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Carga pressórica aumenta precisão na previsão de riscos cardiovasculares

As diretrizes mais recentes de hipertensão, como a europeia, têm recomendado a medida domiciliar da PA como ferramenta para ajuste dos anti-hipertensivos. Há vários motivos, sendo o principal deles que a medida de consultório fornece um valor isolado muito suscetível às condições momentâneas locais, como ansiedade, técnica de medida, alimentação e medicação do dia. Por outro lado, há várias evidências que as medidas repetidas, principalmente em casa, fornecem um valor médio que se correlaciona melhor com o risco de eventos cardiovasculares.

Na MAPA de 24 horas, um dos parâmetros utilizados é a carga pressórica, que é o percentual das medidas acima da meta. O valor normal é até 30%. Contudo, estudos prospectivos mostram que as valores médios da PA na MAPA-24h são melhor preditores que a carga pressórica, de modo que a carga em si é pouco valorizada na prática.

Por outro lado, em um estudo recente, pesquisadores utilizaram uma outra forma de “carga pressórica”, chamada por eles, na verdade, de “cumulative blood pressure”. A ideia era simular uma carga tabágica, estimando ao longo dos anos quanto tempo a PA esteve acima do ideal, e o impacto disso no risco de eventos cardiovasculares.

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Em um estudo anterior com a coorte de Framingham, pesquisadores demonstraram que o valor médio da PA, levando em conta várias consultas recentes, tinha maior associação com o risco de eventos cardiovasculares quando comparado à medida isolada da PA na última consulta. No estudo mais recente, foram analisados dados de três grandes estudos de coorte (incluindo o Framingham). Além disso, os pesquisadores utilizaram a equação para predição do risco cardiovascular da AHA/ACC (ASCVD-2013) e substituíram a PA sistólica isolada pela nova carga pressórica.

Essa carga foi calculada com o valor da PA em cada consulta dos últimos 10 anos e multiplicado pelos anos em acompanhamento. Os pacientes foram então divididos em tercis de carga pressórica: 1066 vs 1216 vs 1411 mmHg-ano (semelhante a “maços-ano”). O resultado mostrou que esse novo parâmetro melhora em 10 a 12% a precisão na estimativa do risco de eventos cardiovasculares. Como exemplo, o risco de eventos CV por tercil foi, respectivamente, 7,8%, 13,9% e 26,4%!

Se confirmado em novos estudos ou coortes, os prontuários eletrônicos podem fornecer a informação automaticamente e ajudar na melhor estimativa do risco de IAM, AVC ou morte por doença cardiovascular.

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Autor:

Ronaldo Gismondi

Doutorado em Medicina pela UERJ ⦁ Cardiologista do Niterói D’Or ⦁ Professor de Clínica Médica da Universidade Federal Fluminense

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