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Como diagnosticar e tratar a dermatite seborreica?

Tempo de leitura: 3 minutos.

A dermatite seborreica caracteriza-se por inflamação crônica da pele que surge em áreas de grande densidade de glândulas sebáceas, como: couro cabeludo, face, dorso, axila e virilha. É mais comum no sexo masculino. Apesar de ocorrer mais frequentemente em indivíduos imunossuprimidos, principalmente nos portadores de infecção pelo HIV, ou com distúrbios neurológicos (Doença de Parkinson, AVE, epilepsia, paralisia facial, etc), a dermatite seborreica é bastante frequente na população em geral. Normalmente, observa-se incidência bifásica:

  • Primeiro pico nos primeiros 12 meses de vida;
  • Segundo pico durante a adolescência e o início da vida adulta.

Embora sua fisiopatologia não seja completamente entendida, o eritema, o prurido e a descamação são causados por alterações no funcionamento celular da pele. Estudos demonstram que essas alterações são desencadeadas por um fungo que habita naturalmente a pele, o Malassezia spp. Em pacientes com dermatite seborreica, ele consegue penetrar o estrato córneo da pele e liberar lipases, as quais induzem a formação de ácidos graxos livres, que causam uma resposta imune inflamatória não específica. Essa resposta imune é a responsável pela hiperproliferação do estrado córneo, característica principal dessa doença.

Como diagnosticar?

O diagnóstico da dermatite seborreica é essencialmente clínico, representado pela localização e características das lesões. Nessa patologia, observam-se máculas ou pápulas, eritematosas ou amareladas, descamativas, com aspecto gorduroso, principalmente alocadas no couro cabeludo, nos sulcos nasolabiais, nas sobrancelhas, orelhas, na região pré-esternal e na parte superior do dorso. O prurido, quando presente, é discreto, exceto quando o couro cabeludo é acometido. As lesões tornam-se mais evidentes e intensas mediante a estresse e climas frios e secos.

Quais são os diagnósticos diferenciais?

Dermatite atópica, candidíase, dermatite de contato, eritrasma, impetigo, dermatite numular, pitiríase rósea, psoríase, rosácea, sífilis secundária, tinea capitis, tinea corporis, entre outros.

Como tratar?

É indispensável conversar com o paciente sobre a natureza crônica da doença e que a terapia visa o controle e não a cura da mesma. O tratamento da dermatite seborreica baseia-se em quatro patamares:

  • Antifúngico, para diminuir a população de Malassezia;
  • Corticosteroides e inibidores da calcineurina, como anti-inflamatórios;
  • Coaltar, na tentativa de diminuir a taxa de proliferação do estrato córneo;
  • Ceratolítico, para remover as escamas do estrato córneo.

Para dermatite seborreica do couro cabeludo, deve-se usar shampoos contendo sulfeto de selênio, piritionato de zinco ou coaltar para controle dos sintomas. Para controle a longo prazo, shampoos com antifúngicos, como cetoconazol 2% ou ciclopirox 1%, podem ser usados diariamente ou, pelo menos, duas ou três vezes por semana durante várias semanas, até que a remissão seja alcançada. Em seguida, o uso destes shampoos uma vez por semana pode prevenir a recaída. Os shampoos devem permanecer no cabelo por pelo menos cinco minutos para garantir uma exposição adequada ao couro cabeludo. Ceratolíticos, como o ácido salicílico, podem ser usados em casos intensos com escamas aderentes.

Na face, são utilizados como terapia de primeira linha os antifúngicos tópicos, como cetoconazol 2% creme, ciclopirox 1% creme. Como segunda linha de tratamento, pode-se usar corticosteroides tópicos de baixa ou média potência e inibidores da calcineurina, como pimecrolimus 1% creme e o tacrolimus 0,1% pomada.

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Referências:

  • Clark GW, Pope SM, Jaboori KA. Diagnosis and treatment of seborrheic dermatitis. Am Fam Physician. 2015 Feb 1;91(3):185-90.

2 Comentários

  1. Excelente explicação. Me ajudou muito. Obrigado.

  2. Então, não existem mais shampoos a base de coal tar, obtive ótimose resulados quando usava ionização Tudo, que saiu do mercado, pode me falar se tem alguma outra fórmula que substitua o coal tar?

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