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Caso clínico: adolescente com cefaleia incapacitante

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Adolescente, 16 anos, sexo feminino, chega ao ambulatório de neurologia, acompanhada da mãe, com queixa de múltiplos episódios de dor de cabeça.

Conta, durante a consulta, que a cefaleia é unilateral – sendo a maior parte das crises à direita -, pulsátil, de intensidade 9-10/10 e com duração de um ou dois dias. Durante esses episódios, refere escotomas cintilantes, fotofobia, fonofobia e piora com qualquer esforço/atividade que necessite realizar. Não percebe se é desencadeada por algum tipo de alimento que ingeriu, mas notou relação com o período menstrual: “nesses dias, sempre ocorre!”; também relata crise em semanas de provas escolares, afetando seu rendimento. Acontecem cerca de dois ou três episódios por mês.

Questionada sobre fármacos que usa na vigência dessas cefaleias, ela diz utilizar analgésicos comuns e que nenhum a aliviou completamente. “O que me deixa melhor é me trancar no quarto e ficar lá, quieta, sozinha, no escuro”.

A mãe da adolescente, que acompanhou toda consulta, refere que também sente essas dores, com características bem semelhantes, episodicamente.

Do exame físico, não há informações dignas de nota.

Qual o diagnóstico?

Com base nos dados clínicos, nota-se um caso de migrânea (ou enxaqueca).

Tal doença, que afeta mais mulheres do que homens, trata-se da principal causa de incapacidade neurológica relacionada à cefaleia no mundo. Uma de suas características é a sensibilidade do encéfalo do paciente acometido à estímulos ambientais e sensoriais. Inclusive, tal sensibilidade é amplificada durante o ciclo menstrual.

A crise de enxaqueca é descrita, tradicionalmente, na literatura, como: cefaleia pulsátil, tipicamente – mas não exclusivamente – unilateral, com duração de 4 a 72 horas, associada a náuseas, vômitos, fonofobia, fotofobia, agravada por exercícios e podendo ser precedida ou concomitante à aura. Por aura, entende-se, fenômenos visuais, auditivos, somatossensoriais e/ou motores. Alguns fatores desencadeantes são estresse físico e emocional, excesso ou falta de sono, alimentos (chocolate, por exemplo), menstruação e consumo de bebidas alcoólicas.

É comum encontrar história familiar de enxaqueca, no paciente acometido.

Dada a ocorrência de duas crises mensais, além de afetarem o cotidiano da paciente, um tratamento profilático foi estabelecido, consistindo no uso de topiramato (100 mg/dia, iniciando com dose de 25 mg/dia, com aumento gradual a cada semana). Outros fármacos como beta-bloqueadores (propanolol, preferencialmente, devido sua lipossolubilidade e passagem pela barreira hematoencefálica) e antidepressivos tricíclicos como a amitriptilina também podem ser usados. Toxina botulínica intramuscular e acupuntura são descritos, com sucesso, na literatura.

Também foi proposto que a paciente criasse um “diário das crises”, a fim de notar possíveis desencadeantes.

Por fim, foi orientada quanto ao uso de fármacos em episódios agudos, para uso ao perceber início dos sintomas. Opções terapêuticas são analgésicos simples, associados ou não aos anti-inflamatórios não esteroidais, bem como ergotaminas, triptanos e antieméticos.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

Veja mais casos:

Autor:

Referências bibliográficas:

  • Goadsby PJ, Raskin NH. Enxaqueca e outras cefaleias primarias. In: Kasper et al. Medicina Interna de Harrison, 19ª ed. Porto Alegre: AMGH, 2017.Cap 447. 2586-93pp.
  • Douglas VC, Aminoff MJ. Nervous System Disorders. In: Papadaxis MA, et al. Current Medical Diagnosis & Treatment – 2019, 58th ed. AMGH, 2019. Cap 24. 990-2pp.

2 comentários

  1. Avatar

    Perfeito!
    Adorei o Artigo!

  2. Avatar
    Dra. Eng. Alimentos Cláudia Helena Degáspari

    Dando minha contribuição técnica. Por favor! Considerar neste diário sugerido, que anotem o consumo dos seguintes alimentos: chocolate, cacau, vinho, salames e todo o qualquer produto que contenha glutamato monossódico, incluindo sopas, pipocas preparadas, salgadinhos, shoyo, temperos prontos, macarrão instantâneo e embutidos cárneos, além de queijos muito duros ou fermentados.

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