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Cansado de Medicina? Veja essas alternativas de carreiras para médicos

Colunistas, Medicina de Estilo de Vida
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Tempo de leitura: 9 minutos.

Já pensou alguma vez em deixar de exercer Medicina? Este artigo está longe de ser uma propaganda ou estímulo para isso. Mas, ao contrário do que possamos imaginar, não é algo tão raro assim. Segundo um artigo de mesmo tema do Medscape (na referência), cerca de 13,5% dos médicos estadunidenses estavam, em 2016, procurando por outras opções de trabalho.

Mesmo essa estatística não sendo bem conhecida aqui no Brasil, não é de se estranhar que vejamos a mesma tendência. Medicina é uma profissão muito difícil técnica e emocionalmente e, provavelmente, vários profissionais que a exercem não se identificam com ela tanto assim.

Talvez muitos percebam isso durante o curso. Porém, por ser um vestibular extremamente concorrido, as pressões interna e social acabam por convencer o estudante a não deixar o curso. Já depois de formados, médicos têm dificuldade de encontrar trabalhos que lhe garantam renda semelhante, o que acaba convencendo-os a continuar exercendo mesmo contra a vontade.

Bom, seja qual for seu motivo, se você for um dos que estão procurando uma alternativa, aqui estão algumas sugestões de profissões alternativas para médicos.

Educação Médica Continuada

Médicos estão sempre procurando educação continuada. Seja para melhoria de habilidades, atualização ou até para certificação e prestação de concursos, o fato é que médicos realmente precisam estar sempre estudando. Ainda mais em um mundo científico fervilhante como o nosso.

Da mesma forma, quem melhor que os próprios médicos para ensinar outros colegas de profissão?

Médicos podem atuar produzindo materiais de todos os tipos (apostilas, videoaulas, vídeos didáticos etc), ministrando aulas ou testando habilidades em cursos teóricos e práticos de diversos tipos. Cursos de emergências, procedimentos ou mesmo os preparatórios para residência médica.

É uma profissão interessante se você tiver habilidades com escrita, oratória ou computação. Além disso, pode-se atingir uma boa remuneração dependendo do reconhecimento da empresa fornecedora do curso, dentre outros fatores.

Vantagens: Se você tiver habilidades com escrita, oratória ou computação, provavelmente vai se dar muito bem nesse tipo de trabalho.

Desvantagens: Não é uma opção com fartura em oferta de emprego. Sem contar que os cursos e materiais passam por várias etapas de avaliação e certificação até serem liberados para execução, podendo ser algo demorado e bem trabalhoso.

Tecnologias de Informação

Se médicos usam e abusam de cursos, com aplicativos então quem exerce sabe o quanto aplicativos e softwares de todos os tipos podem te salvar em uma situação de sufoco.

Calculadoras, tabelas, guias de tomada de decisão, guias de medicamentos, diagnósticos diferenciais… A lista é de se perder de vista.

Logo, se médicos podem atuar montando materiais para cursos, também podem ajudar a montar conteúdos e a desenvolver aplicativos voltados para saúde (tanto para uso de profissionais, quanto de pacientes).

Além disso, médicos podem ajudar a desenvolver sistemas de informação hospitalares e prontuários eletrônicos. Quem trabalha em hospitais, com certeza, já pensou em algum momento: “Esse sistema não está bom. Seria melhor se funcionasse assim, ou se desse para eu fazer isso…”

Por melhor que um sistema de prontuário eletrônico seja, ainda há campo para melhora. Porém, o problema é que quem interfere nele, muitas vezes, são profissionais com conhecimento em computação e sistemas de informação, mas sem conhecimento médico.

Por isso, alguns hospitais têm contratado médicos para atuar nos setores de TI a fim de melhor os sistemas para uso da equipe.

Vantagens: Existem várias opções de carreira nessa área e um leque de oportunidades para iniciar algo próprio, especialmente se você tiver habilidades com computação.

Desvantagens: A maioria dos médicos não tem essa afinidade com computação e sistemas de informação, o que os obrigaria a ganhar alguma experiência na área antes de buscar um trabalho nessa área.

