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Cefaleia na infância: quando realizar exames de imagem?

Tempo de leitura: 3 minutos.

A queixa de cefaleia é comum na infância e adolescência e costuma ser uma importante causa de preocupação para a criança e sua família, principalmente pela possibilidade de doenças graves como causa de base para a cefaleia. Além disso, a cefaleia pode ser um fator que contribui para o absenteísmo escolar e que causa prejuízos nas atividades de recreação e socialização das crianças.

Inicialmente, a base para o manejo da cefaleia é a diferenciação entre causas primárias, que são usualmente benignas, e secundárias. Alguns fatores que aumentam o risco de doença grave devem ser investigados para a escolha do ambiente do manejo da cefaleia: se esta deverá ser investigada/tratada no âmbito hospitalar ou ambulatorial.

Uma classificação que pode ser útil para decisões de manejo é a de temporalidade. Nessa classificação, as cefaleias são divididas em quatro grupos: agudas, agudas recorrentes, crônicas não progressivas e crônicas progressivas. Dessas, as agudas e as crônicas progressivas são as que possuem maior risco de serem causadas por doenças graves.

A anamnese e o exame físico são a base para o diagnóstico do tipo de cefaleia e para a conduta inicial. É importante avaliar sempre a queixa da criança, se houver possibilidade de se expressar. Os cuidadores deverão estar disponíveis para esclarecer alguns pontos que a criança não consiga, mas deve-se ouvir a criança primeiramente para entender sua dor.

Avaliar durante a anamnese os seguintes fatores:

  • Início do quadro álgico;
  • Piora da dor ao longo do tempo;
  • Localização da dor;
  • Se a dor é uni ou bilateral;
  • Caráter da dor (se pulsátil, peso, etc);
  • Duração dos episódios de dor;
  • Intensidade da dor;
  • Impacto da dor na vida cotidiana da criança;
  • Sintomas associados com a dor (fotofobia, fonofobia, alterações no apetite, auras etc). Questionar aos pais sobre comportamentos associados aos episódios álgicos, como se esconder em quarto escuro, parar de brincar, etc.
  • Gatilhos da dor, incluindo alimentos, nível de estresse etc;
  • Fatores de melhora da dor, como deitar num quarto escuro e silencioso, por exemplo;
  • Uso de medicações para alívio da dor;
  • Doenças prévias e uso de medicações para essas doenças;
  • História familiar;
  • História social, incluindo aspectos da vida social e escolar e do tempo de uso de tela.

O exame físico desses pacientes deve ser realizado minunciosamente. Avaliar perímetro cefálico, seios da face, articulação temporomandibular, músculos cervicais, sinais de meningismo, nível de consciência, avaliação dos pares de nervos cranianos, força muscular, sensibilidade, reflexo, marcha e fundo de olho.

O manejo dos pacientes deverá ter como base a presença de sinais de alarme. Sinais de alarme sugeridos incluem os seguintes:

  • Duração recente da cefaleia (< 6 meses);
  • Confusão mental;
  • Alterações no exame neurológico;
  • Ausência de aura visual precedendo a cefaleia;
  • Vômitos;
  • Cefaleias relacionadas ao sono;
  • Ausência de história familiar positiva para enxaqueca;
  • Curso progressivo;
  • Quadro grave e agudo;
  • Mudanças nas características da cefaleia;
  • Piora da dor pela manhã;
  • Piora da dor com a manobra de Valsalva;
  • Cefaleias que pioram dependendo da posição da criança;
  • Cefaleias que são acompanhadas por crises convulsivas;

Sinais e sintomas de doenças sistêmicas

Os pacientes que se apresentam com sinais de alarme devem realizar exames de neuroimagem para exclusão de massas encefálicas e outras doenças mais graves. Porém, devemos lembrar que exames de neuroimagem, além de outros como EEG, punção lombar etc, não estão indicados de rotina em pacientes com cefaleias recorrentes sem anormalidades no exame neurológico e/ou sinais de alarme. Esses casos devem ser investigados e tratados ambulatorialmente.

Alguns autores porém indicam a realização de exames de neuroimagem em todas as crianças menores de seis anos que se apresentam com cefaleia, uma vez que causas primárias de cefaleia são raras nessa idade e o exame neurológico pode ser difícil de ser realizados nesses pacientes.

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Referências:

  1. KELLY, Meaghan et al. Pediatric headache: overview. Current opinion in pediatrics, v. 30, n. 6, p. 748-754, 2018.
  2. LANGDON, Raquel; DISABELLA, Marc T. Pediatric headache: an overview. Current problems in pediatric and adolescent health care, v. 47, n. 3, p. 44-65, 2017.
  3. GOFSHTEYN, Jacqueline S.; STEPHENSON, Donna J. Diagnosis and management of childhood headache. Current problems in pediatric and adolescent health care, v. 46, n. 2, p. 36-51, 2016.

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