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Cirurgia de Whipple por videolaparoscopia tem pior desfecho do que a aberta?

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Cirurgia de Whipple, conhecida também como duodenopancreatectomia, foi muito questionada nos anos 60, devido a sua alta morbidade e mortalidade. Com os avanços dos cuidados pré e pós-operatórios, a cirurgia ganhou popularidade nas décadas de 80 e 90, principalmente nos casos de tumores da região peri-ampular. Atualmente, o procedimento pode ser realizado até mesmo videolaparoscopia, no entanto, um artigo recente do The Lancet indica que essa técnica pode estar relacionada a complicações mais graves.

Para chegar nessa conclusão, pesquisadores realizaram um ensaio clínico de fase 2 randomizado, duplo-cego, multicêntrico, em quatro centros da Holanda, cada um com 20 ou mais duodenopancreatectomia por ano. Os cirurgiões que participaram do estudo foram treinados na técnica de videolaparoscopia.

cirurgia no idoso

Cirurgia de Whipple: videolaparoscopia vs. aberta

No total, 42 pacientes com indicação benigna, pré-maligna ou maligna para a cirurgia, sem sinais de envolvimento vascular, foram randomizados para submeter-se à duodenopancreatectomia laparoscópica ou aberta. O objetivo principal do estudo foi avaliar a segurança da videolaparoscopia (complicações e mortalidade) e o desfecho primário foi o tempo para recuperação funcional em dias, definidos como:

  • Controle adequado da dor com apenas analgesia oral;
  • Mobilidade independente;
  • Capacidade de manter mais de 50% da ingestão calórica diária necessária;
  • Nenhum sinal de infecção (temperatura < 38,5 °C);
  • Sem administração de fluidos intravenosos.

Resultados da fase 2

Dois pacientes não receberam cirurgia e foram excluídos das análises. Três pacientes morreram dentro de 90 dias após a cirurgia de Whipple por videolaparoscopia, em comparação com nenhum após o procedimento aberto. Com base nos dados de segurança, o comitê de monitoramento de dados e segurança e o comitê de protocolo concordaram em prosseguir com a fase 3.

Resultados da fase 3

Mais 63 pacientes foram incluídos na fase 3 do estudo. Quatro pacientes não receberam cirurgia e foram excluídos das análises. Após a randomização dos participantes, o estudo teve que ser prematuramente encerrado devido à diferença na mortalidade relacionada a complicações em 90 dias:

  • 5 (10%) de 50 pacientes no grupo laparoscópico versus 1 (2%) de 49 no grupo aberto (hazard ratio [HR]: 4,90; IC de 95%: 0,59 a 40,44; p = 0,20).

A mediana de tempo para a recuperação funcional foi de 10 dias (IC de 95%: 5 a 15) após a videolaparoscopia versus 8 dias (IC de 95%: 7 a 9) após a cirurgia aberta (p = 0,80). Complicações de Clavien-Dindo grau III ou superior foi de 25 (50%) pacientes após videolaparoscopia versus 19 (39%) após cirurgia aberta (HR: 1,29; IC de 95%: 0,82 a 2,02]; p = 0,26). Fístulas pancreáticas pós-operatórias de grau B e C foram observadas em 14 (28%) versus 12 (24%) dos participantes (p = 0,69).

Conclusões

Pelos achados, os pesquisadores concluíram que a cirurgia de Whipple por videolaparoscopia tem pior desfecho do que aberta. Experiência, curva de aprendizado e volume anual de procedimentos podem ter influenciado os resultados e pesquisas futuras devem se concentrar nessas questões.

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Referências:

  • Van Hilst J, et al “Laparoscopic versus open pancreatoduodenectomy for pancreatic or periampullary tumours (LEOPARD-2): a multicentre, patient-blinded, randomised controlled phase 2/3 trial” Lancet Gastroenterol Hepatol 2019; doi.org/10.1016/S2468-1253(19)30004-4.

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