Planos de Saúde

Essa talvez seja uma oportunidade mais acessível no sistema de saúde estadunidense, que é praticamente todo privado. E, portanto, dominado por planos de saúde. Mesmo assim, não deixa de ser uma oportunidade para quem quer uma alternativa de emprego.

Alguns planos de saúde têm hospitais e clínicas próprios que permitem ao médico exercer a “versão original” de sua profissão. Porém, também existe espaço na avaliação e liberação de procedimentos e exames.

Uma vez acionado, o plano de saúde analisa cada exame, procedimento, internação ou recurso solicitado conforme suas regras particulares e, nesse caso, a análise é feita por médicos. Logo, o médico pode atuar, por exemplo, nas perícias para avaliar a real indicação ou urgência de determinado procedimento, além de liberar ou negar realização de determinado exame conforme as indicações especificadas em literatura.

Alguns médicos enxergam isso como “trabalhar para o inimigo”, mas isso não necessariamente é verdade. Um médico neste cargo estaria atuando, também, no controle do uso excessivo de recursos e serviços em saúde, especialmente negando o que for desnecessário. É um trabalho interessante para quem gosta de Medicina Baseada em Evidências, já que essas decisões, ao contrário da atuação clínica, não podem estar embasadas em opiniões próprias, mas sim em indicações clínicas precisas.

O médico também pode trabalhar na parte administrativa, ampliando, por exemplo, a cobertura de exames, procedimentos e recursos já oferecidos pelo plano de saúde.

Vantagens: Esse trabalho pode chegar a render o mesmo que a prática clínica, além de permitir o trabalho em casa.

Desvantagens: Em alguns momentos, pode ser um trabalho conflituoso (médicos não gostam muito de ter suas condutas negadas ou questionadas). Também é um trabalho que exige conhecimento das evidências científicas de ponta.

Indústria Farmacêutica

Esta talvez não seja a alternativa mais fácil de se seguir, já que, como qualquer outra indústria, a indústria farmacêutica busca profissionais de ponta para preencher suas vagas. Porém, a remuneração pode atingir e até ultrapassar a da prática clínica.

Médicos podem trabalhar na indústria farmacêutica em vários cargos, incluindo o de vendas (Sabe aquele representante que te visita no consultório ou no hospital, de vez em quando? Então…). Porém, a maioria dos profissionais segue para a área de pesquisa e desenvolvimento de novas drogas. Algo interessante para quem gosta do trabalho de cientista.

Os mais ousados podem até tentar iniciar negócios próprios, seja trabalhando com revenda e outros artigos médicos, ou mesmo com a produção.

O maior problema é que é difícil se inserir na indústria farmacêutica sem alguma experiência anterior com a área (participar de um ensaio clínico, por exemplo).

Vantagens: Ser médico pode te abrir algumas portas nesse ramo, sem contar a boa remuneração que pode ser atingida.

Desvantagens: Inserir-se nesse mercado demanda muita influência e esforço.

Recrutamento de Médicos

Médicos, como quaisquer outros profissionais, vão estar inseridos no mercado de trabalho de várias formas. Logo, serão necessárias pessoas para recrutá-los e, nisso, ser um médico pode ser uma carta na manga.

Afinal, ninguém melhor para selecionar profissionais de determinada área que outro profissional dessa mesma área (que conhece o trabalho, as exigências, os tipos de profissionais etc).

Várias empresas, variando de hospitais e convênios médicos à indústria farmacêutica e pesquisas no modelo ensaio clínico, buscam esse tipo de recrutador. A dificuldade é que, como era de se esperar, a exigência técnica para o cargo é alta e os recrutadores dos recrutadores querem profissionais de excelência.

Você provavelmente terá que correr atrás de várias ligações e entrevistas para conseguir esse cargo. Porém, a recompensa é alta: a remuneração passa, muitas vezes, da alcançada pela prática clínica.

Vantagens: A remuneração é muito boa e é uma área interessante para quem está disposto a desenvolver algumas habilidades sociais.

Desvantagens: A inserção nesse mercado não é fácil e exige muita paciência.

