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Caxumba: como fazer o diagnóstico e tratamento?

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A caxumba, também conhecida popularmente como papeira, é uma doença infecciosa viral altamente contagiosa que pode acometer qualquer tecido glandular e nervoso do organismo, porém afeta especialmente as glândulas salivares, sendo as glândulas parótidas as mais acometidas, seguidas pelas glândulas submandibulares e sublinguais. É causada por vírus do gênero Paramyxovirus, família Paramyxoviridae.

É uma doença de distribuição universal. Caracteriza-se pela alta morbidade e baixa letalidade e surge sob a forma de endemias ou surtos. É mais frequente em crianças em idade escolar e em adolescentes, no entanto também pode acometer adultos de qualquer faixa etária. Em geral, a caxumba possui evolução benigna. Entretanto, alguns casos raros podem evoluir com complicações e internações, podendo culminar em óbito.

Ao longo dos últimos anos pudemos acompanhar um aumento dos casos de caxumba e sarampo, provavelmente pela queda da cobertura vacinal no Brasil. Fato esse que conclama todos os profissionais da saúde a conscientizar a população, além de esclarecer dúvidas e sanar questionamentos.

Leia também: Dúvidas sobre a vacinação anti-Covid-19 em crianças — um paralelo com o combate ao sarampo

O vírus da caxumba é disseminado por meio de transmissão direta por secreções respiratórias (gotículas ou saliva) e as precauções respiratórias são recomendadas de dois dias antes até cinco dias após o início da parotidite. A transmissão indireta é menos comum, porém pode acontecer através do contato com objetos e/ou utensílios contaminados com secreções do nariz e/ou da boca. A transmissibilidade máxima ocorre na saliva, porém o vírus também é encontrado no sangue e na urina e, se o sistema nervoso central (SNC) estiver envolvido, também é encontrado no líquido cefalorraquidiano (LCR).

A contagiosidade da caxumba é semelhante à da gripe e da rubéola, mas menor que a do sarampo ou da varicela. Provavelmente, a transmissão ocorre em indivíduos com infecção assintomática, que podem atingir 15 a 27% das pessoas infectadas.

médico examinando criança com caxumba

Apresentação clínica

Após um período de incubação que dura de 12 a 24 dias, a maioria dos pacientes com caxumba apresenta cefaleia, anorexia, mal-estar e febre. O envolvimento das glândulas salivares começa 12 a 24 horas depois, com temperatura axilar atingindo 39,5 a 40°C. A febre se mantém por 24 a 72 horas. O edema glandular atinge o volume máximo por volta do segundo dia e dura de cinco a sete dias. As glândulas salivares envolvidas são extremamente sensíveis durante o período febril.

caxumba

Em geral, a parotidite é bilateral. Todavia pode ser unilateral, especialmente no início do quadro clínico. A dor ao mastigar ou engolir, especialmente líquidos ácidos (vinagre ou sucos cítricos) é o sintoma mais precoce. Posteriormente, o edema se espalha para além da glândula parótida, para frente e abaixo da orelha. De forma ocasional, as glândulas submandibular e sublingual também edemaciam (raramente, são as únicas glândulas afetadas). O envolvimento da glândula submandibular provoca edema cervical abaixo da mandíbula. Pode ocorrer edema supraesternal (provavelmente devido à obstrução linfática por aumento das glândulas salivares). Quando estão envolvidas glândulas sublinguais, a língua pode edemaciar.

Antes da disponibilidade da vacina, a orquite se desenvolvia em até 50% dos homens infectados em fase pós-puberal. Nos últimos anos, as taxas de orquite variaram de 3 a 10%. Na era pós-vacinal, as taxas relatadas de outras complicações, incluindo meningite, encefalite, pancreatite, ooforite e surdez foram inferiores a 1%.

O vírus da caxumba pode também acometer as articulações. Em crianças e adolescentes, a artrite pode preceder ou suceder (mais frequentemente) o quadro clínico de caxumba. A artrite relacionada à caxumba é rara, oligoarticular, geralmente de leve intensidade e costuma durar de uma a duas semanas.

Diagnóstico

O diagnóstico de Caxumba é clínico, sendo suspeito quando da ocorrência de manifestações clínicas típicas, como parotidite (ou edema de outras glândulas salivares), orquite ou ooforite e exposição epidemiológica relevante (contato respiratório ou domiciliar com indivíduo com Caxumba, mesmo que suspeita).

Os testes laboratoriais não são necessários para o diagnóstico, porém são altamente recomendados para fins de saúde pública. A infecção aguda pode ser detectada pela presença de IgM sérica para caxumba em uma pessoa não vacinada, um aumento significativo no título de anticorpo IgG entre amostras de soro de fase aguda e convalescente (embora raramente seja demonstrado um aumento de quatro vezes ou mais na IgG entre as pessoas vacinadas), uma cultura positiva de vírus da caxumba ou detecção de RNA do vírus por reação em cadeia da polimerase com transcriptase reversa (RT-PCR).

