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Pacientes com politrauma correm o risco de sofrer com síndrome da embolia gordurosa

Causas e manejo da síndrome da embolia gordurosa

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A síndrome da embolia gordurosa (SEG) é uma complicação grave da embolia gordurosa que pode evoluir para o óbito principalmente em pacientes politraumatizados, com fratura de ossos longos e pelve, e pacientes submetidos a cirurgias estéticas de lipoaspiração com lipoenxertia. Ela ocorre pela oclusão de vasos sanguíneos por micro partículas gordurosas. A fisiopatologia relacionada a SEG está baseada em duas teorias, sendo que estudos demonstram que a origem dela pode estar na combinação desses dois mecanismos.

Leia também: Como manejar o paciente politraumatizado na UTI?

Possíveis causas

A primeira teoria baseia-se no aumento da pressão dentro da medula óssea devido ao trauma, levando à penetração de células gordurosas no sangue, formando microtrombos que pela própria corrente sanguínea se espalham sistemicamente.

A segunda teoria que é a bioquímica consiste em uma mudança hormonal causada pelo traumatismo das células que acabam por promover a penetração de lipoproteinas no sangue que irão se acumular em vasos pulmonares, lesando-os e posteriormente se espalhando para outros órgãos.

Os sintomas relacionados a SEG correspondem a uma tríade clássica de desconforto respiratório agudo, alterações neurológicas e formação de petéquias. O paciente pode desenvolver os sintomas durante o procedimento cirúrgico como no período pós-operatório imediato, porém já existiram casos do surgimento da síndrome no terceiro dia pós-operatório devido a um atraso na conversão dos triglicérides da gordura neutra em ácidos graxos livres. As petéquias junto com o rash cutâneo aparecem de 24 a 48 horas após o início dos sintomas e são praticamente patognomônicos da síndrome. O diagnóstico precoce e o início rápido do tratamento de suporte é fundamental para evitar a evolução ao óbito. A principal causa de óbito é a insuficiência pulmonar progressiva com evolução para SARA.

Os pacientes mais suscetíveis a SEG são os politraumatizados com fraturas de ossos longos e pelve e esmagamentos, assim como pacientes idosos, obesos e diabéticos submetidos a procedimentos de lipoaspiração com lipoenxertia.

Não existe exame padrão ouro para o diagnóstico e esse é realizado pela análise dos sinais e sintomas clínicos em pacientes de risco. Alterações radiológicas podem ser encontradas como infiltrado bilateral difuso no Raio X e infiltrados peri-hilares e bibasais na TC de tórax.

Tratamento

A profilaxia ainda é a melhor opção para evitar complicações como a SEG, principalmente nos pacientes de risco. Entre as condutas tomadas para prevenção podemos citar:

  • Diminuição do tempo cirúrgico;
  • Diminuição da extensão da área a ser lipada ou enxertada;
  • Deambulação precoce;
  • Aumento da hidratação no período peri e pós-operatório para evitar a hemoconcentração;
  • Pouca mobilização do foco de fratura;

O tratamento da SEG consiste basicamente em um tratamento de suporte, não tendo tratamento específico. Os pacientes devem ser na maioria das vezes submetidos a ventilação mecânica protetiva e suporte hemodinâmico deve ser realizado. Alguns autores defendem o uso de corticoterapia com Metilprednisolona ou Prednisolona para impedir a progressão do processo inflamatório, porém não há estudos que comprovem sua eficácia.

Saiba mais: Saiba como fazer corticoterapia no choque séptico em terapia intensiva

Atualmente, com o conhecimento da síndrome que possibilitou um diagnóstico precoce e com o avanço tecnológico, a evolução para óbito diminuiu de 65% para 5-13% dos casos diagnosticados. Porém o prognóstico ainda é classificado como desfavorável pelo difícil diagnóstico em algumas situações.

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Referências bibliográficas:

  • Santos FK dos, Weiss C, Abujamra H, Grossi BJ, Pellizzaro D. Síndrome da embolia gordurosa na sala de recuperação pós-anestésica. AM [Internet]. 2º de outubro de 2018 [citado 8º de outubro de 2020];0(1):91-4. Disponível em: https://portalperiodicos.unoesc.edu.br/anaisdemedicina/article/view/19042
  • Chaves PO. Síndrome da Embolia Gordurosa – Revisão de Literatura. 2012. Monografia (Graduação) – Instituto Térzius de Pós-Graduação, Campinas, 2012.
  • Alves JD, Arantes LR, Magalhães SEM. Síndrome da Embolia Gordurosa. Rev Med Minas Gerais. 2009;19(1):63-66.

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