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Administração hospitalar

Essa é uma opção mais acessível e amplamente conhecida. Para quem não se sente mais desafiado pelo cuidado direto com os pacientes, participar da administração de um hospital ou outra instituição de saúde pode ser uma chance de fazer a diferença.

Geralmente, o acesso para esse tipo de cargo envolve trabalhar na parte assistencial por algum tempo e desenvolver uma reputação. Depois de um tempo, se você tiver se destacado, tem a oportunidade de subir nas várias camadas da administração hospitalar.

Muitos hospitais têm recrutados médicos não só para a área de direção clínica, mas também para várias outras como segurança do trabalho e até faturamento. Algumas pesquisas estadunidenses, inclusive, mostram que hospitais com médicos nos cargos administrativos tiram notas maiores nos rankings.

É também uma boa oportunidade de aproximar a administração hospitalar de seu corpo clínico, já que um médico entende melhor as demandas e necessidades dos colegas que outros profissionais.

O ônus que vem com o cargo é que alguns colegas talvez não te enxerguem mais como um deles e encarem sua mudança como ir para o “lado negro da força”.

Vantagens: A transição de cargos nesta área é mais simples e a remuneração também pode ser boa.

Desvantagens: A relação com antigos colegas pode não ser a mesma após a mudança de cargo.

Conselheiro médico

Um cargo ainda não tão popular, mas crescente, dentro da administração hospitalar é o de conselheiro médico. É uma opção de trabalho que tem florescido nos Estados Unidos, mas ainda está engatinhando no Brasil.

A função do conselheiro médico é discutir condutas, desde solicitação de exames a prescrições, com os médicos assistentes, objetivando redução de custos e burocracias. A função também inclui feedback para demais setores do hospital orientando melhoras nos fluxogramas de funcionamento do serviço. Se a solicitação de um determinado exame é muito burocrática, por exemplo, e isso resulta em aumento no número de dias de internação hospitalar, o conselheiro médico pode reportar isso aos setores burocráticos e sugerir estratégias.

É um cargo promissor em hospitais particulares, que lidam com a alta burocracia de convênios médicos (sempre sob o risco de negar determinadas intervenções).

Por lidar com toda a equipe médica, esse é um cargo interessante para quem tem jogo de cintura para conversar e manejar vários tipos de personalidade. Sem contar a oportunidade de aplicar a Medicina Baseada em Evidências para melhorias do serviço, tanto para pacientes quanto colegas.

Vantagens: Essa carreira é interessante para quem gosta de desafios e de trabalhar com evidências.

Desvantagens: Atritos com colegas médicos podem ser frequentes, dependendo da equipe.

Escritor

Se você é bom/boa de redação, existe muito campo para suas habilidades de escrita dentro da Medicina. Seja para a indústria farmacêutica, empresas de educação continuada ou publicações médicas em revistas, blogs e periódicos.

A área pode gerar boa remuneração, conforme seu rol de clientes aumenta, mas em geral gera uma renda menor que a prática clínica. Na maior parte dos casos, o escritor é um freelancer, escrevendo sobre assuntos de sua escolha e sem um vínculo fixo com nenhum grupo, pelo menos no início. Logo, é preciso ir construindo a carreira e a reputação.

Habilidades necessárias para essa área incluem capacidade de pesquisa e aprendizado continuado, precisão, organização lógica, pensar com clareza e escrita legível (no sentido de gramática, sintaxe e semântica). Muitas habilidades e conhecimentos médicos também podem ser aplicados na construção de textos, o que pode ser bem gratificante.

É uma opção de trabalho menos estressante, e que permite aprendizado continuado, inclusive fora de sua área original de atuação.

Vantagens: Se você tiver habilidade com escrita, tem potencial para fazer sucesso no ramo.

Desvantagens: Pode demorar um pouco para se estabelecer no cargo e a remuneração pode não se equiparar com a da prática clínica, especialmente para especialistas.

Professor

O desejo de se tornar professor/a é bem comum entre os médicos e pode ser uma alternativa mais tranquila quando comparada à prática clínica. 

