Carreira cirúrgica com olhar de cirurgiões aposentados: o que pode ser diferente?

Um estudo com cirurgiões aposentados questionou o que eles teriam feito diferente em suas vidas e carreiras como cirurgiões. Saiba mais.

“Queres ser médico, meu filho? Essa aspiração é digna de uma alma generosa, de um espírito ávido pela ciência. Mas, pensaste no que se transformará a sua vida?” 

Da mitologia romana, Esculápio já advertia sobre as demandas advindas da formação médica. Não tão distante de nossa realidade, o texto romano se faz atual, trazendo questionamentos sobre o estilo de vida e as escolhas que o médico precisa fazer durante sua carreira. Dentre as especialidades médicas, a cirurgia se destaca como um dos segmentos que impõe elevada dedicação durante toda a carreira, visto que a formação de um cirurgião permeia pelo embasamento teórico, habilidade manual e boa relação médico-paciente. Considerando tudo o que é solicitado ao cirurgião, muitas vezes se torna uma tarefa árdua construir uma carreira bem sucedida e equilibrada.

A carreira cirúrgica sob o olhar de cirurgiões aposentados

O estudo com cirurgiões aposentados

Foi partindo dessa reflexão que se realizou um robusto estudo norte-americano com cirurgiões aposentados membros do colégio americano de cirurgiões para analisar o que eles teriam feito diferente em suas vidas e carreiras como cirurgiões. 

O total de 5.283 questionários foram enviados, tendo resposta válida de 2.295 cirurgiões aposentados (taxa de resposta de 43,4%). A idade média do grupo foi 79 anos e a idade média da aposentadoria foi 63,9 anos, sendo 15,2 anos o intervalo médio desde a aposentadoria. A maioria dos participantes eram do sexo masculino (N=2276 / 99,2%) e as subespecialidades eram principalmente cirurgia geral (N = 1382 / 60,2%), cirurgia vascular (N = 416 / 18,1%), cirurgia cardiotorácica (N = 330 / 14,4%) e coloproctologia (N = 167 / 7,3%). 

Em relação aos resultados, 93,8% dos participantes responderam que teriam feito algo diferente em sua carreira de cirurgião. Dentre as atitudes diferentes reportadas, as mais comuns foram ter dedicado mais tempo à família e ao autocuidado (N= 295 / 23,9%), ter optado por um ambiente laboral menos estressante (N = 236 / 19,2%, tendo preferência 3,8 vezes maior por ambientes acadêmicos comparativamente à prática privada), ter escolhido uma subespecialidade com menos sobrecarga e melhor remuneração (N = 156 / 12,7%, sendo cirurgia plástica, ortopedia e cirurgia pediátrica as especialidades preferidas). 

Apenas 6% (N = 74) relataram que teriam escolhido uma carreira não médica e 1,1% (n = 14) disseram que teriam construído maior patrimônio monetário. 

Em resumo, o estudo indicou que mais da metade dos cirurgiões avaliados reconheceram a importância de manter um equilíbrio saudável entre vida pessoal e profissional, além de desejar um ambiente laboral menos sobrecarregado. 

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Para levar para casa 

A carreira de um cirurgião demanda uma longa caminhada alicerçada nos pilares: conhecimento técnico, habilidade manual, boa relação interpessoal e um toque de aptidão, consistindo em uma formação com elevada demanda que, por vezes, sobrecarrega o profissional, levando a frustrações e arrependimentos ao longo da carreira. Por isso, uma reflexão crítica objetivando mudanças que priorizem o equilíbrio entre carreira bem sucedida e vida pessoal saudável se faz necessária para que possamos elevar profissionais de sucesso a seres humanos realizados.

Coautor:

  • Jorge Roberto Marcante Carlotto. Mestre e Doutor pela Universidade Federal de São Paulo. Cirurgião Geral e de Cirurgia do Aparelho Digestivo pela Escola de Medicina da Universidade Federal de São Paulo.

Referências bibliográficas:

Stolarski A, Moseley J, et al. Retired Surgeons’ Reflections on Their Careers. JAMA Surgery. 2020;155(4):359. doi: 10.1001/jamasurg.2019.5476

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