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Como é possível o médico trabalhar para a indústria farmacêutica?

Tempo de leitura: 3 minutos.

A pergunta contida no título é comum no dia a dia dos médicos que trabalham na indústria farmacêutica. Durante os anos da faculdade, muitas vezes apreendemos o conceito de que a indústria farmacêutica é ruim, que só produz estudos carregados de viés, e que o interesse desta seria puramente comercial.

Ao longo dos anos, percebi que estes conceitos não eram tão reais assim. Obviamente uma empresa que vende remédios tem sim interesses comerciais, mas a cada dia as companhias buscam novos jeitos de enxergar o negócio de maneira estratégica, pois sabem que vender remédio a todo custo não funciona: se o remédio é inadequado, o paciente não melhora, ou até piora, e o barulho que isso causa é muito maior. Vender a droga certa para o paciente certo, pelos motivos mais corretos ainda, passa a ser a busca de toda empresa séria e comprometida com o paciente. E quem seria o profissional ideal para liderar a estratégia para atingir este objetivo? O médico.

Anteriormente, médicos que trabalhavam na indústria farmacêutica eram basicamente treinadores de equipes comerciais, revisores de materiais promocionais e “resolvedores” de problemas com médicos prescritores importantes, e atuavam fracamente na área de pesquisa clínica. Porém, há uma forte tendência de contratação de profissionais para as áreas médicas, com formação no setor de saúde, mas também médicos, que são raridade de serem achados no mercado de trabalho.

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Gerir a estratégia de negócio é um desafio diário. Propor soluções para beneficiar os pacientes, e que sejam estratégicas, mais ainda. Infelizmente, durante a formação médica somos impelidos a sermos bons médicos, porém pouco conhecemos de estratégia, gestão e marketing, assuntos que frequentemente temos de conviver, uma vez que muitas vezes somos profissionais autônomos, e não incomumente metemos os pés pelas mãos.

Não é uma carreira fácil, exige tempo, dedicação, disponibilidade para viagens, compreensão de processos de pesquisa clínica, gestão de pessoas (frequentemente médicos na indústria farmacêutica são gestores de pessoas), entendimento de processos internos, forte relação com o compliance e relacionamento com médicos da área, compartilhamento de responsabilidades e trabalho com as áreas de marketing e de comercial, treinamento de força de vendas, gestão e suporte de programas de suporte ao paciente, além de conhecimento científico adequado do(s) produto(s) que se trabalha. Parece muita coisa, não é? E é mesmo.

O caminho mais comum de se iniciar esta jornada é a carreira de MSL  (Medical Science Liaison), profissional responsável por visitar grandes centros de atendimento e pesquisa, e que geralmente trabalha diretamente com importantes formadores de opinião na área, não somente compartilhando conhecimento, mas por vezes atuando na gestão de projetos de pesquisa apresentados à empresa, e muito, MUITO estudo e atualização. Depois disso, as possibilidades são infinitas: MSL leader, Gerente médico, Head de área terapêutica, Diretor Médico,Diretor de publicações…

Apesar de incomum, a carreira na indústria farmacêutica é mais uma possibilidade frente a tantos caminhos que se pode encontrar na carreira médica, e, caso este caminho te encontre, procure saber mais, entenda melhor e veja se é uma opção para você. É possível fazer um trabalho interessante, desenvolver-se pessoal e profissionalmente, gerar bons frutos no trabalho e ainda ser parte de uma organização complexa, por vezes multinacionais, como frequentemente são as indústrias farmacêuticas.

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Autor:

Graduada em Medicina pela Universidade Federal de Juiz de Fora ⦁ Especialista em Neurologia pela Santa Casa de Belo Horizonte ⦁ Coordenadora do Ambulatório de Investigação e Tratamento de Mielites do CAPPEM(Centro de atendimento ao Portador de Esclerose Múltipla e outras doenças neuroimunológicas) da Santa Casa de Belo Horizonte ⦁ Medical Therapeutic Area Head de Neurologia e Imunologia da Merck Brasil ⦁ Gerente de Medical Affairs em uma startup de educação médica.

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