As oportunidades variam de ensino das disciplinas básicas como Anatomia e Fisiologia, disciplinas avançadas como Semiologia e as especialidades, até o ensino prático pela preceptoria e ensino em modelos mais atuais como o aprendizado baseado em problemas (PBL, na sigla em inglês).

Além disso, o trabalho do médico já se assemelha ao de professor em muitos sentidos. Ambos precisam transmitir conhecimentos complexos em linguagem simples, além de ter boa oratória e capacidade de falar em público para pequenos grupos.

A maioria das oportunidades no ramo são de trabalhos em meio período, o que quer dizer que a renda pode não atingir as metas da prática clínica. Geralmente, os trabalhos em período integral são restritos aos professores de dedicação exclusiva.

Vantagens: É uma boa alternativa para médicos que precisam de trabalhos em meio período, como os que estão constituindo família ou entrando na aposentadoria.

Desvantagens: A maioria dos trabalhos é em meio período e não cobre a renda da prática clínica.

Saúde Pública e Epidemiologia

A Saúde Pública é uma área que permite a atuação do médico tanto no contato direto com o paciente quanto no manejo de populações.

Conhecimento médico vale ouro para o planejamento da saúde pública. Médicos podem ajudar a detectar problemas de saúde territorial e propor soluções. Campanhas, mutirões, educação, políticas públicas, sugestões para o fluxo da rede de saúde… São várias as ferramentas disponíveis.

Atuar na saúde pública permite ao profissional interferir na raiz da maioria dos problemas de saúde atendidos em hospitais.

Vantagens: É um trabalho desafiador, que exige criatividade e capacidade de planejamento, além de reduzir o desgaste do contato médico-paciente.

Desvantagens: A remuneração pode não atingir os níveis anteriores.

Capital de risco

Essa é uma área que já foge um pouco do “ambiente da saúde”, mas que também pode tornar o conhecimento médico muito útil.

Companhias de capital de risco investem em start-ups e pequenos negócios com potencial para crescimento. Algumas dessas pequenas empresas são do ramo da saúde, desenvolvendo softwares, aparelhos médicos, novos medicamentos etc. E é aí que o médico entra.

O profissional pode ajudar a companhia a analisar o potencial de crescimento dessas empresas conforme suas propostas e, assim, indicar em qual investir o capital.

É uma profissão que exige muita capacidade analítica e de interpretação de estatísticas, além de algum conhecimento de economia. Médicos nesse ramo podem ser contratados por companhias com interesse na área da saúde ou trabalhar como freelancers, sem contar aqueles que abrem as próprias companhias de capital.

Vantagens: Profissionais com capacidade analítica podem chegar a ganhar muito mais do que em suas carreiras clínicas.

Desvantagens: Não é um mercado fácil de se inserir e, uma vez nele, é um ambiente de muita pressão, considerando a natureza de risco dos investimentos.

Outras profissões

Médicos muitas vezes têm dificuldade de “largar o osso”, mesmo quando a profissão gera desgaste físico ou emocional.

Natural. Afinal, uma profissão com vestibular tão concorrido e que demanda tanta dedicação, tempo e energia investidos é difícil de simplesmente largar. Por isso, muitos procuram alternativas que ainda envolvam a área da saúde ou habilidades desenvolvidas na faculdade de Medicina.

Entretanto, nem todos vão se sentir satisfeitos trabalhando na área e buscar outra profissão pode ser incrivelmente libertador e tranquilizante.

E aí, as oportunidades são intermináveis. Existem médicos que se tornam advogados (e até trabalham com direito médico) ou fazem outros cursos superiores. Outros abrem seus próprios negócios, sejam eles lojas, empresas, restaurantes, academias etc. Outros se tornam artistas (fotógrafos, escritores, artistas plásticos, etc). Possibilidades não faltam e habilidades aprendidas na Medicina podem muito bem serem usadas em todos esses contextos.

O importante, é encontrar o que te dê satisfação profissional e se dedicar para fazer esse trabalho florescer.

Autor: 

Referências:

  • PAGE, Leigh. Tired of Medicine? 20 Nonclinical Career Options. 2018. Via Medscape. Disponível em: <https://www.medscape.com/viewarticle/893481_10>. Acesso em: 02 set. 2019.

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