Saúde & Tecnologia

Como a medicina regenerativa pode contribuir na evolução das doenças?

Tempo de leitura: 4 min.

A medicina regenerativa pode retardar a evolução das doenças degenerativas que costumam devastar a última década de vida das pessoas, revelou um estudo publicado na revista “NPJ Regenerative Medicine”.

É verdade que a expectativa de vida quase dobrou desde os anos 50, mas infelizmente a expectativa de saúde (o número de anos sem doenças) não acompanhou o ritmo.

Segundo o artigo Longevity leap: mind the healthspan gap, publicado no ano passado, de maneira geral, os indivíduos vivem mais tempo, mas as suas últimas décadas de vida são pautadas por doenças crônicas relacionadas ao envelhecimento, o que diminui a qualidade de vida e gera uma grande sobrecarga de custos para a sociedade.
Os pesquisadores da Mayo Clinic sustentam que as novas soluções para aumentar a expectativa de saúde estão na intersecção da pesquisa em medicina regenerativa, na investigação para retardar os efeitos da velhice, nos cuidados clínicos e no apoio social.

De acordo com o estudo, uma abordagem regenerativa pode oferecer a esperança de estender a longevidade da boa saúde, como explicou o médico cardiologista da Mayo Clinic, André Terzic, que também é autor sênior do artigo.
“As diversas populações em processo de envelhecimento, vulneráveis a doenças crônicas, estão no limiar de um futuro promissor. De fato, as crescentes opções regenerativas oferecem oportunidades para impulsionar a cura inata e lidar com o declínio associado ao envelhecimento. A perspectiva de um bem-estar prolongado empenha-se para alcançar a saúde para todos”, afirmou André Terzic, que também é diretor da fundação Marriott Family, do programa de Medicina Regenerativa Cardíaca Abrangente, do Centro de Medicina Regenerativa e professor de pesquisa cardiovascular da fundação Marriott Family.

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Avanços nas pesquisas regenerativas 

Um fato curioso foi que essa recente pesquisa também aumentou a compreensão sobre as tecnologias que visam e removem as chamadas “células zumbis” que se acumulam com o avanço da idade. As também conhecidas como células senescentes expelem proteínas nocivas e substâncias químicas que contribuem para o aparecimento de enfermidades e debilidades. Quando as células se tornam senescentes, elas não mais se dividem e não mais se diferenciam. Além disso, elas perdem a capacidade de reparar os tecidos doentes.

“Os avanços em termos de tecnologia antissenescente e regenerativa oferecem uma esperança de estender a expectativa de vida e viver os anos mais longevos sem doenças”, explicou o médico Armin Garman, primeiro autor do artigo e aluno de Ph.D. em rastreamento das ciências regenerativas na Alix School of Medicine da Mayo Clinic.

As novas intervenções regenerativas no horizonte demonstram-se promissoras para o tratamento de doenças crônicas, como os avanços na terapia de células T com receptor de antígeno quimérico, que desperta a capacidade do corpo de reconhecer e destruir alguns cânceres.

“A prontidão clínica das terapias regenerativas relativas às enfermidades do envelhecimento está amadurecendo. A evolução do conhecimento em termos de ciências regenerativas está oferecendo ferramentas para deter ou reverter a progressão de doenças refratárias, transformando os objetivos do controle de doenças do cuidado para a cura”, destacou a médica cardiologista Satsuki Yamada e coautora do estudo.

Cuidados clínicos e regenerativos 

Segundo os cientistas, o aumento dos registros eletrônicos de saúde e da inteligência artificial oferece novas formas de analisar os diversos conjuntos de dados e identificar as terapias regenerativas adequadas às necessidades individuais, ajudando a atrasar o surgimento de doenças crônicas no final da vida.

Eles explicam que direcionar os procedimentos regenerativos para uma multiplicidade de doenças crônicas relacionadas à idade poderia ser uma maneira poderosa de preencher a lacuna entre a expectativa de saúde e a expectativa de vida.

“O modelo regenerativo de cuidados clínicos está pronto para avançar em uma perspectiva de longevidade sem enfermidades, transformando a prática atual no cuidado ao paciente. A implementação efetiva da inovação médica de próxima geração será acelerada pelo aumento da tomada de decisões”, afirmou André Terzic.

Iniciativas em saúde pública podem ajudar a prolongar uma vida saudável 

Outra possível perspectiva viável é que iniciativas em saúde pública poderiam contribuir para a longevidade da saúde com simples ações, como proibir o fumo em público, obrigar a aplicação de rótulos de informações nutricionais e promover vacinações para retardar ou prevenir as condições degenerativas que surgem mais tarde na vida.

Além disso, abordar os determinantes sociais da saúde poderia contribuir para a prevenção ou retardamento de muitas enfermidades. “Adversidades na infância, alienação social, status socioeconômico inadequado e acesso comprometido aos cuidados de saúde estão todos associados à desigualdade na saúde e à redução da expectativa de vida. Abordar esses problemas está no cerne da prevenção de doenças”, enfatizou Armin Garman.

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A demografia mundial calcula a expectativa de vida em 73 anos, porém a idade média do surgimento das doenças crônicas é de 64 anos. E essa lacuna poderia ser preenchida com iniciativas adequadas de políticas públicas e aplicação de novas descobertas regenerativas e antissenescência aos cuidados clínicos.

Os especialistas ressaltam ainda que os avanços importantes que aumentam a expectativa de vida poderiam ser potencialmente combinados com mais anos de boa saúde. Isso realmente seria maravilhoso, não?

Referências bibliográficas:

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Publicado por
Úrsula Neves

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