Entre os pacientes com história de vacinação com uma ou duas doses da vacina tríplice viral, a amostra de soro em fase aguda pode conter níveis significativos de IgG de caxumba, medidos por imunofluorescência ou ensaio imunoenzimático. Portanto, uma única amostra de soro testada para IgG específica para caxumba não é útil para diagnosticar infecções agudas por caxumba em uma pessoa vacinada. A presença de IgG pode não se correlacionar com a presença de anticorpo neutralizante ou proteção contra a caxumba. Não existe um nível protetor conhecido de anticorpo neutralizante para caxumba, e não há outros parâmetros imunes que se correlacionem com a proteção contra a doença. Como no sarampo e na rubéola, a IgM para caxumba pode ser transitória ou desaparecer em uma pessoa vacinada que contraiu caxumba. Assim, a ausência de IgM para caxumba em uma pessoa vacinada que apresenta uma síndrome clinicamente compatível não exclui a caxumba como diagnóstico.

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A detecção viral por RT-PCR ou cultura pode ter baixo rendimento se o swab oral for coletado mais de três dias após o início da parotidite. Portanto, pode ser difícil descartar a caxumba por um resultado laboratorial negativo.

A Caxumba também é suspeita em pacientes com meningite asséptica inexplicável ou encefalite durante períodos de surtos de caxumba. Portanto, a punção lombar é necessária em pacientes com sinais meníngeos.

São causas de parotidite, que podem se confundir com a Caxumba: Influenza A, Parainfluenza, Adenovírus, vírus Coxsackie, vírus Epstein-Barr, Citomegalovírus, vírus Herpes simples, vírus da imunodeficiência adquirida (HIV), além das causas não infecciosas: cálculo da glândula salivar, tumor de glândula salivar, Síndrome de Sjögren e Sarcoidose.

Tratamento

Não há terapia antiviral específica para a Caxumba. Nesses casos deve-se focar em medidas de suporte e isolamento respiratório até a redução do edema glandular. O paciente deverá repousar, ingerir dieta leve para reduzir a dor causada pela mastigação e evitar substâncias ácidas; mante adequada higiene bucal e fazer uso de sintomáticos em caso de dor e/ou febre. O desconforto da parótida pode ser controlado com uso de compressas quentes ou frias.

Em casos em que ocorrem vômitos (provavelmente devido à pancreatite induzida pelo vírus) deverá ser realizada hidratação endovenosa e avaliada a necessidade de internação hospitalar.

Quando da ocorrência de complicações mais graves, como:

  • Orquite: o repouso no leito e o suporte do escroto em algodão em uma ponte de fita adesiva entre as coxas para minimizar a tensão ou o uso de compressas de gelo geralmente alivia a dor. Os corticosteroides não demonstraram acelerar sua resolução, sendo que anti-inflamatórios não esteroidais são indicados para melhora da dor e inflamação.
  • Meningoencefalite asséptica: tratamento do edema cerebral e manutenção das funções vitais inicialmente em unidade de terapia intensiva.

Prevenção

A única forma de prevenção é através da vacinação. O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza, de forma gratuita, a vacina tríplice viral, que protege contra Sarampo, Caxumba e Rubéola, e a vacina tetra viral, que adiciona proteção contra a Varicela (catapora). Seguem as recomendações do Ministério da Saúde:

  • Crianças até 9 anos: 1 dose da vacina tríplice viral aos 12 meses e 1 dose da vacina tetra viral aos 15 meses;
  • Adolescentes (10 a 19 anos): duas doses da vacina tríplice viral (verificar situação vacinal anterior);
  • Adultos 20 a 29 anos: duas doses da vacina tríplice viral;
  • Adultos 30 a 49 anos: uma dose da vacina tríplice viral (verificar situação vacinal anterior).

Segundo a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), podem se vacinar gratuitamente indivíduos de até 29 anos (duas doses, com intervalo mínimo de 30 dias) e indivíduos entre 30 e 49 anos (uma dose). Pessoas com 50 a 59 anos de idade podem se vacinar em clínicas privadas. De acordo também com a SBIm, em adultos com idade superior a 60 anos, a vacinação é recomendada em situações que a justifiquem, como a presença de comorbidades, risco epidemiológico, entre outros. A vacina é contraindicada em gestantes.

Um indivíduo pode ser considerado imune à caxumba se tiver nascido antes de 1957, tiver evidência sorológica de imunidade a caxumba, confirmação de caxumba diagnosticada por médico, confirmação laboratorial de doença ou documentação escrita da vacinação adequada para caxumba aos 12 meses de idade ou mais. A demonstração do anticorpo IgG da caxumba por qualquer teste sorológico é evidência aceitável de imunidade à caxumba.

Referências bibliográficas:

  1. Albrecht MA. Mumps [Internet]. Hirsch MS, Kaplan SL, Hall KK, ed. Waltham, MA: UpToDate Inc. (Acesso em 28 de fevereiro de 2022).
  2. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância Epidemiológica. Doenças infecciosas e parasitárias : guia de bolso / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância Epidemiológica. 8. ed. rev. Brasília: Ministério da Saúde, 2010.
  3. Meissner HC. What you need to know about mumps. 2019 [Internet]. Disponível em: https://www.aappublications.org/news/2016/10/03/IDSnapshot100316. Acesso em 28 de fevereiro de 2022.
  4. Sociedade Brasileira de Imunizações. Vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) – SCR. 2019 [Internet]. Disponível em: https://familia.sbim.org.br/vacinas/vacinas-disponiveis/vacina-triplice-viral-sarampo-caxumba-e-rubeola-scr. Acesso em 28 de fevereiro de 2022.
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    3 comentários

    1. Muito Boa Explicação!! foi de grande ajuda.

    2. Marcos Odyr Lima Siqueira

      Gostei muito da abordagem do assunto.

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