 anos de observação a taxa livre de doença foi 64,8% (S-1), 74,3 (SOX) e 72,8% (SOXRT) e a análise do Risco Relativo comprando SOX com S-1 foi 0,69 (p = 0,042). A análise do risco relativo entre SOX e SOXRT não apresentou diferença estatística. 

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Nos três braços do estudo o tratamento foi bem tolerado com eventos adversos comparáveis entre os grupos assim como também não foi determinada diferença da qualidade de vida por questionários específicos.

Discussão 

Apesar deste estudo não ter sido desenhado para a comparação entre quimioterapia e quimiorradioterapia, os resultados são comparáveis com achados previamente publicados e portanto apresentam maior reprodutividade. A quimioterapia já se mostrou eficaz para a adjuvância em pacientes operados de câncer gástrico com linfonodos positivos, e a adição da radioterapia não trouxe benefícios e assim não deve ser anexada ao esquema.

A adição de oxaliplatina não aumentou a taxa de eventos colaterais associados, e quando presente este foram bem tolerados e manejáveis. Na análise dos subgrupos com diferentes características clínicas foi determinado que aqueles pacientes sem sintomas prévios, tipo intestinal e baixa relação de linfonodos positivos, foram os que melhor se beneficiaram da associação com oxaliplatina. Assim e por mais estranho que pareça, estes achados de melhor prognóstico não devem erroneamente influenciar a decisão clínica.

Isto nos leva a concluir que pacientes submetidos a gastrectomia com intuito curativo e presença de linfonodos positivos na peça devem prosseguir como tratamento adjuvante, incluindo oxaliplatina e S-1 (ou outra fluoropirimidina em conjunto com oxaliplatina).

Para levar para casa

Cada vez mais a interação interdisciplinar é fundamental no manejo do câncer gástrico e apesar de algumas diferenças de conduta entre os centros orientais e ocidentais, a adjuvância é um ponto em comum entre eles. Alguma discussão ainda ocorre na melhor estratégia pré-operatória mas a adjuvância é quase mandatória em pacientes com linfonodos positivos.   

Referências bibliográficas:

  • Park SH, Lim DH, Sohn TS, et al. A randomized phase III trial comparing adjuvant single-agent S1, S-1 with oxaliplatin, and postoperative chemoradiation with S-1 and oxaliplatin in patients with node-positive gastric cancer after D2 resection: the ARTIST 2 trial. Ann Oncol. 2021;32(3):368-374. doi:10.1016/j.annonc.2020.11.017
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Publicado por
Felipe Victer

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