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médico de estilo de vida sentado à mesa com prontuário e alimentos saudáveis

Como orientar mudanças do estilo de vida? Veja 4 abordagens clínicas

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O conhecimento médico sobre hábitos de vida e nutrição carece de muita informação durante nossa graduação universitária e carreira profissional. É comum encontrarmos colegas médicos que orientam condutas nutricionais defasadas, antigas e não práticas, gerando baixa aderência as orientações prestadas, frustrando o paciente e gerando ao tratamento da condição em questão, principalmente se for uma doença crônica.

Observando isso, proponho uma abordagem simples, direta e que pode ser feita no nosso dia a dia com a maioria dos pacientes que precisa de orientações sobre mudanças do estilo de vida, sejam elas alimentares, físicas ou mentais.

Usei como referência estudos da Medicina do Estilo de Vida e o curso Introduction to Food and Health da Universidade de Stanford, que inclusive pode ser feito online, gratuitamente, por este link aqui.

1) Não pergunte sobre dieta.

Questione os hábitos alimentares. “Como é a sua dieta?” Pergunta comum nos consultórios médicos que deve ser repensada e reformulada. A palavra dieta, em si, geralmente nos leva a um pensamento restritivo do que podemos ou não comer. As clássicas dietas da moda encaixam-se aqui (dieta do ovo, da lua, detox, do suco etc.). Uma alternativa a esta abordagem é perguntarmos como são os hábitos alimentares do paciente a nossa frente, por exemplo:

  • Você come geralmente em casa ou em restaurante?
  • Você tem o hábito de cozinhar?
  • Você compra comida pronta ou industrializada?
  • Você ingere bebidas açucaradas como sucos industrializados e refrigerantes?

Teremos assim, noções básicas de como o paciente se alimenta, como se relaciona com a comida, gerando interesse real nas nossas perguntas e podendo impactar diretamente a mudança de hábitos alimentares destas pessoas.

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Além disso, podemos intervir diretamente, por exemplo: Se o paciente come em restaurantes diariamente devido à rotina de trabalho excessiva e ingere bebidas açucaradas ao alimentar-se, podemos orientar a diminuição do consumo de refrigerantes, orientar montar um prato ideal com diversos nutrientes e ainda propor formas evitar comer somente fora de casa, como preparar sua comida, organizar lanches saudáveis ou simplesmente propor formas de manejo do estresse.

2) Forneça opções de substituição e de porções.

A maioria das pessoas não sabe como substituir com eficiência os grupos alimentares. Cabe a nós profissionais orientar substituições simples e eficazes para tornar os hábitos alimentares mais equilibrados e sustentáveis. Por exemplo:

  • Carboidratos complexos são preferenciais aos simples. Oriente o consumo de raízes e grãos integrais. Cuidado com o pão integral, que geralmente é rico em farinha branca e possui poucas fibras;
  • Gorduras de boa qualidade ajudam muito na saciedade e podem ser ingeridas com cautela, por exemplo: Abacates, azeite de oliva, peixes com pele, óleo de coco;
  • Fibras são interessantes para o bom funcionamento do intestino e devem ser introduzidas no plano alimentar. Folhas, vegetais, legumes, etc.;
  • Proteínas são essenciais e também existem no mundo vegetal. Além de carnes (2x na semana), peixes e aves, podemos orientar o consumo de leguminosas como ervilhas, feijões, grão de bico, quinoa. Todas têm excelente perfil proteico e são riquíssimos em nutrientes.

3) Forneça alternativas de atividades físicas.

Assunto comum e que deve ser introduzido com cautela em nossos pacientes. Oriente a prática de uma atividade que gere prazer e bem-estar no paciente. Obviamente que se o paciente não gosta de academia e fizer a inscrição, a prática será interrompida e frustração e falta de empenho serão óbvios. Forneça opções de atividades (grupos de ciclismo, trekking, esportes no mar, caminhadas, musculação, lutas, etc.) Essa abordagem geralmente é benéfica pois exclui a mentalidade que exercícios físicos são extenuantes, monótonos e somente dentro de academias de ginástica. Movimentar-se é fundamental!

Mais do autor: Eixo Intestino-Cérebro: Entenda seu funcionamento e relação com doenças mentais.

4) Questione os hábitos de higiene do sono.

Sem recuperação e descanso não há saúde e hábitos de higiene do sono são essenciais para termos qualidade de vida, vigor físico e saúde mental. Oriente as medidas simples abaixo:

  • Apagues as luzes. Produzimos melatonina no escuro! Luzes, LEDs, televisão ligada, ar condicionado com luzes interferem diretamente no nosso sono. Oriente desligar todos os dispositivos antes de dormir;
  • Evite os dispositivos eletrônicos na cama. Compre um despertador. Uma medida simples e eficaz;
  • Respire conscientemente usando todo o abdome e o diafragma. Acalme a mente e os pensamentos. Desconecte-se;
  • Evite álcool, estimulantes e refeições perto do horário de dormir;
  • Crie rotinas saudáveis para deitar-se relaxado e com o corpo preparado para dormir.

Autor:

Referências bibliográficas:

2 comentários

  1. Avatar
    Anderson Filho

    Lucas, ótimo artigo.

    Porém esse plano de hábito alimentar ele se torna um pouco restritivo quando atendemos classes sociais bem baixas. Há algum outro artigo/dica em que haja a possibilidade orientar/ajudar esse tipo de população.

    Obrigado

  2. Avatar
    Lucas Calente

    Olá Anderson, trabalho no SUS e sempre oriento mudanças alimentares da seguinte forma: Evite os pães e farináceos. Oriente que tb biscoitos, bolos e salgadinhos tb são farinhas. Essa população alimenta-se muito com estes produtos e são melhores se consumidas em pequena quantidade. Frutas, folhas, vegetais são liberados. Estimule o consumo! As proteínas podem ser diversas, de carne, aves, peixes a proteínas vegetais. Óleos evitar ao máximo. Industrializados e embutidos tb devem ser evitados.

    Geralmente os pacientes entram em desespero quando não veem saída ao pãozinho e biscoitinhos clássicos do brasileiro porém estimular opções de carboidratos é essencial neste momento: raizes são ótimas! É muito comum vermos orientações do tipo: Não coma nada que venha debaixo da terra! Acredito ser um erro grosseiro pois há excelentes fontes de energia em raizes, com fibras, vitaminas e minerais. Observa-se o contrário nos farináceos refinados sem nenhum nutriente além do carboidrato. Além disso, a maioria do que ingerimos tem origem debaixo da terra pois nascem de lá. Soa contraditório, não?

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