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Citomegalovírus: rastreio deve ser realizado em gestantes?

Tempo de leitura: 2 minutos.

Não é raro o médico infectologista atender no consultório uma gestante angustiada, em razão de um resultado de IgM positivo para citomegalovírus (CMV). Na toxoplasmose, por exemplo, a solicitação da avidez da IgG tem por finalidade ajudar a diferenciar infecção antiga (alta avidez) de infecção recente (baixa avidez), quando a IgM é confirmadamente positiva. Pode ajudar a definir conduta, pois é possível utilizar a espiramicina na tentativa de evitar a transmissão para o feto.

Mas e o CMV? Existe algum tratamento para a gestante que possa prevenir a infecção fetal? Até existe. Estudos que utilizaram imunoglobulina parecem promissores, mas são pequenos ou inconsistentes. Os antivirais, em modelos animais, apresentam toxicidade e tem potencial efeito teratogênico, razão pela qual devem ser evitados.

A paciente que já entrou em contato com o vírus (IgG positiva) também tem risco de reativação, ainda que muito menor. Mas se imaginarmos que cerca de 90% da população pode já ter entrado contato com o CMV, qual seria a vantagem do rastreio?

Leia mais: Infecção materna por citomegalovírus: o que é e como investigar?

Além do que, vimos que até o momento não há droga específica aprovada com bom nível de evidência para tratamento dos casos com evidência de soroconversão recente. Além de onerar o sistema, poderiam ser realizados exames discutíveis com risco maior que o benefício. Sem falar na preocupação para a gestante, ocasionada pelos resultados das sorologias.

O Ministério da Saúde, nas suas recomendações para acompanhamento pré-natal de gestação de alto risco, coloca como desnecessária a triagem de rotina para gestantes, corroborando com as recomendações mundiais. A FEBRASGO e o CDC também não a recomendam.

Desta forma, até que tenhamos estudos  mais esclarecedores, principalmente em relação à imunoglobulina, não é recomendável o rastreio sistemático de citomegalovírus na gestação. Alguns especialistas, entretanto, defendem que a triagem pode ajudar na pediatria, no acompanhamento dos sintomas e sequelas tardias de bebês potencialmente infectados.

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Autor:

Diego Blanco

Médico infectologista, formado pela USS – Vassouras/RJ ⦁ Residência pelo Hospital do Heliópolis

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