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monitor cardíaco na uti

Como manejar a temperatura em pacientes com AVC? O papel do não-neurologista

Os guidelines atuais sobre acidente vascular cerebral isquêmico focam no manejo médico nas primeiras 24-48 horas, sem destacar o tratamento no restante da hospitalização. A revista US Neurology montou um artigo de revisão para discutir o controle da temperatura, pressão arterial e glicêmico nesses casos. Já falamos aqui sobre cuidados com a pressão e agora vamos abordar o manejo da temperatura.

A hipertermia é uma complicação frequente em até 50% dos pacientes com AVC isquêmico agudo. Recentemente, a European Stroke Organization (ESO) publicou diretrizes para o manejo da temperatura nesses pacientes. Com base em evidências de baixa qualidade, não foram feitas recomendações para o tratamento da hipertermia como forma de melhorar o desfecho funcional e/ou a sobrevida. Os autores também se posicionam contra a indução de hipotermia.

Veja também: ‘Hipotermia x normotermia pós-parada cardíaca intra-hospitalar em crianças’

Atualmente, diversas pesquisas tentam descobrir se a hipotermia terapêutica melhora o resultado clínico em doentes com AVC isquêmico agudo. Uma delas é o EuroHYP, um ensaio clínico randomizado para avaliar o efeito de 24 horas de hipotermia ligeira (temperatura corporal alvo 34 – 35 °C) na escala de Rankin modificada de 90 dias. A meta do estudo é conseguir 1.500 participantes.

Outro ensaio importante é o ICTuS. Neste ensaio clínico randomizado, pacientes receberam cateteres de resfriamento endovascular colocados após receber trombólise intravenosa com o objetivo de atingir uma temperatura alvo de 33 °C em 6 horas do início do derrame, e mantendo essa temperatura durante 24 horas. A hipotermia terapêutica mostrou-se segura e viável. No entanto, o estudo não conseguiu uma amostra significativa e foi interrompido precocemente.

Até que haja evidências convincentes dos benefícios da hipotermia terapêutica no AVC isquêmico, os autores aconselham evitar esta abordagem. Além disso, é razoável evitar a hipertermia e apontar para uma meta de normotermia, dado que os riscos são mínimos e potencialmente benéficos.

Referências:

  • Acute and Subacute Ischemic Stroke – A Review of Temperature, Blood Pressure and Glycemic Management. Shannon Hextrum, Barak Bar. US Neurology, 2016;12(2):105–9 DOI: https://doi.org/10.17925/USN.2016.12.02.105

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