Cardiologia

Como fazer uma avaliação cardiovascular – parte 2: medidas não farmacológicas [podcast]

Na rotina médica, você com certeza encontrará pessoas que, ou tiveram uma cardiopatia, ou estão sob esse risco. Por isso, é fundamental saber fazer uma avaliação cardiovascular. Hoje, o cardiologista e colunista do Portal, Dr. Ronaldo Gismondi, fala sobre as medidas não farmacológicas, os hábitos de alimentação e de vida que o paciente deve ter para diminuir o risco de uma doença cardiovascular.

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Confira a transcrição do podcast

Medidas não farmacológicas e prevenção cardiovascular

No episódio de hoje, nós vamos falar sobre as medidas não farmacológicas, quais são os hábitos na vida e da alimentação que o seu paciente tem que ter para ele diminuir o risco de uma doença cardiovascular? Os hábitos são uma coisa muito importante no tratamento. Nós passamos muito rápido por eles na consulta, mas o impacto deles é muito grande, a começar pela alimentação.

A alimentação que mostrou melhor resultado na medicina baseada em evidência é a dieta do Mediterrâneo. Nós no Brasil temos um pouco de dificuldade de aderir a ela porque não sabemos se os peixes que temos aqui tem a mesma oferta de ômega dos peixes do Mediterrâneo. Partindo do princípio que sim, a ideia é que a gente prefira o consumo de peixe como a nossa carne, aumente a leguminosas e as verduras, o mundo vegetal é um caminho, e que a gente regule diminuindo a ingestão de gordura e aumentando os óleos que vem ou das amêndoas das castanhas, ou o óleo do azeite para que possamos melhorar a oferta na alimentação. Há claro que há outras dietas, cada uma com seu objetivo, por exemplo a dieta “desch”, que é uma dieta para hipertensão, que é uma dieta muito boa. Mas pensando em doença cardiovascular como um todo e sendo muito firme, muito ligado à medicina baseada em evidência, a dieta do Mediterrâneo é o que tem hoje a melhor evidência.

A prática de exercício regular é muito importante, há dúvidas de quantos e qual, não há uma resposta definitiva. Na dieta de hipertensão, eles trouxeram uma informação o mais precisa: “olha, você precisa se exercitar em torno de cento e cinquenta minutos por semana, isso distribuído o mais regular possível, você deve evitar passar mais do que dois dias sem fazer exercício, então é segunda, quarta e sexta; terça, quinta e sábado. Esse exercício seu tem que te trabalhar em uma frequência de treino, que oscila em torno sessenta, setenta por cento da sua frequência cardíaca máxima; coloque um pouquinho de exercício dinâmico, não faça só aeróbico – que é principal – mas coloque um pouquinho de dinâmico e isométrico na sua vida, isso vai ser importante.

Aumente a ingestão de produtos de origem vegetal, eles são ricos – entre outras coisas como os antioxidantes – em potássio e magnésio, limite o álcool. O álcool pode ser tóxico para o miócito. O que se discute é se existe uma curva “J”, principalmente para coronariopatia e não para cardiopatia como um todo, então talvez para coronariopatia possa haver uma dose baixa de álcool que seja benéfica, mas isso não é uma verdade absoluta. A melhor evidência vem do uso do vinho em estudos na França, mas não sabemos se isso acontece com vinhos de outras regiões ou com outras bebidas alcoólicas. Além disso, temos que lembrar que existe uma dose máxima de álcool que deve ser recomendada, essa dose é em torno de 10 a 14 gramas de álcool para o homem e metade disso para a mulher. Equivale a duas latas de cerveja para o homem, ou uma lata de cerveja para a mulher. Passar disso de álcool é aumentar o risco de doenças relacionadas não só à cirrose – que é o clássico – mas a alguns tipos de câncer que o álcool pode aumentar também e dar cardiopatia alcoólica que não é coronariopatia.

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Publicado por
Vanessa Thees

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