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médico avaliando exame neurológico para identificar a diferença entre status cognitivo e patologia

Como identificar patologia cerebral versus status cognitivo?

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Como entender as discrepâncias entre as alterações patológicas cerebrais e a performance cognitiva? Reserva cognitiva da vida útil seria um dos segredos para lidar com a patologia neurodegenerativa. Esse conceito foi proposto cerca de uma década atrás e traz a hipótese de que indivíduos com exposição a experiencias enriquecedoras de conhecimento ao longo da vida seriam capazes de tolerar melhor a patologia cerebral no fim de vida.

Estudos epidemiológicos de Stern, Y e colaboradores realizado em 1994 já mostraram que a exposição ao longo da vida ao ensino superior, maior nível ocupacional e atividades de estímulo cognitivo estão associadas à redução do risco de demência de Alzheimer.

Já em 2009 um estudo encabeçado por Schneider, JA realizado através de autópsia mostraram que dentre cérebros autopsiados de cerca de um terço dos indivíduos cognitivamente normais atendiam aos critérios neuropatológicos da doença de Alzheimer indicando que existe diferenças individuais na quantidade de patologias cerebrais que as pessoas podem tolerar antes de manifestar deficiências cognitivas.

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Agora neste ano, Xu e colegas usaram os recursos do Rush Memory and Aging Project para um teste empírico da hipótese de reserva publicados na recente edição da JAMA Neurology. Primeiro eles avaliaram se indivíduos com fatores de proteção ao longo da vida têm um risco reduzido de demência. Mais importante, eles examinaram a influência da patologia de Alzheimer nessa associação, fornecendo, assim, um teste direto da hipótese de reserva.

Este estudo está entre os maiores estudos longitudinais que incluem dados abrangentes in vivo e de autópsia. Contaram com 1602 participantes sem demência, dos quais 611 morreram durante o período de acompanhamento do estudo e tiveram dados de autópsia realizados e disponíveis para análises e comparação com dados de reserva combinando medidas ponderadas de educação, atividade cognitiva ao longo da vida e atividade social no final da vida.

Durante um acompanhamento médio de seis anos do estudo (variação de um a 20 anos), um quarto desses participantes desenvolveu demência. Como esperado, um composto de reserva mais alto foi associado à menor incidência de demência. Assim, os participantes no terço mais alto da reserva tiveram uma redução de cerca de 40% na ocorrência de demência em comparação com os do terço mais baixo. Uma associação dose-efeito também foi evidente, pois indivíduos no tercil intermediário apresentaram uma redução de cerca de 20% no risco de demência.

Em outras palavras, indivíduos com altos escores de reserva tiveram um atraso no início da demência de mais de sete anos. Visar fatores do estilo de vida que aumentam a reserva pode, portanto, reduzir a incidência de novos casos, ao mesmo tempo em que fornece mais de meia década de saúde cognitiva a indivíduos que acabariam desenvolvendo demência devido a presença da patologia cerebral.

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O artigo do Dr. Xu forneceu fortes evidências de que indivíduos com maior reserva podem tolerar mais patologias cerebrais e, portanto, tiveram um risco reduzido de demência em comparação com outros. A contribuição de fatores individuais para o risco de demência foi avaliada em um conjunto secundário de análises.

Aqui, mais do que apenas constatar a importante contribuição da construção de uma reserva como fator de proteção da demência, foi interessante notar que em um acompanhamento longitudinal foi possível compreender que o período crítico de introdução dessa prevenção não se restringe apenas ao inicio da vida usando a educação primária como principal referencia, mas que os comportamentos no estilo de vida na meia-idade e no final da vida foram os principais fatores de proteção da demência, sugerindo que as intervenções preventivas provavelmente deveriam ser iniciadas na meia-idade, mas também podem ser bem-sucedidas se iniciadas no final da vida.

Portanto, as atividades educacionais e estimulantes mentais acumulativas que melhoram a reserva cognitiva ao longo da vida podem ser uma estratégia viável para prevenir a demência, mesmo para pessoas com patologias cerebrais elevadas. E apesar de que elas deveriam ser iniciadas na meia idade são importantes atividades a serem iniciadas no final da vida.

É importante perceber que os exames tradicionais de RM e imagens PET amiloide e tau fornecem estimativas importantes de patologia, mas em acréscimo devem ser considerados também fatores prévios da reserva cognitiva e se possível uma estimativa atual da presença dessa reserva individualmente para levar em consideração os prognósticos possíveis ao tratamento juntamente com paciente e familiares.

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Autor:

Referências bibliográficas:

  • Villeneuve S. Lifespan Cognitive Reserve – um segredo para lidar com a patologia neurodegenerativa. JAMA Neurol. 2019; 76 (10): 1145-1146. doi: 10.1001/jamaneurol.2019.2899

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