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Ceratoses actínicas

Ceratoses actínicas e campo de cancerização: como tratar?

Tempo de leitura: 3 minutos.

Ceratoses actínicas são proliferações intraepiteliais atípicas dos queratinócitos, consideradas lesões pré-malignas. Possuem alta prevalência e surgem devido à exposição crônica da pele a radiação ultravioleta (UV). As lesões clinicamente visíveis são a primeira manifestação do processo de carcinogênese, que varia de uma displasia intraepitelial até o carcinoma espinocelular invasivo.

O conceito de campo de cancerização, primariamente introduzido em 1953 por Slaughter et al, engloba não somente as lesões visíveis de ceratose actínica, como também a pele, aparentemente normal, que circunda essas lesões. A fisiopatologia do campo de cancerização baseia-se em queratinócitos, que após um período de acúmulo de mutações genéticas ocasionadas devido à exposição a radiação UV (UVA e UVB), dividem-se e começam a criar um campo de células pré-malignas. Entretanto, nem todas essas células originarão lesões visíveis. Desta forma, este conceito sugere que a pele que circunda lesões de ceratose actínica estão em alto risco de possuir anormalidades genéticas e possível chance de transformação maligna, uma vez que toda a área foi exposta a mesma radiação UV.

O tratamento das ceratoses actínicas deve focar não apenas nas lesões em si, mas na área onde elas se desenvolveram, ou seja, no campo de cancerização, salvo em algumas exceções. Os objetivos dessa ampliação da terapia são:

  • Eliminar lesões clinicamente visíveis, assim como lesões subclínicas;
  • Prevenir o desenvolvimento de carcinoma espinocelular;
  • Aumentar a taxa de remissão completa e diminuir as taxas de recorrências (complicações comuns das terapias direcionadas a lesões visíveis), uma vez que toda a área exposta será tratada.

Existem diversas modalidades terapêuticas desenvolvidas com intuito de cobrir todo o campo de cancerização. Dentre as possibilidades, temos:

  • Terapia fotodinâmica (TFD), com ácido aminolevulínico (ALA) ou metilaminolevulinato (MAL);
  • 5-fluorouracil (5-FU) creme 5, 1 ou 0,5%;
  • Imiquimod creme 5 ou 3,75%;
  • Gel de diclofenaco 3%;
  • Gel de piroxicam 1 ou 0,8%;
  • Gel de ingenol mebutato 5 ou 3,75%.

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Como escolher?

Recentemente, foi publicado na American Journal of Clinical Dermatology um artigo de revisão, em que os autores propõem um algoritmo de tratamento para ceratoses actínicas, visto que não há um amplamente aceito. O objetivo é auxiliar na escolha do melhor tratamento para cada paciente, de acordo com as características físicas de cada um e também, levando em consideração, os aspectos das lesões.

O primeiro passo é decidir pelo tratamento direcionado ou do campo de cancerização. Os autores recomendam terapias direcionadas, como a crioterapia, para pacientes com poucas lesões bem definidas. A terapia do campo de cancerização é recomendada para qualquer superfície corporal com múltiplas lesões (> 4-8), principalmente em áreas fotoexpostas e quando o paciente tem uma história de exposição solar significativa, ceratoses actínicas recorrentes, imunossupressão crônica e história de câncer de pele não-melanoma. Em curto prazo, é provável que essa terapia se torne a melhor escolha para pacientes de alto risco, como os transplantados.

Decidido pelo tratamento do campo de cancerização, o próximo passo é a decisão entre a TFD e a terapia tópica. As vantagens da TFD são:

  • O procedimento pode ser realizado em um dia;
  • Tem altas taxas de cura;
  • Excelentes resultados estéticos após uma a duas sessões;
  • Período mais curto de inflamação induzida pela técnica, em comparação com as terapias tópicas.

A TFD, geralmente, tem mais sucesso do que a terapia tópica quando a adesão do paciente está em questão, especialmente dada a aplicação diária durante meses exigida por alguns tópicos. Resultados insatisfatórios, após tentativas anteriores de tratamento com tópicos, é outro motivo para considerar a TFD. Contudo, a TFD convencional tem a desvantagem de ocasionar dor durante a iluminação, embora novas técnicas, como a TFD com luz do dia (do inglês, Daylight-PDT), possam amenizar esse efeito indesejado.

Em relação aos tópicos, os estudos mostraram eficácia semelhante entre eles, mas seus eventos adversos associados e resultados cosméticos diferem. Quando associados ao filtro solar são mais vantajosos, dada a importância do uso regular do filtro no controle da ceratoses actínicas. As desvantagens das terapias tópicas incluem um curso de tratamento mais prolongado (até 16 semanas) e efeitos adversos, como a fotossensibilidade, que reduz a capacidade do paciente de tolerar o tratamento. Essas desvantagens podem diminuir a aderência do paciente e, em última análise, resultar em uma eficácia inadequada.

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Autor:

Referências:

  • Jetter N, Chandan N, Wang S, Tsoukas M. Field cancerization therapies for manegement of actinic keratosis: a narrative review. Am J Clin Dermatol. 2018 Mar 26.

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