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Cefaleia em crianças: atentar para AVC

O acidente vascular cerebral (AVC) é uma causa cada vez mais reconhecida de deficiência na infância. São eventos raros, mas são condições cada vez mais importantes devido à gravidade de suas complicações. Seu diagnóstico exige um alto grau de suspeita clínica, pois os sinais e sintomas inicialmente manifestados apresentam pouca especificidade.

A compreensão da via de lesão vascular é crucial para o desenvolvimento de estratégias racionais para a prevenção secundária de AVC em crianças.

O estudo de coorte multicêntrico Vascular Effects of Infection in Pediatric Stroke (VIPS) foi realizado com o objetivo de testar as seguintes hipóteses:
(1) infecção pode ocasionar AVC isquêmico (AVCI) na infância;
(2) arteriopatia resultante e os marcadores inflamatórios predizem a recorrência do AVC.

Foram avaliadas crianças (com idades entre 1 mês e 18 anos) com AVCI. Amostras de sangue e soro, estudos de imagem e histórico de infecções foram analisados. Adicionalmente, os exames laboratoriais incluíram sorologia e ensaios moleculares para herpesvírus e níveis de marcadores inflamatórios.

Os participantes foram seguidos prospectivamente para eventos isquêmicos recorrentes (mínimo de 1 ano).

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Foram avaliadas 355 crianças com AVCI em 37 centros internacionais de 2009 a 2014. Das 355 crianças, 354 sobreviveram ao AVC agudo e 308 (87%) foram tratadas com medicamento antitrombótico. Durante uma mediana de acompanhamento de 2 anos (intervalo interquartil: 1,0-3,0), 40 crianças tiveram AVCI recorrente e nenhuma teve AVC hemorrágico.

A taxa acumulada de AVC recorrente foi de 6,8% (intervalo de confiança [IC] 95%: 4,6 a 10%) em um mês e 12% (8,5-15%) em um ano. O único preditor de recorrência foi a presença de arteriopatia, o que aumentou o risco de recorrência em 5 vezes em comparação com AVCI idiopático (hazard ratio: 5,0; IC 95%: 1,8 a 14).

A taxa de recorrência em um ano foi de 32% (IC 95%: 18 a 51%) para doença de Moyamoya, 25% (IC 95%: 12 a 48%) para arteriopatia transitória cerebral e 19% (IC 95%: 8,5 a 40%) para dissecção arterial.

O estudo mostrou que crianças com AVCI, particularmente aquelas com arteriopatia, permanecem com alto risco para AVCI recorrente apesar do aumento da utilização de agentes antitrombóticos.

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Referências:

  • Fullerton HJ, Elkind MS V, Barkovich AJ, Glaser C, Glidden D, Hills NK, et al. The vascular effects of infection in Pediatric Stroke (VIPS) Study. J Child Neurol [Internet]. 2011;26(9):1101–10. Available from: https://www.pubmedcentral.nih.gov/articlerender.fcgi?artid=3397827&tool=pmcentrez&rendertype=abstract
  • Heather J. Fullerton, MD, MAS1, 2, Max Wintermark, MD3, Nancy K. Hills, PhD1, 4, Michael M. Dowling, MD, PhD5, Marilyn Tan, MD6, Mubeen F. Rafay, MD7, Mitchell S. V. Elkind, MD, MS8, A. James Barkovich, MD1, 9, Gabrielle A. deVeber, MD, MSc10 and the V, Investigators*. Risk of Recurrent Arterial Ischemic Stroke in Childhood: A Prospective International Study. Stroke. 2016;47(1):53–9.

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