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intoxicação por agrotóxicos

Como identificar os principais sintomas da intoxicação por agrotóxicos?

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O Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama), a agricultura brasileira usou 539,9 mil toneladas de pesticidas em 2017. Mas esse número está crescendo, graças à liberação de agrotóxicos, que vem ganhando velocidade nos últimos anos no Brasil. Em 2019, até meados de maio, foram registrados 169 produtos liberados, mais do que em todo o ano de 2015.

Segundo dados do Relatório Nacional de Vigilância em Saúde de Populações Expostas a Agrotóxicos, publicado pelo Ministério da Saúde em 2018, foram notificados no país 84.206 casos de intoxicação por agrotóxicos entre 2007 e 2015. Quanto ao tipo de agente tóxico, os raticidas foram os agrotóxicos mais utilizados (42,1%), seguidos dos de uso agrícola (36,5%), dos domésticos (11,4%), dos produtos veterinários (8%) e dos de uso em saúde pública (2%).
Portanto, saber identificar os principais sinais e sintomas da intoxicação por agrotóxicos é muito importante para os médicos, principalmente aqueles que atuam próximos a áreas rurais.

Os agrotóxicos podem causar diversos efeitos sobre a saúde do ser humano, muitas vezes levando à morte. De acordo com Armando Meyer, biólogo e coordenador do de pós-graduação em saúde coletiva do Instituto de Estudos de Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), os efeitos são divididos em intoxicação aguda e crônica.

Confira os principais sintomas de cada tipo de intoxicação

Intoxicação Aguda

Pode ocorrer de forma leve, moderada ou grave, dependendo da quantidade de veneno absorvido, do tempo de absorção, da toxicidade do produto e do tempo decorrido entre a exposição e o atendimento médico.

Essa exposição acontece, normalmente, num período de até 24 horas, acarretando diversos efeitos rápidos sobre a saúde, até mesmo com sintomas contraditórios, como: cefaleia, náuseas; vômitos; dilatação das pupilas; diarreia; miose; bradicardia; taquicardia; hipersecreção salivar, lacrimal, digestiva e brônquica; incontinência urinária e fecal; perda de consciência; pequenos tremores musculares involuntários; marcha em coordenada e incoordenada; fraqueza muscular generalizada; distúrbios sensoriais, hiperestesia, parestesia da face e das extremidades; confusão mental; distúrbios motores; disartria; movimentos involuntários dos olhos; pequenas contrações musculares involuntárias e prostração.

Em casos mais graves, pode ocorrer hipotensão, arritmias cardíacas, insuficiência respiratória, edema agudo de pulmão, pneumonite química, convulsões, alterações da consciência, choque e coma, podendo evoluir para o óbito. Em casos gravíssimos, pode acontecer a depressão do centro respiratório, causando a morte do paciente.

Intoxicação Crônica

Apresenta efeitos a médio e longo prazos. Nestas condições, os quadros clínicos são mais indefinidos. Essa intoxicação é manifestada através de inúmeras patologias, que atingem diversos órgãos e sistemas, principalmente o imunológico, hematológico, hepático, neurológico, reprodutivo, além de malformações congênitas e tumores.

“Há estudos científicos relacionando a intoxicação crônica por agrotóxicos com o aumento do risco do desenvolvimento de diversos tipos de câncer, doença de Parkinson, depressão e até suicídio. É importante destacar que os sinais e sintomas, mesmo nos casos agudos, podem não aparecer imediatamente”, ressalta o biólogo Armando Meyer.

Ainda sobre os efeitos dos agrotóxicos no organismo humano, Hellen Campos, nutricionista e clínica funcional, explica que os ingredientes ativos presentes nos agrotóxicos podem causar diversos distúrbios que atingem o núcleo das células, interferindo no equilíbrio delicado dos hormônios e podendo ocorrer alterações no sistema reprodutivo. “Altos níveis de intoxicação por agrotóxicos podem levar a alterações como câncer de mama, de testículo, endometriose, puberdade precoce, aborto, infertilidade”, enfatiza.

Também é importante destacar que crianças e idosos são mais suscetíveis a ações de substâncias tóxicas, como os agrotóxicos.

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A profissional de Nutrição lembra que existem diversas pesquisas que procuram alternativas de minimizar a exposição humana como removendo – mesmo que parcialmente – os agrotóxicos dos alimentos, como o bicarbonato de sódio, a água sanitária, o iodo e mesma a água corrente. Também é possível fazer diferentes tipos de preparação, como a secagem, o cozimento, a retirada de casca, extração do suco, etc.

“Entretanto, todas essas práticas se mostram insuficientes devido à situação crítica do nosso país de liderar o ranking mundial de agrotóxicos, uma vez que consumimos, aproximadamente, 20% do total de pesticidas comercializados no mundo”, alerta Hellen Campos.

A nutricionista explica ainda que é fundamental que os profissionais de Nutrição orientem os seus pacientes a darem preferência aos produtos da safra atual, uma vez que os alimentos colhidos na época certa têm mais qualidade nutricional e, com certeza, menos agrotóxicos.

“A preferência por alimentos orgânicos também é outra recomendação que não pode faltar até porque nos últimos anos essa alternativa está sendo oferecida com custo mais acessível para a população, com opções de entrega domiciliar diretamente do produtor para a sua casa (como a Comunidade CSA Brasil) e as feiras orgânicas em diversas cidades do país”, esclarece Hellen Campos.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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