Cientistas que descobriram o vírus da hepatite C ganham Nobel de Medicina 2020

Tempo de leitura: 3 min.

Nesta segunda-feira, 05, o instituto sueca Karolinska, responsável pela escolha dos ganhadores do prêmio Nobel, anunciou os vencedores da área de Medicina. Os cientistas americanos Charles Rice e Harvey Alter e o britânico Michael Houghton foram reconhecidos pela descoberta do vírus da hepatite C.

Segundo o júri, “A descoberta do vírus da hepatite C revelou a causa dos demais casos de hepatite crônica quando só os vírus A e B eram conhecidos, e possibilitou analisar o sangue e desenvolver novos medicamentos que salvaram milhões de vidas”.

Hepatite C

A hepatite C é uma doença infecciosa e inflamatória causada pelo vírus C da hepatite (HCV). Apesar de poder se manifestar de forma aguda ou crônica, os casos crônicos são mais comuns, já que a evolução da doença costuma ser silenciosa.

Segundo as estimativas, em torno de 71 milhões de pessoas estão infectadas pelo vírus da hepatite C; aproximadamente 400 mil morrem todos os anos por complicações da doença, especialmente cirrose e carcinoma hepatocelular.

Na infecção aguda muitos casos são assintomáticos, o que dificulta a identificação e atrasa o início do tratamento. Sintomas estão presentes na minoria de casos (20 a 30%), se iniciam entre quatro a 12 semanas após exposição e, geralmente, são inespecíficos, como: anorexia, astenia, mal-estar e dor abdominal. Alguns pacientes apresentam icterícia ou colúria. Casos de insuficiência hepática ou casos fulminantes são extremamente raros

Na ausência de tratamento, ocorre cronificação em 60 a 85% dos casos. A eliminação viral espontânea, após a infecção aguda pelo HCV, ocorre em 15 a 40% dos casos. Em média, 5 a 30% podem evoluir para cirrose ao longo do tempo.

Os sintomas mais comuns da hepatite crônica são: icterícia, ascite, esplenomegalia e hepatomegalia (embora, em estágios mais avançados, o fígado possa estar diminuído devido à fibrose). Também podem ocorrer edema de membros inferiores, circulação colateral proeminente, diminuição da pressão arterial (pacientes previamente hipertensos podem tornar-se normotensos ou até hipotensos), telangiectasias, ginecomastia e atrofia testicular no homem, eritema palmar, distrofia ungueal e flapping.

A doença pode ser transmitida por vias parental, sexual e percutânea. Um menor número de casos acontece por transmissão vertical.

Descobertas sobre o vírus HCV

Na década de 1970, o virologista americano Harvey J. Alter e sua equipe foram responsáveis por identificar que havia um outro vírus, que não era da hepatite A ou B, causador da maioria dos casos de hepatite crônica.

Apenas na década seguinte, o britânico Michael Houghton, em colaboração com o Centers for Disease Control and Prevention dos EUA, recorreu a uma nova estratégia para identificar o vírus, baseada em clonagem molecular. Ao isolar o genoma, Houghton conseguiu identificar o que é hoje o HCV.

Ouça também: Combate às Hepatites Virais: como tratar as hepatites e quando encaminhar para transplante? [podcast]

Alter participou da confirmação do vírus, ao verifica sua presença em uma cultura de seu vírus até então desconhecido. Em 1989 foi publicada na Science a descoberta do vírus da hepatite C.

Anos depois, o americano Charles M. Rice trabalhou durante décadas com o HCV. Ele foi o primeiro cientista a conseguiu reproduzir uma versão do vírus que poderia ser cultivada e estudada em laboratório. Esse marco levou diretamente à criação de novas classes de medicamento para tratar a infecção que, segundo estudos, consegue reduzir a carga viral a níveis indetectáveis.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

Referências bibliográficas:

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Publicado por
Clara Barreto

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