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Cetamina x fentanil: qual fármaco é mais eficaz na analgesia em crianças?

Tempo de leitura: 3 minutos.

A analgesia é um componente indispensável no manejo de pacientes pediátricos. Prevenir e tratar adequadamente a dor é responsabilidade do pediatra, sob uma perspectiva ética e humanitária. Uma abordagem correta facilita a execução de procedimentos invasivos e permite uma reabilitação melhor e mais rápida. No entanto, pacientes pediátricos não são meramente adultos pequenos. A analgesia segura em pediatria requer apreciação e compreensão clara das diferenças anatômicas e fisiológicas entre diferentes faixas etárias 1,2,3.

Quando as crianças recebem medicação para a dor, muitas vezes encontram longos atrasos na administração, em parte devido ao tempo necessário para obtenção de acesso venoso. A via de administração intranasal (IN) é uma alternativa mais eficiente para fornecer analgesia e está ganhando popularidade devido ao rápido início de ação, desconforto mínimo e relativa simplicidade 4.

Os opioides são a classe de analgésicos mais comumente usada para crianças que apresentam dor intensa devido a lesões traumáticas, mas apresentam vários efeitos adversos. Como anestésico dissociativo, a cetamina é usada para facilitar procedimentos dolorosos em pediatria. Em doses subdissociativas, a cetamina está surgindo como uma medicação alternativa para o tratamento da dor em crianças 4.

Com o objetivo de determinar se a cetamina IN não é inferior ao fentanil IN para redução da dor em crianças com lesões agudas de extremidades sem a administração rotineira de ibuprofeno/acetaminofeno, Frey et al. conduziram o estudo PRIME (Pain Reduction With Intranasal Medications for Extremity Injuries). O PRIME foi um estudo de não inferioridade, duplo-cego, randomizado e com controle ativo em um centro de trauma pediátrico terciário, realizado entre março de 2016 e fevereiro de 2017.

Os participantes eram crianças e adolescente com idades entre 8 e 17 anos que deram entrada no departamento de Emergência com dor moderada a grave devido a lesões traumáticas em membros. As análises foram com intenção de tratar e começaram em maio de 2017. As intervenções utilizadas foram cetamina IN (1,5mg/kg) ou fentanil IN (2,0 μg/kg). O desfecho primário foi a redução no escore de dor na escala analógica visual 30 minutos após a intervenção. A margem de não inferioridade para este desfecho foi 10 4.

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Das 90 crianças envolvidas no estudo, 45 (50%) foram alocadas para cetamina com média de idade 11,8 anos [desvio padrão (DP) 2,6]. Destas, 26 eram do sexo masculino (59%). Das 45 crianças que foram submetidas ao uso de fentanil (50%), a média de idade foi 12,2 (DP 2,3) anos, sendo que 31 eram do sexo masculino (74%) 4.

Após 30 minutos de medicação, a redução média da escala analógica visual foi de 30,6 mm [Intervalo de confiança (IC) 95%: 25,4-35,8] para a cetamina e 31,9 mm para o fentanil (IC 95%: 26,6-37,2). A cetamina não foi inferior ao fentanil para redução da dor com base em um teste unilateral de diferença de grupo inferior à margem de não inferioridade. O risco de eventos adversos foi maior no grupo cetamina (risco relativo [RR] 2,5; IC 95%, 1,5-4,0), mas todos os eventos foram menores e transitórios. A analgesia de resgate foi semelhante entre os grupos (RR 0,89; IC 95%, 0,5-1,6) 4.

Dessa forma, o estudo concluiu que a cetamina fornece analgesia eficaz que não é inferior ao fentanil, embora os participantes que receberam cetamina tivessem um aumento nos eventos adversos que foram menores e transitórios. Para os autores, a cetamina IN pode ser uma alternativa apropriada ao fentanil IN para dor associada a lesões agudas de extremidades e deve ser considerada para o tratamento da dor em pediatria, especialmente em pacientes que possam apresentar maior risco de efeitos adversos com o uso de opioides 4.

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Autor:

Referências:

1. MIYAKE, R. S.; REIS, A. G.; GRISI, S. Sedação e analgesia em crianças. Revista da Associação Médica Brasileira, v. 44, n. 1, p. 56-64, 1998.
2. MAHMOUD, M. Essentials of Pediatric Physiology and Anatomy. Pediatric Sedation Outside of the Operating Room Conference Syllabus. San Francisco, California: Harvard Medical School. Sept. 2016.
3. MOTTA, E. et al. Importance of the use of protocols for the management of analgesia and sedation in pediatric intensive care unit. Revista da Associação Médica Brasileira, v.62, n.6, p. 602-9, Sept. 2016.
4. FREY, T. M.; FLORIN, T. A.; CARUSO, M.; ZHANG, N.; ZHANG, Y.; MITTIGA, M. R. Effect of Intranasal Ketamine vs Fentanyl on Pain Reduction for Extremity Injuries in Children: The PRIME Randomized Clinical Trial. JAMA Pediatrics, 2018.

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