Caso clínico: paciente jovem com cefaleia e sonolência

Jovem, 24 anos, sem comorbidades, procura atendimento por quadro de cefaleia e sonolência. Veja a ressonância e descubra o diagnóstico.

Jovem, 24 anos, sem comorbidades, procura atendimento ambulatorial por quadro de cefaleia e sonolência. Foi realizada ressonância magnética para melhor avaliação.

imagem de cistos coloides

Qual o diagnóstico?

A ressonância magnética evidencia hidrocefalia e lesão compatível com cisto coloide de terceiro ventrículo.

O paciente foi submetido inicialmente à derivação ventrículo peritoneal com melhora total do quadro, e, posteriormente, à ressecção do mesmo.

Cistos coloides

Os cistos coloides são uma malformação do desenvolvimento rara e não uma neoplasia verdadeira. São compostos por uma camada fibrosa externa e um epitélio interno de células ciliadas ou produtoras de mucina.

A grande maioria dos cistos coloides ocorre no terceiro ventrículo, entre as colunas forniceais no teto do terceiro ventrículo. Assim, mesmo lesões relativamente pequenas podem bloquear o forame de Monro, produzindo hidrocefalia.

Sinais e sintomas

Eles podem ocorrer em qualquer idade, mas geralmente se tornam sintomáticos da terceira à sexta décadas. Embora sejam tipicamente assintomáticos, os cistos coloides podem causar aumento da pressão intracraniana e consequentemente gerar cefaleia e rebaixamento do nível de consciência.

As cefaleias são tipicamente frontais, intermitentes, intensas, de curta duração e associadas a náuseas e vômitos. A mesma pode ser aliviada quando o paciente permanece em decúbito dorsal. Ocasionalmente, podem ocorrer anormalidades na marcha como resultado da hidrocefalia. A descrição clínica clássica de cefaleias intermitentes e crises de queda ocorre em apenas um terço dos pacientes. Raramente, a morte súbita pode ocorrer por obstrução do sistema ventricular.

A neuroimagem evidencia lesões iso ou hiperdensas na tomografia de crânio sem contraste e na ressonância magnética, é variável, podem apresenta-se iso ou hipointensos, e em T2 podem ser hiperintensos ou ter um centro hipointenso.

Tratamento

A excisão cirúrgica é curativa, embora possa ser tecnicamente difícil. Para pacientes com hidrocefalia, um shunt ventriculoperitoneal pode ser necessário. A aspiração estereotáxica de um cisto pode ser útil, embora haja uma alta taxa de recorrência.

Pacientes com pequenos cistos coloides, assintomáticos e sem evidência de hidrocefalia podem ser acompanhados por exames seriados e estudos de neuroimagem.

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Veja outros casos clínicos:

Referências bibliográficas:

  • Natural history of colloid cysts of the third ventricle.Beaumont TL, Limbrick DD Jr, Rich KM, Wippold FJ 2nd, Dacey RG Jr.J Neurosurg. 2016 Dec;125(6):1420-1430.
  • Fink S. Collid Cyst. Pract Neurol. 2015 Dec;15(6):488-9.
  • Joshua A Cuoco . Postexercise Death Due to Hemorrhagic Colloid Cyst of Third Ventricle: Case Report and Literature Review. World Neurosurg. 2019 Mar;123:351-356

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