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Como fazer a abordagem inicial da icterícia neonatal?

Tempo de leitura: 3 minutos.

A icterícia é uma das afecções mais comuns do período neonatal e o profissional de saúde deve ter conhecimento das suas possíveis causas e diferentes evoluções em cada tipo de caso.

A abordagem inicial da icterícia parte da diferenciação básica dos casos patológicos para os casos fisiológicos. A maioria dos casos no recém-nascido é fisiológica, que não exige tratamento, e tem as seguintes características:

– surge após as primeiras 24 horas de vida
– tem uma baixa velocidade de ascensão
– pico dos sintomas entre o 3º e 4º dias de vida no recém-nascido termo
– não costuma ultrapassar níveis séricos de bilirrubina de 12
– duração máxima em torno de 1 semana
– predomínio de bilirrubina indireta

Nos casos que se encaixam nesse perfil, normalmente não vai ser necessária uma investigação diagnóstica específica, apenas orientação aos pais e acompanhamento rotineiro do recém-nascido.

Já a icterícia patológica, que na maioria das vezes vai necessitar de fototerapia, possui outras características:

– surgimento precoce (antes de 24 horas de vida)
– alta velocidade de ascensão
– duração prolongada (mais que 1 semana)
– valores de bilirrubina sérica acima de 12
– aumento de bilirrubina direta

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Todos os casos com características de icterícia patológica devem ser investigados. Inicialmente, os exames de sangue básicos a serem solicitados devem ser: dosagem de bilirrubina total e suas frações direta e indireta, tipagem sanguínea da mãe e do bebê, teste de coombs indireto e direto, reticulócitos e hematócrito.

Esses resultados iniciais ajudarão o médico a suspeitar de doenças hemolíticas e incompatibilidades sanguíneas, sendo algumas vezes necessária a ampliação da investigação com pesquisa de anticorpos anti-D e para antígenos irregulares.

Se forem excluídas as causas de isoimunização sanguínea, deve-se ampliar a pesquisa para procura de outras causas, como, por exemplo, hipotireoidismo congênito e deficiência de g6pd, que também são causas comuns de icterícia patológica.

Nos casos em que a hiperbilirrubinemia está associada ao aumento da fração direta de bilirrubina, podemos pensar em causas infecciosas ou colestáticas, sendo estas geralmente de surgimento mais tardio. Esses casos não são tratados com fototerapia.

Há ainda a icterícia do aleitamento materno e do leite materno: a primeira sendo causada pela dificuldade de amamentação, e a outra por uma amamentação satisfatória que pode surgir por excesso de exposição a substâncias presentes no leite materno.

O profissional de saúde que acompanha bebês, principalmente o pediatra, precisa saber reconhecer a icterícia e distinguir causas fisiológicas de patológicas. Não é necessário conhecer a fundo todas as patologias que cursam com icterícia, porém é essencial saber como conduzir a abordagem inicial e identificar casos que precisam de intervenção precoce, evitando a evolução drástica para a encefalopatia bilirrubínica.

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Referências:

  • Icterícia no recém-nascido com idade gestacional maior que 35 semanas; documento científico do departamento de neonatologia – SBP
  • Atenção à Saúde do Recém-Nascido, Guia para os Profissionais de Saúde; volume 2 -Ministério da Saúde

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