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Como comportamento do cirurgião afeta seus resultados

Cirurgia, Colunistas, Psicologia Médica
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Tempo de leitura: 2 minutos.

A cirurgia, na sua origem uma dissidência da medicina “física”, herdou de seus ancestrais características que perduram até hoje em dia, quase inerentes à atividade. Enquanto os “físicos” valiam-se de um conhecimento científico elevado, capacidade sublime de dominar as fragilidades do ser humano e a arte de fazer diagnósticos usando apenas o raciocínio, os “barbeiros” utilizavam a truculência das lâminas cortantes, a naturalidade ao lidar com sangue e uma presumível frieza quanto à dor dos pacientes na precária era pré-anestesia. 

Apesar de muita coisa ter mudado desde aquela época – inclusive a própria cirurgia, que atravessou o século dos cirurgiões segundo o escritor Jürgen Thorwaldstais características resistiram ao tempo e ainda estão estampadas na personalidade de muitos colegas. Muitas vezes, são sinônimo, até, de habilidade técnica. Quem não conhece um cirurgião que “tem aval para ser grosseiro, porque é o Dr Fulano?”

Comportamento x Resultado

Um estudo publicado ano passado na AMA Journal of Ethics salienta que há um estereótipo do médico que “grita com enfermeiros, destrata colegas e joga instrumentos cirúrgicos na parede”.  Existe até um movimento recente nas redes sociais, intitulado #ILookLikeASurgeon, que brinca com essa imagem. Essas características da personalidade dos cirurgiões difundiram-se não apenas entre os profissionais da saúde, mas entre os pacientes, que acabam associando a personalidade aos bons resultados.

Entretanto, um paper recente da conceituada JAMA Surgery – a revista científica com o maior fator de impacto no tema cirurgia em 2019 – desfaz essa estranha associação. Em uma coorte retrospectiva, analisando dados do National Quality Improvement Program, foram comparados quase 13700 pacientes operados por 202 cirurgiões, acompanhados por 36 meses.

O estudo compara os resultados pós-operatórios dos cirurgiões “bem comportados” com os resultados dos que tiveram, ao menos, uma queixa sobre o seu comportamento, seja referente à comunicação com a equipe, às responsabilidades médicas ou a cuidados com a segurança. Os pacientes operados pelo segundo grupo de cirurgiões apresentou uma probabilidade 12% a 14% maior de enfrentarem complicações pós-operatórias em 30 dias, incluindo infecção cirúrgica, pneumonia, AVC e insuficiência renal.

Conclusões do estudo

A provável explicação, levantada pelos autores, é que a personalidade áspera e o “mau comportamento” os levem a ser menos cuidadosos com políticas de segurança, a dar ordens menos claras à equipe e a intimidar qualquer tentativa de crítica construtiva. Esses resultados reforçam a ideia atual, e cada vez mais forte, da importância do trabalho em equipe. Certamente o tempo nos deixa claro que os resultados não vêm da perícia técnica isolada de um médico turrão e arrogante.

E você, conhece algum cirurgião assim?

Autor:

Referências: 

  • Cooper WO, Spain DA, Guillamondegui O, et al. Association of Coworker Reports About Unprofessional Behavior by Surgeons With Surgical Complications in Their Patients. JAMA Surg. Published online June 19, 2019. doi:10.1001/jamasurg.2019.1738
  • Logghe JH, et al. The Evolving Surgeon Image. AMA J of Ethics. Published online May 20, 2018. doi: 10.1001/journalofethics.2018.20.5.mhst1-1805.

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    “A Ética dos princípios deve ser acompanhada da Ética das virtudes, que torna aqueles não meras soluções de problemas intelectuais mas transforma sua aplicação em transcendente amor pelo próximo, modificando o curar técnico e impessoal em cuidado humanizante”. Palavras do Professor Doutor Carlos Antonio Mascia Gottschall.

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