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mulher com celular na mão

Cegueira associada ao uso de smartphone: está na hora de considerar esse diagnóstico!

Segundo um novo relato publicado na Neurology, a cegueira transitória de smartphone é um fenômeno real e pode contribuir para um diagnóstico errado de doença cerebrovascular ou desmielinizante.

A publicação relata a história de uma paciente saudável de 58 anos, que visitou uma clínica após passar por dois episódios de perda visual monocular transitória. Em ambos os casos, a mulher utilizou seu smartphone enquanto estava deitada de lado na cama, no escuro, usando apenas um dos olhos, por aproximadamente 10 minutos.

Ao se levantar, a visão do olho utilizado escureceu por cerca de 15 segundos e, em seguida, voltou ao normal um minuto depois. A paciente informou não sentir nenhuma dor durante os episódios.

Os autores do artigo relataram que a paciente não apresentou nenhum sintoma neurológico ou cardíaco, e também não tinha história de enxaqueca, desordens oftalmológicas ou fatores de risco cerebrovascular. Os exames oftalmológicos e cardiovasculares não apontaram nenhuma alteração. Ainda assim, a mulher foi diagnosticada com esclerose múltipla por um neurologista, com base em achados da RM.

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Em um follow-up de 6 meses, outra RM do cérebro não mostrou alterações e, após uma angiografia de ressonância magnética de cabeça e pescoço com resultado normal, cegueira transitória de smartphone foi finalmente diagnosticada. Os sintomas são causados por níveis temporariamente discrepantes de adaptação da luz entre as duas retinas.

Para os pesquisadores, o caso confirma a cegueira como fenômeno fisiológico clinicamente relevante, que deve ser incluído no diagnóstico diferencial da perda visual monocular transitória e indolor.

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Dr. Henrique Cal, neurologista e membro da Academia Brasileira de Neurologia, fala mais sobre o fenômeno:

“Em 2016, já houve um relato semelhante na NEJM e agora este da Neurology traz de novo à tona este fenômeno relevante para a prática clínica, porque estes episódios podem ser confundidos com doença cerebrovascular (AIT, por exemplo) ou doença desmielinizante (EM – Esclerose Múltipla ou outras causas de neurite óptica).

A questão é que se deve ter cuidado para que a impressão diagnóstica e a conduta não sejam influenciados inadequadamente pelos achados de RM; num dos casos relatados, por exemplo, a paciente chegou a realizar LCR e ainda lhe foi recomendado início de medicação específica para EM.

De qualquer modo, pelo uso cada vez mais frequente dos smartphones em tão diversas situações cotidianas, este deve ser lembrado na anamnese como possível diagnóstico diferencial para perda visual monocular transitória e indolor”, recomenda Dr. Henrique.

Referências:

  • Transient smartphone blindness: Relevance to misdiagnosis in neurologic practice. Saraniya Sathiamoorthi, BS and Dean M. Wingerchuk, MD, FRCP(C). Published online before print January 18, 2017, doi: http:/ / dx. doi. org/ 10. 1212/ WNL. 0000000000003639
  • Transient Smartphone Blindness’ Misdiagnosed as Multiple Sclerosis?. Medscape. Feb 02, 2017.

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