Como a enfermagem pode ajudar no combate e manejo de casos de dengue?

Tempo de leitura: 3 min.

Ainda que a chegada do novo coronavírus (COVID-19) em território nacional cause preocupação e requeira a devida atenção, a população e os profissionais de saúde não devem deixar de manter o foco no enfrentamento de uma das maiores epidemias brasileiras, a dengue. O número de pessoas infectadas pelo vírus causador da dengue é tão grande como de infectados pelo COVID-19 pelo mundo, no entanto, a dengue como condição infecciosa apresenta maior taxa de mortalidade.

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Dengue

Segundo dados do Boletim Epidemiológico, que foi publicado pelo Ministério da Saúde em fevereiro de 2020, foram notificados 57.485 de casos prováveis de dengue, que se comparado a mesma época do ano passado demonstram um aumento sutil, porém muito maior se comparado ao ano de 2018 no mesmo período o que deve gerar um alerta aos serviços de saúde.

Outros dados demonstram que estados com maior incidência como o Paraná já apresenta uma taxa elevada de óbitos por dengue, só na semana entre 4 e 10 de fevereiro deste ano, por exemplo, foram confirmados seis óbitos e ainda nem chegamos nos meses considerados de alta incidência devido as chuvas e maior proliferação do mosquito, como o mês de abril.

Leia também: Febre maculosa: qual a abordagem da enfermagem?

Por definição, o agente biológico causador da dengue é considerado como do tipo arbovírus, que são vírus transmitidos pela picada de insetos, especialmente mosquitos. Existem quatro tipos diferentes do vírus da dengue (DEN-1; DEN-2; DEN-3; DEN-4) e uma vez que o individuo é infectado ele passa a adquirir imunidade permanente. As principais manifestações clínicas são: febre alta (maior que 38.5 ºC); mal estar; dor de cabeça; dor muscular; falta de apetite; e manchas vermelhas pelo corpo. Pode ser autolimitada ou evoluir para formas graves como: dengue hemorrágica podendo ser fatal.

O profissional de enfermagem por estar presente em todos os níveis de atenção à saúde, deve assumir um papel fundamental no enfrentamento de doenças epidêmicas como a dengue, sendo responsável por inúmeras ações que englobam principalmente a prevenção, a assistência aos infectados, o monitoramento e a notificação e controle de novos casos.

Principais ações de enfermagem

Prevenção: a melhor maneira de prevenir é evitar a proliferação do vetor, o mosquito Aedes Aegypti, para isso os profissionais de enfermagem devem orientar a população:

  • Evitar água parada;
  • Manter a caixa de água fechada;
  • Eliminar utensílios que mantenham água parada;
  • Manter tampado tonéis e barris de água;
  • Encher com areia pratos de plantas;
  • Lavar com água e sabão os tanques que armazenam água (semanalmente);
  • Encaminhar para lixeira todos utensílios que possam acumular água;
  • Lixeiras devem estar bem fechadas;
  • Manter as calhas limpas;
  • Evitar água acumulada nas lajes.
  • Utilizar folhetos e banners informativos para orientar a população.

Mais da autora: Quais os cuidados de enfermagem durante o óbito e pós-óbito?

Manejo: em casos de dengue sem sinais de alerta ou gravidade.

  • Proceder com entrevista; exame físico e aferição de sinais vitais. Proceder com Sistematização da Assistência de Enfermagem e atentar para sinais de complicação;
  • Utilizar estadiamento clínico de acordo com o definido pelo ministério da saúde;
  • Reavaliar sempre que necessário para possível reestadiamento até a consulta médica.
  • Coletar exames se necessário de acordo com protocolo institucional;
  • Promover primeiramente hidratação oral com soro de reidratação e se necessário hidratação por via endovenosa ou subcutânea;
  • Monitorar evolução das manifestações clínicas, após medidas inciais;
  • Administrar medicações prescritas;
  • Orientar uso de medicações no domicílio;
  • Orientar sobre o risco de medicações como salicilatos ou antiinflamatórios que possam causar sangramentos;
  • Fornecer informações aos pacientes e familiares sobre principais sinais e sintomas, manifestações clínicas de agravamento e quando necessário voltar a unidade de saúde;
  • Orientar cuidados em domicílio após alta, principalmente hidratação oral em torno de 60 ml por kilo do paciente, sendo 1/3 solução salina.
  • Orientar e agendar retorno para reavaliação entre terceiro e sexto dia.
  • Orientar sobre a necessidade de repouso;
  • Todos os casos suspeitos devem ser notificados.
  • Fornecer informações para Atenção Primária à Saúde, a fim de promover o monitoramento de casos suspeitos ou confirmados e medidas de prevenção em regiões endêmicas;
  • Realizar todo tipo de anotação e evolução de enfermagem.

Por último, vale lembrar que outras doenças comuns no Brasil são provocadas pelo mosquito Aedes aegypti como zika e chikungunya, portanto, a melhor estratégia é prevenir a proliferação desses vetores. Além disso, todos os profissionais da saúde e podem encontrar informações detalhadas no site do Ministério da Saúde que conta ainda com um Manual de Enfermagem exclusivo para combate e manejo da dengue.

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Autora:

  • Ministério da Saúde. Boletim Epidemiológico. Volume 51. Secretaria de Vigilância em Saúde. [Internet]; 2020; [citado em fevereiro de 2020].
  • Ministério da Saúde. Dengue Manual de Enfermagem. 2 edição. Brasilia-DF. [Internet]; 2013; [citado em fevereiro de 2020].
  • Ministério da Saúde. Dengue: sintomas, causas, tratamento e prevenção. [Internet]; s data; [citado em fevereiro de 2020].
  • El País. Dengue coloca o Brasil na mira de um novo surto em meio a preocupação com o coronavírus. [Internet]; 2020; [citado em fevereiro de 2020].
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Publicado por
Paula Damaris Chagas Barrioso
Tags: dengue

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