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médico segurando o laço azul que presenta o câncer de próstata

Cancerologia: área com grande carga emocional envolvida

Hoje, como parte da nossa série de artigos sobre Residência e as especialidades médicas, Dra. Naiara Balderramas fala tudo que você precisa saber sobre a Cancerologia (Oncologia).

1) O que é?

É a especialidade que trata dos cânceres, mais especificamente dos tumores sólidos. Até algum tempo atrás tratava todas as neoplasias, incluindo as hematológicas e linfoproliferativas, porém devido a grandeza da área foi subdividida e hoje existe o profissional especifico dessas doenças, o hematologista. Para ser oncologista clínico é necessário fazer dois anos de residência em Clínica Médica e depois mais três anos de Oncologia propriamente dita. Caso a escolha seja por Oncologia Pediátrica, o caminho são dois anos de Pediatria seguidos de dois anos de Oncologia Pediátrica.

2) Como é o dia a dia?

O oncologista dentro do SUS já recebe o paciente com o diagnóstico fechado após a biópsia, de modo que conduz o tratamento clínico, indica os procedimentos cirúrgicos e lida também com casos em que não há mais indicação de tratamento curativo, os chamados paliativos exclusivos. Os cuidados paliativos são muito frequentes dentro da Oncologia, e é uma área em franco crescimento, que não se restringe apenas à Oncologia e sim a toda medicina. Nos planos de saúde é comum o especialista receber o paciente ainda com suspeita de câncer e guiar tanto o diagnóstico quanto o estadiamento (classificação universal em graus de gravidade), bem como o tratamento e seguimento.

3) Oportunidades de trabalho:

Com o aumento da expectativa de vida há o crescimento dos casos de câncer, o que torna a demanda de mercado bem grande, principalmente em cidades de médio porte, onde há o surgimento de clínicas e hospitais. A Oncologia Clínica não é uma especialidade que atue em locais de pequeno porte, pois necessita de uma retaguarda especializada, com equipes multiprofissionais, e acesso fácil a outros tratamentos como radioterapia, cirurgias, hospital para internação e infusão de quimioterápicos. Logo, o mais comum é o trabalho se desenvolver em equipes, que estão vinculadas a clínicas, hospitais-dia ou hospitais tradicionais com unidades de oncologia dentro. Além do trabalho clínico, há também muito campo de pesquisa, e outra opção é manter-se como pesquisador ou mesmo docente.

4) Número de especialistas:

No momento, temos aproximadamente 3.500 oncologistas registrados pela Sociedade Brasileira de Cancerologia.

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5) Curiosidade(s):

– Há um livro chamado “O imperador de todos os males” do indiano Siddhartha Mukherjee (Ed. Companhia das letras), que se autointitula como uma biografia do câncer. Trata-se de um relato belíssimo sobre o câncer ao longo da história, desde registros ainda no antigo Egito, e como se desenvolveu o crescimento dos investimentos em tratamentos na área. Com esse livro, o autor ganhou o maior prêmio mundial em Jornalismo, o prêmio Pulitzer, em 2011. Vale a pena ler!

6) Especialidades correlacionadas:

A Oncologia se correlaciona com todas as áreas médicas, pois ainda que façam o diagnóstico, todos encaminharão os pacientes com neoplasias malignas ao oncologista para tratar. Porém, há relacionamento mais frequente com as especialidades cirúrgicas, como a própria Cancerologia Cirúrgica ou Cirurgia Oncológica, além de Urologia, Cirurgia Torácica, Cirurgia Geral, Coloproctologia, Ginecologia, Mastologia, devido a grande necessidade de procedimentos cirúrgicos, como novas biópsias, drenagem torácica, colocação de cateter duplo J, etc.

7) Área de atuação:

Basicamente o oncologista clínico atua em consultório, em clínicas, hospitais-dia, hospitais, e também com cuidados paliativos e pesquisa/docência.

8) Mensagem para quem quer seguir essa especialidade:

A oncologia clínica é uma área com grande carga emocional envolvida e que precisa de uma boa equipe multiprofissional para o melhor desempenho de suas competências. O paciente e seus familiares levam ao oncologista toda a sua esperança na Medicina, querem tratamentos eficazes e empatia, por isso demandam atualização constante frente as novas terapias e tecnologias, porém sem perder a empatia. O câncer ainda representa um estigma muito grande na sociedade, quase um sinônimo de morte, porém cabe ao profissional da Oncologia ser a ajuda necessária nesse momento tão difícil. Um livro que descreve bem os percalços emocionais da especialidade é “Por um fio”do Dr. Drauzio Varella. São várias pequenas histórias sobre como o câncer pode ser o final da vida, mas também pode ser o começo de uma nova vida para aqueles que sobrevivem.

*Os artigos sobre as especialidades médicas foram produzidos em parceria com a Associação Nacional de Médicos Residentes

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