Cânceres, infecções e eventos vasculares são a maior parte dos erros de diagnóstico

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Uma nova pesquisa sugere que danos relacionados a erros de diagnóstico estão concentrados em três grandes áreas da medicina: eventos vasculares, infecções e cânceres.

As descobertas de uma análise de 12 mil alegações de negligência foram apresentadas recentemente em uma coletiva patrocinada pela Sociedade para Melhorar o Diagnóstico em Medicina (SIDM). A SIDM financiou a pesquisa por meio de uma doação da Fundação Gordon e Betty Moore.

“Erros de diagnóstico são os erros médicos mais comuns, mais catastróficos e mais caros, tanto para a sociedade quanto para os pacientes individuais. Um lugar para começar é com os ‘três grandes’: cânceres, infecções e eventos vasculares. Juntos, eles representam 75% dos graves danos causados ​​por erros de diagnóstico”, afirmou Newman-Toker, diretor do Centro de Excelência em Diagnóstico, do Instituto Johns Hopkins Armstrong para Segurança e Qualidade do Paciente, além de presidente do conselho do SIDM.

Erros de diagnóstico são responsáveis ​​por 34% de todos os erros médicos que causam danos sérios; 64% desses erros levam à morte ou invalidez permanente. Eles representam 28% de todos os pagamentos de reclamações de negligência médica. O pagamento médio é de US$ 766 mil por caso altamente grave, observou Newman-Toker.

Newman-Toker informou que os médicos “exigem dos sistemas de saúde que trabalhem para tornar iniciativas de segurança do paciente um foco prioritário”. 

Helen Burstin, MD, vice-presidente executiva e diretora executiva do Conselho de Sociedades de Especialidades Médicas, também enfatizou a importância da questão. “Este não é o momento para culpar os médicos. É um processo complexo e precisamos colocar os recursos certos para tornar isso melhor.  Esta é uma questão de sistemas”.

Ela também enfatizou a importância de usar ferramentas que auxiliem no processo de diagnóstico, como o suporte à decisão baseado em registros eletrônicos de saúde, que fornece informações de fácil acesso. 

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Metodologia

Newman-Toker e seus colegas identificaram 11.592 casos de erro de diagnóstico do banco de dados Comparative Benchmarking System da Companhia de Seguros de Risco Controlado entre 2006 e 2015. Os casos representam 28,7% de todas as alegações de negligência nos Estados Unidos. Destes, 7379 resultaram em incapacidade permanente ou morte.

Os 11.592 casos de erro de diagnóstico representam 21% de todos os casos de reclamação, 28% dos casos cirúrgicos e 23% dos casos de tratamento médico. As “três grandes” categorias de doenças representaram 61,7% de todas as reivindicações de erros de diagnóstico e 67,3% de todos os pagamentos de erros de diagnóstico.

Descobertas do estudo

Dentro de cada uma das três grandes categorias, os autores identificaram cinco doenças ou condições específicas que juntas representavam cerca de 50% dos danos graves – igualmente distribuídos entre morte e incapacidade permanente – nos dados das reivindicações. Na categoria vascular, foram acidente vascular cerebral, tromboembolismo venoso e arterial, infarto do miocárdio e aneurisma e dissecção da aorta.

Entre as infecções, as cinco principais foram sepse, pneumonia, meningite, encefalite e abscesso vertebral. Os tipos de câncer mais associados a erros de diagnóstico foram câncer de pulmão, câncer colorretal, câncer de mama, melanoma e câncer de próstata.

Conclusões

“O que isso sugere para nós, embora os erros de diagnóstico ocorram em todos os lugares da medicina, é que podemos tirar uma boa parte desse problema e salvar muitas vidas e evitar muitas deficiências, se nos concentrarmos na solução desses problemas. Pelo menos, isso nos dá um roteiro e um ponto de partida para mover a bola para a frente”, disse Newman-Toker.

O estudo também revelou a distribuição de erros diagnósticos pela prática. Os diagnósticos de câncer foram mais prováveis ​​de ocorrer na clínica, enquanto os erros de diagnóstico relacionados a eventos e infecções vasculares foram mais prováveis ​​de ocorrer em ambientes de internação e departamento de emergência. Diagnósticos errados relacionados à infecção também eram comuns em clínicas pediátricas. Essas descobertas sugerem áreas potenciais para direcionar os esforços de melhoria nos diagnósticos.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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