Caso clínico: usuária de lente de contato com olho vermelho e secreção

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Paciente de 40 anos, veio a consulta oftalmológica queixando-se de olho vermelho em olho direito, com secreção mucosa. Nunca fez nenhuma cirurgia oftalmológica. História familiar: nada digno de nota.

Usa lentes de contato de descarte mensal gelatinosas, de material hidrogel, grau -8,50 esf em ambos os olhos, não descarta as lentes no tempo certo, usa apenas soro fisiológico para a limpeza das lentes, usa as lentes todos os dias o dia todo, só retira para dormir. Não usa colírios. Não enxerga bem com os óculos, que não troca há mais ou menos cinco anos.

Ao exame

Refração:

  • OD -9,75 esf (AV 0.5);
  • OE -9,75 esf (AV 1.0).

Biomicroscopia (ambos os olhos): Hiperemia conjuntival 2+ em ambos os olhos, neovascularização corneana inferior superficial de mais ou menos 1.0 mm além da córnea, falhas de preenchimento na córnea perilímibicas inferiores, ceratite punctata difusa.

Tonometria as 9h 10mmHg em ambos os olhos.

Fundoscopia sem alterações em ambos os olhos.

O que podemos dizer sobre o caso?

  1. A paciente possui neovascularização límbica, ceratite punctata e alterações corneanas na região do limbo associadas à hipóxia corneana. A diminuição da oxigenação nesse caso ocorre porque a paciente usa lentes de baixa permeabilidade a oxigênio (hidrogel), espessas na borda (pela alta miopia), por elevado número de horas, todos os dias, há anos. Cronicamente a baixa oxigenação leva a essas alterações descritas.
  2. Além deste fato aumentar a chance de termos uma infecção corneana, a paciente usa soro fisiológico nas lentes. Hoje orientamos que não se use soro, pela maior chance de contaminação das lentes de contato pelo fato do soro não possuir substâncias que evitem a proliferação bacteriana. As lentes devem ser limpas todos os dias, antes da colocação e depois da retirada, com soluções multiuso apropriadas para lentes de contato.
  3. Todo paciente usuário de lentes de contato deve ter também bons óculos para que possa ter opção de troca quando necessário. Não ter óculos que lhe conferem boa visão faz com que o uso das lentes seja ainda mais prolongado.
  4. A lubrificação com colírios é de extrema importância já que sabemos que a presença da lente de contato cronicamente altera a qualidade da lágrima.
  5. O oftalmologista deve acompanhar de perto o usuário de lentes de contato, indicando e adaptando a melhor lente para cada caso e seguindo todo o processo de uso.

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